Comunistas de São Paulo apresentam armas na disputa político-eleitoral

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No último fim de semana abriu-se a temporada oficial da disputa eleitoral na capital de São Paulo.

Saudei os delegados e delegadas da Convenção Municipal Paulistana, numerosa e combativa, que se preparava para o grande e extraordinário desafio destas eleições num ambiente anômalo, em meio à consumação de um golpe antidemocrático e a um grande retrocesso nas conquistas do povo e do país.

O desafio é o de reafirmar e ampliar o espaço político do PCdoB, em São Paulo e todo o país, pois há uma reconfiguração política de forças no país e este é um momento de projetar novas lideranças da esquerda brasileira. Ademais, porque as eleições municipais se ligam diretamente às eleições federais de 2018, quando o país pode conhecer uma reforma política antidemocrática e conservadora, destinada a extinguir espaços de representação parlamentar à esquerda.

Afirmei aos presentes à Convenção que o PCdoB traçou um projeto arrojado. No Maranhão, especialmente, onde o governador Flávio Dino tem 60% de aprovação, mostrando que somos um partido bom de lutas e bom de governo também. Vamos disputar prefeitura no Rio de Janeiro, Aracaju, Salvador e Belém, mais possivelmente Manaus e Florianópolis. Teremos 60 candidaturas a prefeitos nas 300 maiores cidades do país.

Mas São Paulo mais uma vez será o centro nevrálgico da disputa nacional, onde os resultados definem o signo da vitória nacional.

É justo e necessário o apoio a Fernando Haddad. Fomos parceiros do PT desde o longínquo 1989, quando plantamos a semente da unidade da esquerda e forças progressistas como bandeira da esperança. E ela frutificou, em 14 anos de realizações dos governos alcançados, com um legado extraordinário que jamais será esquecido pelo povo.

Juntos enfrentamos os ataques voltados contra esse projeto e o golpe em marcha. Juntos precisamos oferecer novas perspectivas ao povo. As eleições municipais serão a continuação direta dessa luta política e o modo como precisamos estabelecer essa parceria neste momento.

Uma parceria que compreende o apoio do PT às candidaturas comunistas de Jandira Feghali, no Rio; Edvaldo Nogueira, em Aracaju; Alice Portugal em Salvador, e muitas outras cidades médias. Parceria que nos une em torno de candidaturas do PT em Porto Alegre, Rio Branco, Natal e Goiânia, entre outras.

A gestão Haddad-Nádia foi correta e avançada. Pensou estrategicamente a cidade, olhando para o futuro, democratizando-a, planejando seu vetor de desenvolvimento, elevando a qualidade de vida e direitos do povo, além de interpretar os anseios da maioria – sobretudo a juventude – em face das novas contradições emergentes na sociedade dinâmica que é a paulistana.

Haddad-Nádia apresentaram nestes quatro anos de governo uma nova geração de medidas programáticas, de grande significado e alcance. Vemos nessa candidatura os fortes ventos da renovação política e programática, mantendo os mesmos compromissos democráticos e sociais que sempre marcaram a esquerda brasileira. Por isso precisa a gestão continuar por mais quatro anos, para consolidar esses rumos.

O PCdoB nessa chapa é garantia de nitidez política à disputa, mobilização militante, combatividade que sempre marcaram sua trajetória. Ao lado da disputa programática para a cidade, o palco da campanha será ao mesmo tempo uma disputa de narrativas sobre a crise política e o golpe em marcha, dado o incomensurável poder da mídia plutocrática em desconstruir, dia e noite, a gestão da cidade. O PCdoB tem lado, o lado da democracia, dos direitos sociais, os interesses dos trabalhadores e do país. Não vai baixar a cabeça na defensiva porque tem convicção e hombridade para defender as imensas conquistas que legamos ao povo em 13 anos de governo e que certamente residem na memória dos paulistanos. Vamos representar e falar aos setores médios democráticos e progressistas que se mobilizaram nas grandes jornadas contra o Golpe e o Fora Temer; e vamos, principalmente, falar aos interesses da grande massa da população trabalhadora, que busca nestas eleições ampliar seus direitos e qualidade de vida nas cidades, disputando sua compreensão dos acontecimentos no país.

É no leito dessa disputa que o PCdoB perseguirá melhor seus objetivos próprios. O PCdoB tem que eleger seus vereadores, alcançar o quociente eleitoral próprio, contando com uma chapa de 72 candidatas e candidatos, mais os votos de legenda. Eles são garantia de luta e representação das parcelas populares da cidade de São Paulo.

 Nesta campanha, anômala também pelas novas regras vigentes para financiá-la e fazer a comunicação, mais que nunca é hora da militância, para convencer o povo no debate, conquistar votos e sustentar materialmente a campanha com amigos e apoiadores. O PCdoB tem que formar uma rede militante, cultivar o trabalho militante. É nas mãos da militância, mais que sempre, que reside a chave de levar à vitória os objetivos traçados. Nas ruas, nas redes, nos movimentos sociais, nos debates e tribunas, esse diferencial de partido de tipo militante como o PCdoB pode ser a garantia de vitória.

De todo modo, o PCdoB paulistano já enfrentou desafios até maiores, sempre merecedor da confiança de que sabe localizar os grandes embates da luta política e situar-se neles. O PCdoB paulistano foi forjado no ensinamento de que é nos desafios, na tempestuosa luta política de classes que os comunistas mostram quem são e de que fibra são feitos. Este é um momento que reclama, uma vez mais, essa compreensão.