Conversa.com: Olivia Rangel/ Esperança equilibrista — resistência feminina à ditadura militar no Brasil

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O Blog conversou com a grata amiga e companheira de décadas de militância comunista em São Paulo, Olívia Rangel.

Olívia é baiana arretada, seu companheiro é Bernardo Joffily e ambos vivem em Florianópolis. Olívia teve amplas atividades militantes ligadas à luta emancipacionista e de formação política marxista na Escola Nacional do PCdoB.

Ela terminou sua tese “Esperança equilibrista — resistência feminina à ditadura militar no Brasil”. O Blog foi conversar com ela.

Querida Olívia, você ultimou sua tese sobre participação feminina na resistência à ditadura militar no Brasil. Acho que a produção de algo assim é envolvente pessoal e historicamente. Como foi esse processo, quanto tempo você pesquisou? 

De fato, estou profundamente envolvida no projeto. E, inclusive, na apresentação falo sobre isso, debatendo a tal de “neutralidade” na pesquisa. Defendo a ideia de que a pesquisa não é neutra, sempre tem lado. E eu escolhi o dos oprimidos e, no caso, especialmente as mulheres, invisíveis em nossa história oficial. O trabalho demorou uns cinco anos para amadurecer…. Mas saiu.

Essa é uma história que redivive muitas personagens…. Qual foi tua experiência nos muitos contatos pessoais que o trabalho envolveu?

OR: Eu me dei conta que ao entrevistar estas mulheres contribuía para que elas enxergassem seu papel de protagonistas neste momento histórico. E algumas delas conseguiram falar sobre questões muito delicadas, como a tortura ou a discriminação entre os próprios companheiros. Creio forneci um acolhimento e um espaço para que elas pudessem dar voz a seus pensamentos e emoções.

Hoje (ou ontem?) é período de maior afirmação do papel político das mulheres, e teu trabalho reforça isso. Minha impressão, nessa imensa resistência que se ergueu em defesa da democracia, o papel das mulheres agigantou-se e superou o que podíamos chamar de “momento corporativo” da perspectiva de emancipação de gênero, para uma perspectiva diretamente política. Se eu tiver razão, é um passo e tanto. Que lhe parece?

Pois é. As mulheres têm assumido grande protagonismo nas lutas sociais. E penso que este período de governo democrático que vem desde Lula contribuiu para abrir as comportas. E as mulheres foram às ruas defender seus direitos. E também a democracia, contra o golpe que estamos sofrendo.

E mesmo assim, o Brasil tem baixo índice de mulheres na política. Essa luta é central, pois não?

É verdade. A eleição de Dilma representa um grande passo nesse sentido. Acho que no processo as mulheres vão se empoderando politicamente. Mobilizadas elas estão. Precisam avançar para que isso se reflita na luta política e parlamentar, na ocupação de cargos nos partidos, etc. Esta é hoje, penso eu, a principal questão que o movimento feminista precisa enfrentar.

 

Esperança equilibrista — resistência feminina à ditadura militar no Brasil

A memória de um período importante da história recente do Brasil – a ditadura militar, que vai de 31 de março de 1964, data do golpe, até 1985, com a eleição, ainda que indireta, de Tancredo Neves – ainda tem muitos fatos a serem recuperados. Como destacam os organizadores do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos políticos a partir de 1964, há várias formas de narrar a história de um país. Uma visão sempre esquecida, conhecida como a ótica dos vencidos, é aquela forjada pela prática dos movimentos sociais populares, nas suas lutas, no seu cotidiano, na sua resistência (1996: 25). A história oficial se depara com as dificuldades de ‘assimilar’ a de outros participantes, sobretudo daqueles que fizeram oposição ao regime de exceção, instaurado no país. Isso ocorre porque ela é feita pelas frações dominantes da burguesia, classe que jamais assume a ótica dos oprimidos, uma vez que tal postura significa sua negação e, por conseguinte, sua destruição.

Durante mais de 20 anos, esses atores e atrizes de nossa história não puderam revelar sua própria participação nem sua contribuição para os destinos do país. Foram transformados em vilões pela historiografia oficial da época.

Este trabalho pretende resgatar parte de um período da história do Brasil, a ditadura militar (1964-1985), sob a ótica dos oprimidos, em particular as múltiplas e criativas formas de participação feminina na resistência ao regime militar, tornando visível, com entrevistas e pesquisa bibliográfica, sua trajetória e sua contribuição à conquista da democracia.

Busca construir uma outra versão desse período de nossa história, reconstituindo a trajetória coletiva e individual de um grupo de mulheres. Pretende, dando voz a essas mulheres, contribuir para o resgate de seu desempenho como sujeito e agente desse momento da história social brasileira.

Esperança equilibrista

Resistência feminina à ditadura militar no Brasil

Autora: Olivia Rangel Joffily

Editora Insular – Florianópolis, SC

Valor: R$39,00

 

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