Dança de cadeiras na indústria mundial

 

A United Nations Industrial Development Organization divulgou, recentemente, seu panorama anual sobre a indústria mundial com dados até 2016, que serão tratados na Carta IEDI de hoje. Em muito devido à eleição presidencial nos EUA e o BREXIT, bem como à reversão dos preços das commodities, o desempenho da indústria de transformação no mundo registrou uma ligeira desaceleração em 2016, crescendo 2,6% contra 2,8% em 2015.

O resultado de 2016 foi mais fraco do que o de 2015 tanto nas economias industrializadas como nas emergentes, devido à recuperação relativamente lenta da economia global. A expansão da produção de manufaturas nas economias industrializadas mal chegou 1% no ano passado, atingindo 2,5% nas economias industriais emergentes e em desenvolvimento exceto China.

A indústria chinesa, por sua vez, continua mantendo uma performance excepcional para os padrões internacionais. Em 2016, sua produção de manufaturas obteve alta de 6,7%.

Este tem sido, já há algum tempo, o perfil do crescimento da indústria mundial: países industrializados com baixo dinamismo e países emergentes com considerável expansão liderada pela China. Como resultado, temos testemunhado uma importante alteração na hierarquia entre os países na produção mundial da indústria de transformação.

Nos últimos dez anos, o ranking dos maiores parques industriais do mundo mudou consideravelmente. As indústrias dos EUA, Japão e Alemanha continuam no alto do ranking, mas a liderança, agora, cabe à China.

Entre 2005 e 2016, a participação chinesa no valor adicionado da indústria de transformação (VTI) mundial mais do que dobrou, passando de 11,66% para 24,36%. No caso das outras três potencias industrias, houve recuo acentuado, especialmente nos EUA (de 20,27% para 15,99%) e no Japão (11,02% para 8,73%). Alemanha conseguiu preservar um pouco mais sua participação, mas ainda assim declinou de 7,29% para 6,29%.

Neste mesmo período, outro emergente, a Índia, tornou-se a quinta maior produtora de manufaturas, ultrapassando países desenvolvidos, como Coréia do Sul, Itália, França, Reino Unido, além do Brasil. A participação da indústria indiana avançou de 2,0% para 3,44%.

E o Brasil?

O Brasil continua figurando entre as 10 maiores indústrias de transformação do mundo, mas está cada vez mais perto de deixar este seleto grupo. Entre 2005 e 2016, o país recuou duas posições no ranking mundial, passando da 7ª posição para a 9ª posição.

Na origem desse rebaixamento não está apenas o forte crescimento da produção industrial de outros países, notadamente da Coreia do Sul e da Índia que avançaram no ranking entre 2005 e 2016 (de 9º para 6º no primeiro caso e de 13º para 5º no segundo caso), mas também nas dificuldades enfrentadas pela própria indústria brasileira.

Ainda que a crise industrial de 2014-2016 tenha sido crucial para o regresso da participação do Brasil no valor adicionado da indústria mundial, que passou de 2,88% para apenas 1,84% entre 2005 e 2016, cabe lembrar que esta é uma evolução já vinha ocorrendo. Em 2010, por exemplo, a indústria brasileira representou 2,71% do total mundial, isto é, menos do que em 2005. Recuando ainda mais no tempo, o país chegou a representar 3,47% da indústria mundial em 1995.