Dia 15 de outubro – Educação ou barbárie? Por Emilia Fernandes

 

Hoje é um dia de reflexão, marcadamente assumido por todos nós educadores, em atitude de compromisso… uma trajetória de vida, conquistas, utopias, lutas, desrespeito, resistência, guerreiras e guerreiros de fé e do conhecimento – Dia das Professoras e dos Professores.

Para onde caminha a educação? Estamos num cenário crítico, desafiador e complexo. Porém, o hoje e o agora, não nos permite admitir que nada podemos fazer, para dar  um basta ao retrocesso.“Não podemos esperar que os demais façam a transformação da sociedade para começar a tarefa urgente e específica que nos corresponde, de transformar as instituições e os educadores do ensino público”. Michel Duclercq

Nossas vozes precisam ser ouvidas contra os defensores do capitalismo que tentam mascarar a realidade, jogando a culpa às crises periódicas do sistema, sem admitir que por si próprios, são os causadores da desigualdade, da pobreza, do adoecimento e da fome, da concentração de renda e de terras, do desemprego, do desmonte da democracia e da soberania nacional, do desemprego… Nossa força está em nossa unidade.

Educação não é mercadoria – Da competição neoliberal adotada como forma e expediente de vencer na vida a qualquer custo à educação como parâmetro de vitória e sabedoria de conquistas coletivas, há uma grande diferença que deve se expressar, onde certamente estarão em alta valores como a paz, a tolerância, a fraternidade, o respeito ao meio ambiente, a dignidade, a inovação científica, a qualidade de vida… superando a estreita visão do mérito e da recompensa. “Eu posso lhe dizer que a principal causa da pobreza é esse sistema econômico que retirou o ser humano do centro”. Papa Francisco

Educação: une povos, ultrapassa fronteiras –  “Vivemos uma realidade de mudanças que se evidencia em alguns países da América Latina, com a perda de espaços políticos, de conquistas de direitos e de avanços na efetivação da paz. O fortalecimento da democracia que vinha sendo implementado, foi profundamente atingido e desestabilizado. É cruel a retirada de direitos por conservadores que avançam, usando sua maioria no parlamento, a grande mídia e até  mesmo a cumplicidade do judiciário.

Acusações e denúncias com critérios políticos partidários se multiplicam, manipulação da opinião pública e a criminalização da política geram o descrédito das instituições, transformando o combate à corrupção, em verdadeira caçada individual, de ideias e de partidos que não se calam diante da opressão, do ódio, da perseguição e da intolerância e, defendem a democracia, a soberania nacional e os direitos da classe trabalhadora, em especial das mulheres e dos idosos.

Tempos incertos … tempos de ação e reação  – Da intolerância de gênero à educação emancipadora e libertadora, da educação branca elitista e segregadora à  universalidade plural, de todas as cores, de todos os sonhos… A conscientização é fundamental para o processo de organização social e transformação individual e coletiva. “Ninguém luta contra forças que não entende; ninguém transforma o que não conhece”, disse Paulo Freire.

A história nos exige atuação e reação, nos corresponde viver e agir contra todas formas de violência e opressão. Nossa responsabilidade

deve ser proporcionalmente grande à importância de nossa missão e princípios.“Precisamos ser protagonistas  de combate aos retrocessos, neste e em todos os tempos”, como fala o Papa Francisco.

Da fé e da utopia, à indiferença, à desvalorização e ao desrespeito. Até quando? “O que distingue um professor, entre outras profissões, é a autoria. Ele ensina o que é e não só o que sabe. Antes de perguntar-se o que ele deve saber para ensinar, ele deve perguntar-se como deve ser para ensinar. O que é ser autor? É ter autonomia, ser protagonista, ser um organizador da aprendizagem e não um mero lecionador. É posicionar-se, é ter opinião própria. Nosso valor é incontestável”. Moacir Gadotti.

Temos que buscar desde uma formação mais qualificada para os(as) professores(as),  a coragem de construir o novo e a paixão pelo que fazemos, como também maior respeito e melhor remuneração. Temos que, hoje mais do que nunca, propor um projeto educativo crítico, capaz de criar em nós e entre nós e, na sociedade,  a consciência libertadora cidadã. Uma escola, uma cultura, uma arte emancipadora, não alienante e preconceituosa.

Paulo Freire, Presente! Pela sua contribuição nacional e internacional em favor da educação, por suas reflexões, suas experiências e ensinamentos, seu estudos e publicações, cujo acervo é patrimônio brasileiro e da humanidade, ratificamos nosso reconhecimento como Patrono da Educação Brasileira. “Sonhas e serás livre de espírito… luta e serás livre na vida”.

 *Emilia Fernandes é pedagoga, professora aposentada da rede pública do Rio Grande do Sul, pós-graduada em Planejamento Educacional e presidenta do Fórum de Mulheres do Mercosul – Brasil

http://www.m.vermelho.org.br/noticia/emilia_fernandes_dia_15_de_outubro___educacao_ou_barbarie63/303106-1