Golpes dentro do golpe

 

16_05_04_sorrentino_golpes

Por Walter Sorrentino

Quando perguntarem “porque tiraram Dilma”, você vai falar em golpe. Mas não esqueça da sequência do golpe. Lá atrás, em 2011-12, a “agenda da faxina” para encurralar a presidenta. Depois, o golpe da Globo e associados, conclamando a jornada de junho de 2013, alimentando o ódio e voltando-a contra a presidenta (lembra na abertura da Copa?). Não esqueça também março de 2014, quando nasce a obscura Lava Jato, manipulada sem tréguas contra o governo e os sucessivos golpes dados com precisão científica. E o golpe na Câmara, de Eduardo Cunha, que levou àquela cena inesquecível da votação em plenário dia 17 de abril… Finalmente, adentrando a matéria no Senado, o STF avisa aos navegantes que não apreciará mérito das acusações – não há a quem recorrer em defesa da Constituição.

Ah, por favor: não esqueça de falar dos “crimes”. Acusação um: pedaladas fiscais. Foi uma “pedalada” ao atrasar repasses do Plano Safra em 2015 (em defesa da produção agrícola), onde não consta a assinatura de Dilma Rousseff porque a presidente não participa de nada, já que a matéria está a cargo do Ministério da Fazenda, da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e do Conselho Monetário Nacional.

E “seis decretos” assinados por Dilma em 2015, “sem autorização do Congresso Nacional”. Na edição dos decretos, a presidenta não aumentou de despesas, só remanejou recursos, sem qualquer interferência na meta fiscal.

Coisa semelhante foi feita pelo governo FHC. Dezessete governadores fazem o mesmo.

A regra é clara e ela foi alterada durante o jogo. Precisaram fabricar um “crime” da presidenta para transformar o jogo numa eleição indireta, de um presidente biônico num governo ilegítimo. Subversão institucional!

Sim, não esqueça: há 7 ministros do governo ilegítimo sendo investigado ou respondendo a processo, inclusive na Lava Jato.