Camaradas.
Esta 10ª. Conferência do nosso partido coroou um processo de sucessão em seu principal posto de direção que não diz respeito apenas a duas pessoas. Foi um processo de transição construído sob a liderança dos camaradas Renato Rabelo e Luciana Santos , mas que envolveu toda a direção nacional, interagiu com o coletivo partidário e, mais que isso, fez valer, na prática, o saber teórico coletivo que acumulamos nos últimos anos com a nossa política de quadros. Alternância, permanência e renovação, palavras-chave desta política, fizeram parte deste momento importante do partido, do qual tenho orgulho de participar, assim como imagino que todos vocês também.
O presidente Renato Rabelo mostrou coragem política pessoal, discernimento histórico e maturidade na condução deste processo sucessório. Quando recebeu das mãos de João Amazonas a tarefa de presidir o partido, no 10º. Congresso, em 2001, Renato disse que reuniria “as inteligências e os meios necessários para enfrentar os novos desafios” que se apresentavam. Cumpriu sua palavra da melhor maneira possível: confiando nesta nova geração de quadros comunistas, a 5ª. geração, que agora, liderada pela camarada Luciana, assume e honrará o legado deixado pela geração anterior.
Com as cerimônias e homenagens desta 10ª. Conferência, oficializamos e completamos a sucessão na presidência do Partido. Começamos, a partir de agora, uma nova fase e a questão primordial que se apresenta para todos nós é pormos em ação as linhas deliberadas nesta Conferência e tomarmos as iniciativas necessárias para dar lastro e estabilidade ao núcleo dirigente. É uma tarefa coletiva, em especial da Comissão Política e mais ainda do núcleo executivo. Nosso time escalou uma nova capitã, e seja qual for a posição que cada um dos titulares desta equipe jogue, a função imediata é esta: consolidar e harmonizar o trabalho de direção.
Faz parte deste esforço a definição sobre a vice-presidência. Como todos sabem, há uma indicação formal da Comissão Política. Mas gostaria de ressaltar algumas questões. A primeira delas é que o posto de vice deve ser encarado como uma função complementar ao trabalho da presidência; e suas tarefas definidas a partir da singularidade que o perfil da nova presidenta traz para este coletivo dirigente.
Convivemos até aqui com uma situação em que Renato Rabelo, assim como fez João Amazonas, dedicava-se em tempo integral à tarefa de direção partidária. Mas agora, com uma presidente que também é deputada e que tem sua base familiar e política em Pernambuco e não em São Paulo, impõe-se uma nova dinâmica. Luciana terá que cumprir múltiplas tarefas como presidente do partido e como parlamentar. Ainda que sua disposição e capacidade de atuação sejam invejáveis, precisará de apoio para dar organicidade ao trabalho de direção. A palavra que melhor define este apoio é complementaridade.
Em um país de território gigantesco, que está passando por um momento de delicada crise política, agiganta-se também a tarefa de construir e conduzir a contento os projetos políticos do partido em todo o Brasil, consolidando nossa presença política nos espaços de poder e representação e cultivando novas gerações de comunistas. Como já me referi, esta deve ser uma ação coletiva.
De minha parte julgo que tenho dado e possa dar contribuições nesse sentido. Vários outros nomes, plenamente capazes, possíveis e desejáveis poderiam cumprir a tarefa de vice-presidente. Ciente disso, sinto-me honrado e agradeço a confiança que me foi dada pela Comissão Política e pelo Comitê Central.
Em 2001, Renato Rabelo apostou na política de renovação e confiou em mim – sem que houvesse qualquer unanimidade naquela ocasião – para compor o núcleo dirigente nacional do partido. Procurei retribuir a confiança com empenho pessoal, voltado particularmente para a atualização, junto ao coletivo, do pensamento do partido, em especial no desenvolvimento de sua política de quadros, que contribuiu, quero crer, para o êxito deste processo de sucessão. Pusemos em pauta a construção de um modo próprio de conceber a estruturação partidária, nas condições brasileiras e da atualidade, de feições contemporâneas e com os mesmos princípios.
Nestes últimos 13 anos, baseei todo meu trabalho a partir da convicção de que quanto mais avançamos na elaboração de um projeto de pavimentação do caminho brasileiro para o socialismo, tanto mais devemos maturar, estrategicamente, a forma e as características de organização política capaz de erguer os pilares deste empreendimento histórico. Tenho comigo um sentimento sincero de orgulho, e o compartilho com vocês, de estar vivendo este momento singular da vida partidária, norteada pelo Programa Socialista, imerso decididamente na corrente da história própria de nosso Brasil, em que os comunistas não são apenas observadores críticos, mas protagonistas políticos, sociais, institucionais. Era um sonho que acalentava desde a juventude.
As verdades simples, quando comprovadas, têm uma força poderosa. Uma delas é a de que não existe modelo único de regime social ou de formas de organização política. Existem princípios. Mas existe a história em curso permanente. Por isso, pusemos em pauta a construção de um modo próprio de conceber a estruturação partidária, nas condições brasileiras, em função da estratégia e caminhos traçados para a luta pelo socialismo em nosso Programa.
Camaradas
Sou de uma geração (e de traços pessoais) de quem aceitou ter como expressão pública a condição única de dirigente partidário, que se legitimou de dentro para fora. Nunca exerci mandato público eletivo nem pude dedicar-me a construir uma carreira como médico, profissão na qual me formei. Digo isso sem nenhum ranço de arrependimento pessoal. Mais do que condicionantes da luta de classes, estas foram decisões de consciência — e foram boas. Tudo que sou como quadro político, aprendi nas fileiras do Partido Comunista do Brasil. Faço parte da geração que perseguiu como bem maior da biografia a coerência permanente na condição de militante comunista, como muitos aqui.
Sou fruto do partido em São Paulo, estado onde reside parcela expressiva da classe trabalhadora do país, e foi aqui que me temperei como militante e dirigente partidário, experimentando conquistas e fracassos, erros e acertos, momentos de ascenso e de descenso, enfim, vivendo dialeticamente a luta política, mas sempre muito consequente com os princípios e o caráter de classe do partido.
É do senso comum dizer que os erros ensinam mais que os acertos. Quero ter para mim que estou em permanente busca por acertar mais, porém, o que julgo mais importante, é a vontade (e capacidade) para seguir aprendendo. E encaro este generoso conjunto de homens e mulheres que integram as fileiras partidárias em todas as suas instâncias como mestres que me ajudam, cotidianamente, a enxergar os aspectos nos quais preciso evoluir, do ponto de vista político, teórico e mesmo pessoal.
Enfim, agradeço o julgamento da inteligência e do discernimento do coletivo que me pôs na vice-presidência. No que acredito, por concepção de mundo, é no trabalho e direção coletiva. Garanto que vocês podem contar sempre com meu trabalho árduo, comprometimento e lealdade.
Obrigado.





