Publicação Agropecuária: produção rural brasileira – Bovinos

A publicação Agropecuária no Brasil, uma síntese, de Evaristo de Miranda (sempre presente neste Blog) revela o imenso e diversificado universo da produção rural brasileira, e é muito útil aos que pensam um projeto nacional de desenvolvimento para nosso país.

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Publicação Agropecuária: produção rural brasileira – Bovinos

            Em 2016, o Brasil mantinha o 2° maior rebanho de bovinos no mundo, após a Índia. Na prática, é o maior rebanho comercial. Em 2016, o setor faturou US$ 5,5 bilhoes com as exportações de 1,4 milhão de toneladas (FIESP), após deixar de ser um grande exportador de carne para a Europa e diversificar o mercado externo. O efetivo de bovinos registrado pelo IBGE para 2015 foi de 215,2 milhoes de cabeças (cane e leite). O Centro-Oeste reúne 34% do rebanho bovino, seguido pelo Norte (22%), Sudeste (18%), Sul e Nordeste (13% cada). O abate anual de 30 milhões de bovinos, em 2015, produziu 9,5 milhões ton de carne e mais de 25 milhões de peles de bovino inteiras, tratadas e comercializadas pelos curtumes no mercado interno e externo. E o sebo bovino foi destinado à produção de biodisel. De mais de 1,3 milhão de propriedades rurais saíram 35 bilhões de litros de leite em 2015, avaliados em 34,7 bilhões. O suficiente para garantir um consumo de 170 litros/hab/ano. Os bovinos são o primeiro produto que mais contribui com o valor total da produção agropecuária (Embrapa).

            Os rebanhos bovinos – compostos por zebuínos em grande parte do Brasil e por taurinos, sobretudo no Sul – assim como os bubalinos e os equinos exploram pastagens naturais, manejadas e cultivadas. Isso dá ao Brasil um label (certificação) de produtor de boi verde, de pasto, não confinado. Ao contrário do rebanho brasileiro, cujo crescimento anual é de 1,5%, a área dedicada a pastagens vem caindo (menos 2 milhões ha/ano, em média). O aumento de produtividade de rebanhos e pastagens se deve às novas tecnologias de seleção e reprodução e ao manejo de pastagens e rebanhos. Em biomas com condições muito particulares de clima, solo e pastagens nativas, como Pampa, Caatinga e Pantanal, os rebanhos adaptaram-se progressivamente e se desenvolveram raças locais, enriquecidas pelo melhoramento genético. O mesmo ocorreu com os cavalos. São paisagens onde a vegetação enfrenta forte sazonalidade e as atividades humanas deram  origem a uma cultura regional, com variadas formas de expressão ligadas às características dos ecossistemas explorados. Na renovação anual das pastagens, o papel do inverno nos campos sulinos e da seca na Caatinga é cumprido pela inundação no Pantanal e, em parte, pela seca e fogo nos cerrados. Existem várias simetrias entre tais fenômenos, que exigem a translocação dos rebanhos, a busca dos lugares seguros e de pastagens adequadas. Há uma repartição geográfica de mitos, mais ou menos recorrentes, expressos por uma produçao literária, novelística e musical em que vaqueiro e gado são figuras centrais, além de festas e manifestações culturais e religiosas, como procissões de boiadeiros, missas de vaqueiros, maracatus, vaquejadas, cavalhadas, rodeios.

            A produção bovina do Brasil é um dos segmentos da agropecuárias que mais incorpora tecnologia, tanto na gestão e diversificação das pastagens como no manejo dos animais (Embrapa). A identificação correta dos animais do nascimento até a venda (rastreabilidade), a alimentação adequada, com suplemento de minerais orgânicos, o suporte nutricional pós-parto das vacas, a vacinação, o controle de parasitas e os cuidados são componentes essenciais da pecuária brasileira. Ainda assim, grandes desafios pairam sobre a atividade, e um dos maiores é o reconhecimento de todo território nacional como livre de febre aftosa.