China: A epopeia do século 21

Comemoração dos 90 anos do PC Chines

Comemoração dos 90 anos do PC Chines

Todos que pensam o futuro do mundo e da humanidade não deixam de se impressionar com a moderna China dos albores deste novo século .

A bem dizer, a saga que se acelerou desde 1978, com a política de “reforma e abertura” para relançar o socialismo com peculiaridades chinesas, tem antecedentes remotos na Guerra do Ópio, nos anos 1840, movida pela Grã Bretanha.  A ação foi a cabeça de ponte para um dos períodos mais humilhantes da milenar China. Na reação a esse estado de coisas, a colonização, invasões estrangeiras, fragmentação da nação, o povo soube se unir, pôr-se de pé, retomar a marcha da vitalização chinesa.

Foram 170 anos desde então. Em 1921, surge o Partido Comunista da China, PCCh. Ele se demonstrou o maior e melhor intérprete e condutor dessa saga que hoje assombra o mundo e escreve nova página da histórica contenda capitalismo e socialismo, o horizonte e fronteira de nossa época.

É de grande valor conhecer o texto abaixo, o discurso de Hu Jin Tao, presidente da China e do PCCh, por ocasião dos 90 anos do Partido. Num notável e já tradicional poder de síntese, quando se trata de chineses, denotando enorme descortino e lucidez histórica, Hu Jin Tao extrai as muitas lições do passado e presente para desvendar caminhos para o futuro da nação chinesa. Não quero destacar este ou aquele aspecto: é um todo orgânico, de grande maturidade e senso estratégico do PCCh e seus dirigentes.

Hu Jin Tao é da terceira geração moderna dos dirigentes da China e do partido. Conforme a moderna institucionalidade democrática vigente está abrindo seu último período de mandato. É a hora em que começa a sintetizar o legado de seus período e sua liderança à frente da nação e do partido. Também por isso o interesse no texto. Chamou-me a atenção – mais uma vez – a enorme clareza da necessidade de “sistematizar teoricamente a experiência do socialismo com peculiaridades chinesas”, a firme manutenção dos compromissos e papeis fundamentais do PCCh ao lado da renovação avançada que estão promovendo no partido e Estado chinês, e mais: a frontalidade com que explicitam e combatem as contradições próprias da fase primária do socialismo na sociedade e no próprio partido. Opções política, mesmo justas, implicam riscos e custos; o bom estrategista os levam em conta.

As nações não são como pessoas. Estas só muito parcialmente podem ser compreendidas pelo que dizem ou pensam de si próprias; as nações produzem sua história concreta, inclusive seus mitos, camada por camada, por séculos se sobrepondo. Compreender as nações é impossível sem a síntese de seus mais maduros intérpretes. Nisso os chineses são insuperáveis.

Indo mais longe no texto, o leitor se interpela: como foi gestada a política de reforma e abertura, como se forjou a unidade no PCCh em torno desse rumo, sob a liderança de Deng Xiao Ping que havia sido preso por duas vezes pelo próprio regime? Um livro destacado para essa compreensão é de Michael Marty, uma impressionante compilação de fatos, informações e análises sobre aquele tormentoso período após a morte de Mao Zedong, em 1976, até a 3ª sessão do Comitê Central do XI congresso, quando se lança a “reforma e abertura para um socialismo com peculiaridades chinesas”. É a história do pensamento e ação de Deng, cujo resultado foi salvar o socialismo e a China, lançá-la à frente, revitalizá-la. Ele e o partido venceram, mais uma vez.

Armand Hammer, norte-americano descendente de judeus russos e cujo pai foi médico e comunista, foi um autêntico magnata norte-americano. Escreveu suas memórias, de forma viva e brilhante, que passeia pelo século 20: Um comunista em Moscou. O título deriva de ter sido o primeiro capitalista a investir na Rússia no tempo da NEP, a nova política econômica implantada por Lênin para salvar a revolução soviética. Para Hammer, os maiores líderes de seu século, com quem conviveu diretamente e forjou laços de respeito e amizade, foram Lênin e Roosevelt. E ele afirma: o homem mais inteligente que conheceu foi Deng Xiao Ping, referindo-se a como esse líder abriu caminho à vitalização chinesa.

O texto que vai postado e os livros mencionados são não apenas de enorme importância, como também um luxo para a mente. Ajudam a compreender o mundo e o papel da nova China nele.

Integra_discurso_HuJintao_90Anos_PCC