Ontem, no dia 26, tive a honra de receber a visita de uma delegação do PRD (Partido da Revolução Democrática), do México, à sede nacional do PCdoB. Em passagem pelo Brasil para cumprir outras agendas os companheiros Irán Moreno, responsável por Relações Internacionais, Eric Villanueva e Elaine Tapia Deputada Federal pelo PRD foram recebidos por mim mais Wevergton Brito Lima e Mateus Fiorentini.

Durante a conversa foi possível conhecer um pouco melhor a dura luta do povo mexicano. No dia de hoje somam-se mais de 22 mil desaparecidos, na sua grande maioria jovens como os estudantes normalistas de Ayotzinapa. Os cartéis ligados ao narcotráfico têm fortalecido seu poder chegando a controlar regiões inteiras. A recente fuga do maior traficante do país, El Chapo, impôs um constrangimento à política de Peña Nieto de combate ao narcotráfico. Esses são reflexos de um país marcado por grandes desigualdades sociais e regionais.
A economia mexicana está profundamente influenciada pelos EUA. Com a crise e o baixo crescimento do vizinho de cima, o México tem sido afetado. Falamos também sobre a assinatura recente do Tratado Trans-Pacífico, esse grande acordo firmado entre países do pacífico – em sua maioria aqueles governados por forças de direita e conservadoras – liderado pelos EUA, que busca contrapor a influência dos BRICS, especialmente da China, no mundo. Assim, na busca por ampliar o leque de aliados comerciais do México, Peña Nieto embarca nesse bloco cujos termos assemelham-se aos do TELECAM (Tratado de Livre Comércio envolvendo países da América do Norte, incluindo o México). Esse acordo, segundo os companheiros, pode até dar um impulso na economia do país no curto prazo, porém levará o país a situação similar a atual. Isso devido aos marcos do Tratado estarem inseridos nos preceitos do neoliberalismo. Atualmente a situação do país revela uma realidade em que os números oficiais apontam que 4% da população está desempregada. Mas esconde os mais de 20% de mexicanos que estão na informalidade e os mais de 30% que sobrevivem com subempregos. Na busca por uma saída aos problemas sociais e da economia mexicana o PRD busca envolver os maiores partidos do México, em âmbito legislativo, com o objetivo de impulsionar a luta por reformas estruturais na sociedade do país. Entre elas estão: a luta pela reforma tributária, das comunicações, reforma financeira e bancária, educativa, antimonopólios, etc.

Além de conhecer a realidade e a luta dos companheiros do PRD, o encontro foi também uma oportunidade para compartilharmos um pouco da luta que enfrentamos atualmente no Brasil por preservar a democracia, derrotar as ações golpistas da direita e lutar pelo êxito do governo Dilma. Na ocasião, os representantes do PRD, estenderam convite para que o PCdoB participe do Encontro Internacional da Esquerda Democrática, evento organizado pela agremiação em janeiro de 2016 no México.
Saímos contentes do encontro seguros do estreitamento das relações entre o PRD e o PCdoB em um momento em que urge a unidade dos setores democráticos, progressistas, de esquerda e revolucionários. Tal unidade é a fortaleza que nos permitirá fazer frente as ações do Imperialismo e da direita na América Latina para garantir a continuidade e o aprofundamento do ciclo mudancista que vive hoje o continente, sobretudo na atuação que ambos têm no Foro São Paulo.



