A direita abraça a rede

A ascensão dos grupos conservadores nas redes sociais – da revolta “pop” ao uso de perfis fake e robôs importados da campanha eleitoral.

Por Natália Viana, da Agência Pública

Terceira parte

Um exército de robôs

Ex-secretário de Meio Ambiente de São Paulo, o tucano Xico Graziano, responsável pela coordenação das redes de apoio e mobilização online da campanha de Aécio Neves, observou de perto o crescimento dos grupos conservadores durante a campanha eleitoral. Tanto que credita a eles boa parte do que ele considera ter sido uma vitória de Aécio na internet. “Cá entre nós, hoje em dia nenhum partido político tem prestígio entre os jovens. Nenhum. Então, não tínhamos ilusão, nem tive nunca ilusão sobre isso”, explica. “Nós contamos com grupos muito importantes que faziam apoio no segundo turno à candidatura do Aécio e que eram muito articulados em rede, que estão aí até hoje.

Era um pessoal contra o PT, obviamente eles ajudaram muito na campanha e nós fomos capazes de nos articular a esses grupos. Não fomos só nós, houve uma conjunção de forças contra o status quo, contra o PT, que a campanha do Aécio capitalizou.”

Xico Graziano vê com bons olhos o crescimento da organização de direita na internet. “Esses grupos direita+abraca+rede3-1conseguiram articular uma direita que existe no Brasil. Isso é muito bom. Do ponto de vista democrático, é importante as coisas estarem mais claras. E aí você vê a predominância do Bolsonaro, do Caiado, como representantes políticos desses grupos. Mas ao mesmo tempo esses grupos acabaram diminuindo um pouco de tamanho. Porque eles se caracterizaram como grupos de direita e, na campanha, cresceram mais do que isso porque eram contra o PT. Ser contra o PT aglutina mais gente do que ser de direita e defender teses de direita radical.”

Já Leandro Fortes, que coordenou as páginas sociais de Dilma Rousseff e do PT, ataca fortemente o crescimento desses grupos, a quem atribui, ao lado da campanha de Aécio, uma série de boatos contra a atual presidente. “O grau de virulência contra Dilma também se explica por outro elemento, velho em si, mas que só agora também começou a aparecer sem disfarces nas eleições: o machismo”, diz. “Com a ajuda da mídia e sem pudor algum, montou-se uma estrutura de assassinato de reputação, difamação e calúnia em torno da candidatura de Aécio Neves para detonar Dilma e o PT nas redes.”

Por seu lado, a campanha de Dilma é tida por Caio Túlio Costa e Stephanie Jorge, coordenadores da campanha de Marina Silva, como a mais agressiva nas redes. “A determinação do PT em ‘desidratar’ ou ‘desconstruir’ a candidata Marina se fez na própria internet, dada a facilidade do uso do anonimato, pseudônimos e robotização nas redes.

Marina foi vítima da mais sórdida campanha de boatos que se pode fazer online, na televisão e no boca a boca. Esse discurso mais agressivo – e muitas vezes de ódio – está presente na rede, nas manifestações de rua, nas manifestações sindicais, nas manifestações dos movimentos sociais. Virou uma questão político-cultural, e, acreditamos, sua existência está nas lides do PT – talvez em reação ideológica a um contradiscurso que, já em si, também tinha os germes deste ódio.”

Xico Graziano assume que a campanha do PSDB também usou fakes e robôs, um expediente que, segundo ele, é amplamente utilizado na publicidade e foi importado para a campanha de 2014. “Todas elas usaram esses artifícios”, diz. “Eu fiquei meio decepcionado. Na campanha de todo mundo, você tinha muito disso, era robô retuitando. De repente você tinha um tuíte, você tinha mil retuítes, tava na cara que aquilo lá era falso. Era robotizado pra você entrar nos trending topics. Aí você tuitava ostrending topics, aí todo mundo, uau!, soltava foguete, comemorava o sucesso, e não servia para nada”, diz.

Ele nega ter usado essas estratégias na sua equipe, que, segundo diz, focou o trabalho também no engajamento offline. “Hoje o que a gente percebe são dois movimentos que o meu grupo criticou na campanha. O publicitário vê a internet como meio de propagar mensagem. Então, quase usando como televisão, daqui pra lá, só. E os ‘experts de redes’ acham que importante é você criar audiência. Então você bota robô, bota um monte de coisa pra dizer ‘ah, meu Twitter tem 50 mil, tem 20 mil’, com fake, com tudo, mas não traz engajamento. Você traz potência. Coisa que as empresas gostam de pagar. E pagam caro por isso.”

De fato, robôs que ajudam na indexação do Google, fábrica de likes e perfis fake são hoje de uso comum na promoção digital de empresas, segundo conta Cassio Politi, diretor da Tracto, uma agência de “content marketing” – o que ele considera uma “má prática” do mercado. “Você pode pagar para ter 1 milhão de views no YouTube. Você paga US$ 50 para um carinha que tem milhares de perfis fake no YouTube, Twitter e Facebook ver seus vídeos. E o Facebook, hoje, é uma grande loja de likes. Se você tem um número grande de visualizações, depende 20% da qualidade do conteúdo e 80% do quanto você pagou para o Facebook para promover o conteúdo”, diz. Algumas agências, conta, criam perfis de “reserva” nas redes, para serem acionados quando há uma novidade sobre a marca. “A técnica é fazer os comentários positivos logo de cara, porque eles entendem que os primeiros vão dar o tom do discurso dos demais.”

A Pública conversou com integrantes das três campanhas, que produziram conteúdos, fizeram monitoramento e denúncia de boatos e administraram páginas anônimas para entender os bastidores da batalha suja que tomou conta das redes sociais – e que ecoa até hoje. Todos pediram anonimato e serão aqui apresentados sem indicação de cargo ou local.

“Foi a eleição do marketing do robô. Era uma quantidade absurda dos dois lados”, diz uma jornalista que já trabalhou em diversas campanhas petistas e esteve envolvida em uma campanha para governador. “Foram milhares de perfis falsos, usados para retuitar posts da campanha oficial, dando a impressão de popularidade.”

Ela afirma que a “intervenção” a partir de perfis fake no Facebook começa com o monitoramento. “O monitoramento detecta que tem muita gente metendo o pau no candidato na parte de comentários de um site ou pelo Twitter. Daí pensamos: que pessoa daria credibilidade para essa discussão? Porque não pode ser qualquer um. Por exemplo: uma professora de 30 anos que faça um discurso equilibrado. Ela sempre pondera os dois lados, mas depois defende no discurso o nosso lado. Ou, então, pondera para depois mudar de lado ao longo da campanha.”

Ela diz que, para conseguir uma foto para o perfil, a equipe costuma buscar imagens na internet. “Umas fotos antigas, que não se pareça mais com a pessoa. E um Photoshop resolve isso.” É também importante pensar nas demais características que correspondam ao personagem ou “persona”, outro jargão do mercado. “Ela tem que ter o conjunto completo do perfil: a profissão, que livros leu. Aí você vai curtindo coisas ali pra ela. Você, em duas horas, cria um perfil de uma pessoa”, diz ela. Em uma campanha, as equipes dedicadas a isso chegam a ter 20 pessoas. O intuito desses perfis é chamar atenção para um argumento a favor do candidato ou partido. “Você faz barulho, faz volume.”
Segundo ela, uma mesma pessoa consegue administrar cerca de seis perfis ao mesmo tempo e, muitas vezes, o conteúdo é preparado por uma equipe de comunicação. “O saco é que você tem que trabalhar em vários browsers ao mesmo tempo.”

Um membro da equipe digital de Aécio Neves revela que um dos grandes métodos dessa campanha foi o “aluguel” de perfis já famosos no Twitter – alguns com mais de 1 milhão de seguidores – que receberam dinheiro para passar a fazer comentários positivos sobre determinado candidato. O expediente é amplamente usado também pelas agências de publicidade que compram posts pagos, por exemplo, em blogs de determinado nicho – como o de moda ou culinária – ou em contas de Twitter dos famosos. “O pessoal veio oferecer perfis para mim. Ofereceram uma lista com vários, cem perfis, eram pessoas que já tinham perfis bombando.”

Ele nega que tenha aceitado a oferta. Segundo ele, Aécio Neves – que manteve a própria equipe durante a campanha, encabeçada pelo mineiro Pedro Guadalupe (uma rápida pesquisa revela que ele possui domínios como dilmamente.com.br, dilmabolada.com.br, brasilpoder.com.br, dilmavez.com.br e mudamemso.com.br) – possui uma série de perfis fake próprios, que funcionam há alguns anos.
No Facebook, explica ele, o objetivo de criar perfis fake não é o mesmo dos robôs de Twitter. “Não são para disseminar histórias, mas para interagir. Isso funciona. Não é muito complexo elaborar esse perfil. Ele é feito muito mais para intimidar quem escreve do que para gerar votos. Ele tem um efeito psicológico forte em quem escreveu.”

Um integrante da campanha de Dilma Rousseff conta que administrava páginas populares no Facebook que traziam mensagens de apoio à candidata. “Todas essas páginas querem parecer que são feitas pela militância. Só que ninguém se dedica tanto de graça”. Ele trabalhava até dez horas por dia, em parceria com um designer, para produzir posts que ressaltavam notícias positivas sobre a candidata, ou negativas sobre os oponentes. “Vinham orientações gerais da campanha sobre o que se devia atacar ou ironizar em cada um dos oponentes”, explica.

“O lance é: você não fala o tempo todo daquilo que você quer falar; você cria coisas que fazem sucesso para depois colocar o que você quer.” Para mascararem a origem das postagens, esses funcionários das campanhas usam o VPN, um serviço pago que dificulta a identificação do IP da conexão de rede. Enquanto serviço não é oferecido pela empresa, geralmente uma agência de publicidade ou assessoria de imprensa, eles têm que buscar locais onde possam acessar a internet sem ser identificados. “Eu cheguei a fazer postagens petistas de um café evangélico”, afirma. O entrevistado diz que se decepcionou com a presidente – em quem votou – pelas ações tomadas quando eleita. Mas sua decepção vai além: apesar de “ter se divertido” ao criar conteúdo viral na campanha, acredita que o seu trabalho ajudou a empobrecer o debate. “Eu criei críticas muito vazias para ganhar audiência. Você usa clichês muito idiotas. Por exemplo, usar o termo ‘coxinha’. Acho muito ruim.”

Para o professor Fábio Malini, “o efeito dos bots no Brasil foi aumentar a temperatura do debate eleitoral”. Ele explica que a motivação emocional se dá em rede em torno da velocidade da publicação de muitas mensagens. “Quando a velocidade aumenta, mil tuítes a cada minuto, isso só vai aumentando o nível de ansiedade em torno daquele tema. Isso provoca no usuário essa movimentação toda na timeline, cria um efeito imediato, provado em estudos do próprio Facebook, de criar um engajamento maior”. Para ele, os perfis fake tiveram na última campanha o papel de “gerar emoção” na política.

“A gente está vivendo uma experiência política que é nova na nossa experiência moderna: a emoção na pauta política.” Porém, ele alerta que o Facebook de 2015 não é o mesmo de 2013 “Antes a organicidade era muito grande. A Mídia Ninja por exemplo se irradiava a muitos usuários. No final de 2014, o Facebook decidiu que só vai ter mídia orgânica quem paga. Logo o Facebook se tornou uma máquina na qual quem tem grana consegue propagar sua informação pra mais gente. Criou-se o abuso de poder econômico”.

O uso de fakes durante as eleições é ainda mais cercado de tabu porque é proibido fazer propaganda eleitoral paga na internet. O que deixa de fora do debate atual esse importante elemento, um dos grandes legados da eleição: a robotização da disputa política. “Isso é muito danoso à democracia. É o poder do mais forte, aquele que tem dinheiro para gerar a detratação do oponente, para criar campanha e tendência”, diz Malini. “A nossa hipótese, no Labic, infelizmente se realizou: hoje bots servem tanto para a direita quanto para a esquerda, e são usados em diversas causas também fora da campanha eleitoral.”

Foram estruturas como essas que trouxeram à tona boatos contra candidatos e até outros membros das campanhas, tendo um impacto que vai além dos votos. Muitos dos boatos seguem online e são reativados de tempos em tempos, mobilizam os seguidores de esquerda e de direita e são tidos como verdade, como comprovou o levantamento de Pablo Ortellado.

Um dos boatos mais marcantes da campanha de 2014 dizia que o doleiro Alberto Yousseff, um dos principais delatores da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, teria sido envenenado pelo PT. O boato surgiu após Yousseff ter sido internado no hospital, no dia 25 de outubro, véspera do segundo turno. A primeira menção a envenenamento, às 18h45, veio em um perfil de Twitter que até hoje é usado sistematicamente para retuitar menções contra o governo. A seguir, os perfis que apoiavam a eleição de Aécio passaram a repercutir o boato – incluindo desde perfis menos conhecidos como @esperancaetica até o Twitter do Lobão. Um tuíte que teve repercussão foi o do Dr. Angelo Carbone, um advogado de São Paulo que se dedica a fazer campanha anti-governo no Twitter.

direita+abraca+rede3-2A campanha de Marina Silva encontrou uma boataria orquestrada dizendo que ela iria acabar com o Bolsa Família quando eleita. Dilma chegou a mencionar em um discurso em São Paulo que o Bolsa Família poderia acabar “se eles forem eleitos”. A campanha oficial na TV criticou a ligação com Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú e coordenadora da campanha de Marina Silva, afirmando que a candidata pretendia entregar o poder aos banqueiros. “Os banqueiros assumem um poder que é do presidente e do Congresso”, dizia o vídeo.
Já o portal Brasil 29 – que hoje traz notícias como “Venezuela: câmeras filmam interior do ônibus e mostra cagaço tucano” – foi criado em outubro do ano passado. Em plena corrida eleitoral, no dia 10 de outubro, postou um texto falando do aeroporto de Cláudio, que pertence ao tio de Aécio Neves. Só voltou a postar em novembro.

O ativista e estudioso da cultura digital Marcelo Branco, que já foi ele mesmo alvo de boatos em 2010, quando coordenou as redes sociais da então candidata Dilma Rousseff, critica a campanha de 2014. “As redes sempre foram espaço de divergência, de posições totalmente antagônicas, mas no final o objetivo era fazer uma síntese disso. Hoje em dia, é todo mundo se xingando o tempo inteiro. As campanhas eleitorais são hoje um momento da despolitização da política.”

Um boato que segue recorrente utilizou o nome WikiLeaks para atacá-lo: dizia que ele, com hackers famosos e o Lula, planejaram desde 2005 uma fraude nas urnas eletrônicas. Foi publicado no site falso do WikiLeaks em 2010 e neste ano foi republicado na página do Facebook Revoltados Online. “Uma calúnia ‘investigativa’ inacreditável. Mas o pior é que a maioria que lê aquilo acredita.” Ainda hoje, a hipótese de que houve fraude nas urnas eletrônicas mobiliza as redes de direita. Marcelo Branco foi ainda alvo de boatos pessoais envolvendo sua falecida esposa em 2010. “Foi uma coisa que me fez nunca mais querer fazer campanha política”, diz.

Após a batalha final, restam os robôs

Acabada a disputa eleitoral – “campanha é guerra”, disse um membro da campanha petista à Pública–, sobram os destroços. Sites como Plantão Brasil, Portal Metrópole, Brasil 29, Correio do Poder, Folha Política, Alerta Total e páginas no Facebook como O Exército das Estrelas, Pô, Serra! e Soldadinho de Chumbo, continuam ativos, produzindo muito conteúdo duvidoso. “A partir de novembro, as redes sociais pró–Dilma foram murchando até serem quase extintas. Principal vetor de propagação do projeto dilmista nas redes, o site Muda Mais acabou. Os robôs que atuaram na campanha foram desligados e a movimentação dos candidatos do PT foi encerrada”, avaliou o ex-ministro da Comunicação Thomas Traumann, em relatório interno que foi vazado para a imprensa.

“A tática do PSDB foi exatamente a oposta. Cerca de 50 robôs usados na campanha de Aécio continuaram a operar mesmo depois da derrota de outubro. Isso significou um fluxo contínuo de material anti¬Dilma, alimentando os aecistas e insistindo na tese do maior escândalo de corrupção da história, do envolvimento pessoal de Dilma e Lula com a corrupção na Petrobras e na tese do estelionato eleitoral. Tudo com suporte avassalador da mídia tradicional. Simultaneamente, a partir do final de janeiro, as páginas mais radicais contra o governo passaram a trabalhar com invejável profissionalismo, com uso de robôs e redes de Whatsapp”.

A Pública conseguiu localizar alguns robôs e fakes de Twitter usados na campanha eleitoral que seguem bastante ativos. Alguns perfis fake ganharam notoriedade e fazem parte dos círculos de direita, como @Protest_A, que possui um blog com apenas duas postagens e uma página de Facebook que não existe. Outros são absolutamente automatizados, apenas retuitando links a partir de palavras-chave, como @brasil_levanta, criada em maio de 2013, e @BR45IL100PT. A @br45ilnocorrupt, conta ligada à ONG Brazil no Corrupt-Mãos Limpas, que criou a campanha “Viva Bolsonaro” e agora capitaneia a campanha “Marcha do Panelaço – 7 de setembro”, tem uma óbvia automatização das postagens, que se repetem e reproduzem tuítes de um determinado número de perfis de direita como o de Lobão.

Outros perfis mudaram de tema. Contas como @LaraFreittas_, @IvonePeixoto_, @BrunaSteffs e @Edenmoraes, que compartilharam notícias favoráveis a Aécio Neves e seus aliados em estados como Espírito Santo e ajudaram a propagar hashtags #aecio45, #aecionaglobo #aecionarecord, #aeciopramudar, #corrupcaonapetrobras e #viradadoaecio, passaram a elogiar desbragadamente os novos lançamentos da Friboi, marca do grupo JBS, entre outras empresas. A foto fake de Lara Freitas foi retirada deste perfil no Badoo, enquanto a de Bruna Sheffs foi retirada desta notícia, a de Ivone Peixoto desta entrevista e a de Eden Moraes deste perfil.

Perfis de grande impacto no debate atual carregam ainda a marca de terem sido “inflados” para passar a impressão de autoridade na rede. Assim, o perfil @Dilmabr, criado para a eleição, possui mais de 2,3 milhões de seguidores falsos – 63% do total –segundo uma autoria feita através do site Twitter Audit. Do mesmo modo, o perfil de Danilo Gentili, um dos mais importantes “influenciadores” de direita, possui mais de 6 milhões de seguidores falsos, 58% do total de 10,5 milhões. Cada auditoria do site recolhe uma amostra de 5 mil seguidores e verifica a quantidade de tuítes, a data do último tuíte e a relação de seguidores com interações. Não se trata de uma auditoria oficial do Twitter, mas a métrica dá um bom indício de contas que podem ter aumentado seus seguidores de maneira artificial.

“A internet evolui tecnologicamente e organizativamente”, analisa o sociólogo Manuel Castells. “Hoje em dia, tudo o que ocorre na sociedade se expressa na internet, a liberação e o terrorismo, o feminismo e o pornô, comércio de tudo e culturas alternativas. Tudo se expressa na internet e é decisivo para qualquer projeto, negócio ou atividade. Portanto, é normal que haja fortes campanhas de direita, financiadas por grupos internacionais conservadores como as Indústrias Koch, presentes no Brasil; que isso ocupe espaços na internet e que, como tem mais dinheiro, tenha mais atividade”, diz o sociólogo.

“Além disso, o surgimento de robôs é uma mudança fundamental. Mas há uma diferença. Os grupos poderosos têm dinheiro e poder institucional e têm tudo, televisão, jornais, internet e qualquer meio de comunicação de massa. Mas os movimentos críticos somente têm a internet, com algumas exceções. Por isso, a defesa da liberdade na internet e a utilização da internet são essenciais para os movimentos críticos ao sistema.”

Castells conclui: “O que é certo é que a comunicação dos jovens passa pelas redes sociais, e por isso os partidos e movimentos de todo tipo intervêm nas redes sociais, porque a única coisa segura sobre o futuro é que são os jovens de hoje que o farão. Quem mais influenciar a mente dos jovens no espaço da comunicação construirá as bases do poder – conservador, reformista ou revolucionário – no Brasil”.