É preciso frieza para entender e estar no jogo – Parte I (por Ricardo Cappelli)

FOTO: DIDA SAMPAIO / ESTADÃO

Parte I

A recusa de Temer à renúncia foi de certa forma positiva. É preciso frieza e equilíbrio para ler o jogo em curso.

O movimento de ontem foi claro. O mercado pressionou fortemente por uma saída rápida. Apostou tudo nas reformas. O impacto das revelações e a reversão das expectativas foi fulminante. A Bolsa despencou. As empresas brasileiras perderam nada menos que 225 bilhões de reais. Suas ações despencaram. Um desastre.

A GLOBO desde cedo seguiu o mesmo caminho. Noblat e Moreno chegaram a anunciar a renúncia de Temer no Twitter. A pressão foi enorme. O objetivo era claro. Temer perdeu “funcionalidade”. Troca-se ele rapidamente num acordo por cima, sem povo, sem dar tempo para a indignação tomar as ruas. O caminho defendido por Globo/mercado é eleições Indiretas. Sabem que o programa que defendem não passa pelo escrutínio popular.

Com a recusa de Temer e o horizonte de grandes manifestações, o clamor por eleições diretas tende a aumentar e pressionar os deputados nesta direção. Abriu-se a possibilidade de incluir povo no jogo, tudo que eles não queriam.

Temer continuará seu calvário. Como sairá, o tempo dirá. Seu governo acabou. Apesar da derrota momentânea da agenda de reformas neoliberais, é precipitado comemorar. A delação da JBS explodiu Aécio e Temer. Um até pouco tempo era oposição. O outro, figura decorativa. É muito pouco provável que os próximos capítulos do Sr. Joesley não contaminem seriamente os demais partidos. Foi nos governos Lula e Dilma que a empresa viveu seu “boom”. Está em curso um processo avançado de metástase do sistema político brasileiro. Quem mais está se fortalecendo são setores da burocracia estatal de caráter antinacional. São eles que estão no comando. Nunca a negação da política e dos partidos foi tão grande. No vácuo da irracionalidade do impeachment, estes setores assumiram o leme para não largar mais.

A batalha central será esvaziar o poder destas corporações e devolvê-lo à política, através da radicalização da democracia com a convocação de eleições diretas. Necessitará muita amplitude e a superação da divisão sectária do país entre “coxinhas” e “mortadelas”. Todos que defendam “Eleições Diretas Já!” devem ser bem recebidos. Não será uma batalha fácil. O capitalismo atual não convive bem com povo e democracia.

Com determinação, luta e muita amplitude podemos ter alguma chance.

 

Ricardo Cappelli é ‎Secretário Chefe da Representação Institucional do Governo do Maranhão no Distrito Federal