Luta renhida, Dilma valente e clara – o debate na BAND

“…Dilma ostenta marca indelével de nunca ter sido processada, ou se mancomunado ou omitido perante mal-feitos com o dinheiro público, jamais ter cometido improbidades administrativas. Todos reconhecem isso. Ao passo que Aécio, em 30 anos de vida pública, cevada no bem-bom, responde por nepotismo, improbidades e a imoralidade de ter desapropriado terreno da família para produzir um aeroporto e, assim, valorizar o patrimônio. Agora, terá que esclarecer a questão das verbas publicitárias para as rádios mineiras, caso que vem cheirando mal. Por isso, Dilma pode perguntar, na moral: “Onde estão os envolvidos com o caso Sivam? Todos soltos. Os envolvidos com a compra de votos da reeleição? Todos soltos. Os envolvidos na Pasta Rosa? Todos soltos. Os envolvidos no caso do mensalão tucano mineiro? Todos soltos. O que eu não quero é isso, candidato. Eu quero todos aqueles culpados presos”.”

 

Debate na Band dia 14 de outubro entre Dilma Rousseff e Aécio Neves

Debate na Band dia 14 de outubro entre Dilma Rousseff e Aécio Neves

Dilma no debate da BAND foi ao nervo do que está realmente em jogo neste segundo turno: dois campos opostos ao longo de nossa história, dois projetos antagônicos quanto aos rumos para a afirmação nacional e democrática do país e para aprofundar o desenvolvimento socialmente inclusivo, alcançado pela primeira vez na história brasileira a partir de 2003. Isso infere a autonomia na inserção internacional do país (embora isto compareça pouco aos debates), emprego e renda para os que vivem do trabalho como fatores nos quais não se mexe “nem que a vaca tussa”, inclusive como alavanca para o crescimento econômico; e manter, em chave realista, a estabilidade da economia (e não apenas da moeda).

 

Ela avançou propostas para um novo ciclo de mudanças, ressaltando fundamentos morais da igualdade de oportunidades para todos os brasileiros e o fim da impunidade. Apontou para o fortalecimento dos serviços públicos universais – saúde, educação, segurança, mobilidade urbana –, a reforma política com o fim do financiamento privado de campanhas – fonte essencial da corrupção – e, até, a regulação econômica dos meios de comunicação hoje monopolizados.

 

A campanha Dilma tem aderência com a realidade da sociedade e da população a partir dos avanços sociais alcançados, notórios e famosos em todo o mundo – emprego, salários, distribuição de renda, maior igualdade social e regional, políticas para o crescimento econômico. As dificuldades atuais geradas pela maior crise capitalista dos últimos 80 anos serão superadas, afirma ela, mas sem mexer nos fundamentos e conquistas já alcançadas. Nada de “tesouras” nos direitos sociais.

 

A candidatura Aécio só tem aderência ao real pondo em pauta economia e corrupção. O resto é lantejoula marqueteira, que o leva a excessos de ironias, vitimização com os desmascaramentos produzidos pela campanha Dilma, e a proclamar repetidamente “A Grande Verdade, Candidata”, que beiraram o ridículo.

 

Na economia, a trajetória tucana não o ajuda, muito menos quando invoca preocupações sociais. A obra pregressa de FHC, o servilismo de Armínio Fraga a um receituário antinacional e antissocial, não lhe dão apelo. O próprio governo de Aécio em MG foi julgado nas urnas: ele perdeu para Dilma. Por isso o mantra dele: “vou dar continuidade ao que deu certo de Lula e Dilma”.

 

Quanto à corrupção, Aécio busca cavalgar um sentimento de saturação com as denúncias. De modo muito típico, transforma num cavalo de batalha o antipetismo de direita, já clássico no país, e captura o antipetismo “de esquerda”, que Marina tentou empolgar. O fato de isso conduzir a um espetáculo deprimente para a política brasileira, com o transformismo político da historicamente respeitável legenda do PSB, e mais a adesão de Marina a Aécio, mostra que longe de uma “nova política”, estamos perante mais um passo na degradação da política. A serviço da direita.

 

Eis que, mesmo nesse terreno, Dilma ostenta marca indelével de nunca ter sido processada, ou se mancomunado ou omitido perante mal-feitos com o dinheiro público, jamais ter cometido improbidades administrativas. Todos reconhecem isso. Ao passo que Aécio, em 30 anos de vida pública, cevada no bem-bom, responde por nepotismo, improbidades e a imoralidade de ter desapropriado terreno da família para produzir um aeroporto e, assim, valorizar o patrimônio. Agora, terá que esclarecer a questão das verbas publicitárias para as rádios mineiras, caso que vem cheirando mal. Por isso, Dilma pode perguntar, na moral: “Onde estão os envolvidos com o caso Sivam? Todos soltos. Os envolvidos com a compra de votos da reeleição? Todos soltos. Os envolvidos na Pasta Rosa? Todos soltos. Os envolvidos no caso do mensalão tucano mineiro? Todos soltos. O que eu não quero é isso, candidato. Eu quero todos aqueles culpados presos”.

 

Para ser mais explícita, Dilma chamou de golpe a tentativa canhestra, mas criminosa, de a Justiça vazar seletivamente áudios e vídeos de depoimentos de um criminoso confesso, sem provas, milimetricamente calculados para o início do segundo turno. A atitude atual dos meios de comunicação monopolizados, sempre funcionais aos interesses financeiros – que festejam como abutres ganhos criminosos na Bolsa a cada ponto de pesquisa na disputa presidencial entre Dilma e Aécio – vão somados mais uma vez à ação de setores do aparato de Estado brasileiro que se põem em campanha aberta contra Dilma presidenta da República. O fenômeno é velho, a escala é nova quanto à desfaçatez: situação de se fazer sentirem  ingênuos os golpistas de Carlos Lacerda, UDN e República do Galeão, que levaram ao suicídio de Getúlio Vargas.

 

Aécio fazer-se de vítima, invocando também a Marina, pelo enfrentamento direto que lhes moveu Dilma em campanha, é risível. Até os vermes do planeta sabem que ninguém, absolutamente ninguém, é mais atacada permanentemente do que Dilma nestes últimos anos. “Desconstrução” é pouco para caracterizar isso, mais justo falar em tentativa de trucidamento.

 

Os que vivem de seu próprio trabalho têm muito a refletir sobre presente e futuro, defendendo as conquistas alcançadas. É mais uma disputa de caminhos que de personalidades. A mensagem de Aécio sempre pode capturar incautos, ingênuos e oportunistas. Mas sabe-se também que a esperteza quando é muita, engole o dono. Dilma respondeu-lhe na ofensiva em todos os blocos do debate, e em alguns momentos, encurralou-o, como foi o caso ao defender firmemente as políticas contra a violência contra a mulher implantadas pelos governos Lula e Dilma.