Dez anos sem ALCA inspira jornada de luta anti-imperialista

No próximo mês de Novembro completam 10 anos que ocorreu a “Cúpula dos Povos em Mar del Plata”, Argentina, onde enterramos o projeto da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) em nosso Continente. Esta vitória só foi possível devido à construção de uma sólida Campanha Continental contra a ALCA, construída por um grande número de organizações, instituições, redes, lutadores e lutadoras de todo o Hemisfério.

No Brasil, realizou-se Plebiscito Popular reunindo uma ampla unidade das forças populares organizadas e milhares de ativistas mobilizados que resultaram em quase 10 milhões de votos e população brasileira disse NÃO à ALCA. Dessa maneira a Campanha contra a ALCA foi um elemento aglutinador dos movimentos sociais, das forças políticas de esquerda e de segmentos progressistas, comprometidos com a soberania, o desenvolvimento e a justiça social. E Nesse contexto, não é exagero afirmar que a unificação desses segmentos, a partir da luta contra a ALCA, foi determinante no fortalecimento dos setores populares, democráticos, patrióticos e de esquerda, que possibilitaram eleição de distintos governos de caráter progressista na região. Desde então vivemos um processo de avanço de conquistas sociais e da integração latinoamericana, especialmente com o fortalecimento do Mercosul, a criação da Unasul, Alba e CELAC.

Atualmente, vivemos uma nova ofensiva da direita e do Imperialismo em nosso continente. Iniciativas como a criação da Aliança do Pacífico, ou alquita como alguns preferem chamá-la, assim como o Tratado Transpacífico, refletem essa nova tática da direita latinoamericana que vem, de maneira articulada, promovendo ataques contra os governos progressistas, contra a democracia e as conquistas que os trabalhadores, a juventude, as mulheres, enfim, que o povo latinoamericano obteve nesse último período.

Diante disso, a Central Única dos Trabalhadores – CUT, A União Nacional dos Estudantes – UNE, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, a Marcha Mundial de Mulheres – MMM, a Central dos Movimentos Populares – CMP e a Coordenação Nacional das Entidades Negras – CONEN, organizações que impulsionaram a Campanha Continental contra a ALCA, realizaram nesta sexta-feira (28/08), reunião de organização da Jornada Continental de Luta Anti-imperialista “10 anos da derrota da ALCA” com o objetivo de discutir a necessidade de construção de uma agenda unificada dos movimentos sociais frente ao atual cenário político da região. Discutiu-se ainda, a preparação das entidades brasileiras para a participação do encontro hemisférico da Jornada a realizar-se em Cuba, no mês de novembro.