Em que tempos estamos vivendo?! (por Jorge Panzera)

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O gênio saiu da lâmpada com o golpe travestido de impeachment e o início de um governo ilegítimo. Na crise da vez, que derrubou o ministro Geddel, a gente presenciou de tudo, do descaramento de um ministro de Estado fazendo pressão para a liberação de uma obra irregular a ministro de Estado gravando conversa privativa com Presidente da República (aliás Presidente ilegítimo nem auxiliar respeita).

Com o pacto institucional rompido com o golpe travestido de impeachment, a política enlameada com os esquemas de financiamento apodrecido, com a política criminalizada, com o lobbysmo praticado por membros do ministério público, a pergunta que fica é qual o caminho para uma nova pactuação institucional no Brasil? Quem pode liderar esse caminho?

Certamente um governo ilegítimo e sem voto não tem autoridade para isso. É urgente um novo governo, lastreado pela soberania do voto popular. E por isso a convocação de novas eleições presidenciais é condição fundamental para a construção de um novo pacto institucional democrático no Brasil.

Fora disso nos resta o caminho da lei do mais forte, da assunção de um semi deus que nos libertará de todos os males, terreno fértil para a barbárie e para caminhos ditatoriais, sempre com novas feições…

Nossa responsabilidade é grande e a história embora não se repete, mas ensina. Em 64 muitos acharam que ia ser só uma intervenção pontual, um rompimento pontual do pacto institucional vigente, e que depois tudo voltaria a normalidade. Que em 66 teriam eleições presidenciais e a vida seguiriam. Muitos apoiaram o golpe achando que em 66 disputariam as eleições. O que ocorreu foi o contrário, nada de eleições e 21 anos de ditadura. Além disso, os que apoiaram o golpe foram todos cassados, Juscelino Kubitschek, Carlos Lacerda, Magalhães Pinto, Adhemarde Barros e tantos outros…

Jorge Panzera é presidente estadual do PCdoB e membro do Comitê Central do PCdoB