Lutadoras e lutadores de todo o Brasil,
Aqui estão as forças do povo brasileiro organizado, com as quais vencemos quatro eleições presidenciais consecutivas.
Nossa luta e nossos governos deixaram um legado de avanços para a nação e para nosso povo. Orgulhamo-nos deles e por isso nenhum de nós deve ficar na defensiva em preservar esse legado, com altivez.
Mas mudaram as condições no Brasil e no mundo. Desde o ano passado vivemos uma grande ofensiva das forças conservadoras, que permaneceu em curso no atual Congresso, contra as bandeiras do povo.
E o Brasil foi envolvido na segunda maior crise mundial do capitalismo, com o que estancou o crescimento econômico tão necessário para atender as demandas do povo.
Hoje, vivemos dias perigosos para os interesses do povo e da nação, dias em que nossas conquistas desde 2003 estão ameaçadas.
A maior de todas as conquistas a preservar, de imediato, é a democracia e o mandato constitucional da presidenta Dilma.
Opor-se tenazmente à escalada golpista do poderoso sistema opocionista reacionário que é contra Lula e Dilma, como também é contra o projeto que nós todos, aqui, representamos.
Nós temos lado, o mesmo lado esquerdo que tem Dilma Rousseff. Em primeiro lugar os direitos do povo, a soberania nacional e o desenvolvimento do país.
Precisamos alcançar um senso de urgência em torno dos acontecimentos, forjar uma poderosa unidade de ação contra qualquer forma de golpear as institucionalidade. E isso não é apenas missão da esquerda política e social aqui presente, como também unir em torno dela amplas forças democráticas, progressistas e patrióticas ou, pelo menos, responsáveis com o país.
É certo também, no combate democrático, que se precisa superar a crise ética, e ela precisa ser enfrentada com o fim da impunidade. Mas denunciamos o criminalização da política, a demonização da esquerda e dos movimentos sociais, e a partidarização da Justiça, porque isso abertamente golpeia a democracia.
Por isso, um de nossos maiores consensos aqui, hoje, é o da reforma política para extinguir o financiamento empresarial de campanha, sem o que a luta contra a corrupção fica na hipocrisia dos mesmos de sempre.
Em segundo lugar, pelas mesmas razões, precisamos defender a Petrobras e as empresas nacionais construídas com o sacrifício de nosso povo. Nem mais se disfarça a cobiça contra elas. E, acima de tudo, nós reafirmamos, com vocês, a autonomia frente ao governo para disputar a sociedade com nossas bandeiras e organização política.
Mais que nunca é preciso consenso das forças avançadas e eu saúdo, em nome do PCdoB, o que alcançamos neste nosso histórico encontro em que formamos a Frente Brasil Popular.
Não podemos aceitar que a crise capitalista seja paga com o sacrifício do povo. Quem pode mais – aliás, quem criou a crise – é que precisa arcar com o maior sacrifício. Por isso somos pela taxação das grandes fortunas e rendas, dos lucros e dividendos, das heranças.
Somos tenazmente pelo pacto de serviços públicos universais e eficientes, direitos do cidadão e dever do Estado.E, com nossa autonomia, com nossa pressão e crítica, vamos ajudar o governo a acertar no rumo de uma política econômica que não pode acelerar a recessão e contrariar o interesse nacional e popular.
Mais que nunca é preciso consenso das forças avançadas em torno desses pontos concretos, e eu saúdo, em nome do PCdoB, o que alcançamos neste nosso histórico Encontro em que formamos a Frente Brasil Popular.
Nosso compromisso com a frente popular é aquele entre parceiros de longas jornadas de luta, com respeito mútuo e métodos de formação de consensos progressivos para unificar nossa luta. Aqui nasce um novo sujeito político, que vai ser protagonista de novos grandes combates. Nossa missão é disputar a agenda política e social junto à sociedade.
Nossa clareza política comum em cada conjuntura, a nossa unidade e a nossa organização para a luta são os caminhos para tirar o país da crise, retomar o crescimento econômico e fazer avançar o projeto que todos nós construímos.
VIVA A FBP, VIVA A DEMOCRACIA, VIVA A LUTA DO POVO.
*Manifestação do vice presidente do PCdoB, Walter Sorrentino, representando o Partido no ato de lançamento da Frente Brasil Popular ocorrido em Belo horizonte , em 06 de setembro de 2015.



