Violência contra as mulheres cresce assustadoramente no governo Temer

“É assustador o aumento da violência contra as mulheres com os retrocessos do governo de Michel Temer, acabando com o emprego, com o combate às práticas violentas e com os direitos humanos”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Ela se refere aos dados do 11º Anuário divulgados nesta segunda-feira (30) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública sobre a violência no Brasil em 2016. “Vivemos uma guerra sem fim, principalmente nós mulheres que vemos todas as nossas conquistas serem tiradas com esse governo golpista”, complementa.

Pelo anuário, foram 61.619 mortes violentas intencionais em 2016 ou 168 assassinatos por dia ou ainda sete por hora, crescimento de 3,8%. Mesmo assim, os governantes cortaram 2,6% dos gastos com segurança pública, sendo o governo federal investiu 10,3% a menos.

Mais uma vez, são as mulheres que mais sofrem. Foram registrados 49.497 estupros em 2016, crescimento de 3,5% em relação a 2015,lembrando que pelas estimativas apenas 10% das vítimas denunciam esse tipo de crime no país.

“Tudo isso é fruto de enfraquecimento das políticas públicas de proteção às mulheres nesse governo constituído por homens, velhos e brancos”, reforça Arêas.
Além disso, foram assassinadas 4.657 mulheres no ano passado, um assassinato a cada duas horas. “E ainda o Senado aprova mudança na Lei Maria da Penha dificultando às vítimas o acesso mais rápido à proteção do Estado sempre que necessário”, acredita Aires Nascimento, secretária adjunta da Mulher Trabalhadora da CTB.

Arêas concorda com ela e refirma a necessidade de ampliação de proteção. “O governo acabou com a Secretaria de Políticas para as Mulheres e corta investimentos em políticas públicas que atendam às necessidades de um efetivo combate à violência”, diz.

Além disso, argumenta, grupos neonazistas atacam constantemente as mulheres e seus direitos, com uma certa complacência da mídia comercial”, diz.

Para reforçar o argumento, Nascimento lembra que o Senado faz consulta pública sobre projeto que defende a extinção do termo feminicídio do código penal. A Lei do Feminicídio foi sancionada pela ex-presidenta Dilma Rousseff em março de 2015.

“Em vez de acabar com as nossas conquistas, o governo deveria fortalecer as políticas de combate às agressões, como o Ligue 180 e casas de acolhimento, mais delegacias da mulher, enfim todas as políticas que conquistamos e estão nos tirando”, diz ela.

Acompanhe o anuário completo aqui

“O quadro é desolador. A violência cresce na proporção de crescimento da crise, do desemprego e do pouco caso com os direitos humanos e individuais”, afirma Arêas. Para ela, “é necessário mais investimentos em políticas de proteção e atendimento às vítimas de violências”.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy