Pré-candidata à presidência, Manuela D’Ávila vê eleição de 2018 ameaçada

Deputada diz que ministro Alexandre de Moraes estaria articulando facilitar mudança para sistema parlamentarista a partir de julgamento do próprio Supremo.
“Tem uma turma aprontando uma continuidade do golpe, discutindo parlamentarismo”, diz pré-candidata do PCdoB

A deputada estadual pelo PCdoB no Rio Grande do Sul Manuela D’Ávila considera que com sua pré-candidatura à presidência da República a esquerda não se divide, e sim amplia seu leque de alternativas. “Estamos unidos na ideia de construir saídas para a crise, e defendemos a unidade da esquerda”, disse, durante bate-papo via redes sociais nesta quinta-feira (22).

“Nossa ideia programática é baseada em duas questões. Primeira, é relacionada à retomada no crescimento econômico do Brasil. A eleição de 2018 é fundamental para que o Brasil saia da crise. Além disso, é necessária uma frente ampla. Essa frente é muito mais do que uma frente entre partidos. É uma frente com a sociedade, com os setores empresariais, com os que podem ser parceiros nessa retomada do crescimento.”

Embora se coloque como candidata, Manuela alertou para o fato de que as eleições de 2018 estão ameaçadas. “Tem uma turma aprontando uma continuidade do golpe, discutindo parlamentarismo. O ministro Alexandre de Moraes, aquele indicado pelo Temer, está construindo um debate sobre parlamentarismo que será a continuidade do golpe.”

Segundo informação da coluna “Painel”, do jornal Folha de S.Paulo, do último domingo (19), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, propôs a inclusão, na pauta de julgamentos da corte, de uma ação que discute se o Congresso pode ou não mudar o sistema de governo, independentemente de a população já ter decidido sobre isso no plebiscito de 1993. A ação que Moraes quer desengavetar está no tribunal desde 1997, segundo a Folha.

No bate-papo, Manuela D’Ávila respondeu questões dos internautas sobre temas como educação, reforma trabalhista, segurança pública e economia. “O golpe continua e está se aprofundando. A reforma trabalhista é uma prova disso.” Ela defendeu um referendo revogatório para anular a reforma. “A população não discutiu. Durante a eleição de 2014, ninguém votou num projeto que retirava direitos dos trabalhadores, que colocava mulher grávida a trabalhar em ambiente insalubre.”

Segundo ela, as mulheres ganham hoje 30% menos do que os homens e “são as mais expostas à crise econômica em função da diminuição do Estado”, política do atual governo. “A política educacional numa sociedade machista como a nossa também tem relação com a emancipação das mulheres”, afirmou.

Ódio e segurança pública

Em uma fala de pouco mais de 18 minutos, a deputada foi questionada sobre se sua campanha será agressiva, para responder os grupos que disseminam o ódio, e declarou que será propositiva. “Precisamos debater saídas da crise. Se ficarmos com as bandeiras de ódio, não vamos debater o que o povo precisa. A tática de organizar o ódio e fazer com que as candidaturas se posicionem a partir de pautas que nos separam não nos ajuda”, pontuou. “Essa turma que organiza o ódio, que faz com que o medo seja um agente central na politica, não tem propostas para tirar o Brasil da crise. O que essa turma pensa sobre economia? Não sabem. O que pensam sobre desenvolvimento e retomada da indústria? Não têm propostas.”

Ao comentar o tema segurança pública, sem mencionar o nome, falou do também pré-candidato e deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que defende colocar armas nas mãos da população. “Qual é a proposta que o outro tem para a segurança pública? Nenhuma, a não ser a ideia de que todo mundo tem que se armar para se defender.” Segundo ela, um candidato à presidência “tem que saber o que vai fazer para garantir que as pessoas vivam em paz”.

Manuela considera o centro de sua proposta para segurança púbica construir um pacto “pela paz” entre governo federal, governadores e prefeitos das principais cidades. Defende ainda a “remuneração justa e a valorização dos policiais militares”, além da reconstrução da legitimidade desses policiais a partir da fiscalização de seu trabalho. “Temos cinco ministérios na área da defesa, sejam os vinculados às forças (armadas), seja o gabinete de segurança institucional, mas não temos uma estrutura central de comando e de diálogo com os estados sobre segurança pública.”

Educação

Disse que a educação “é central na construção do desenvolvimento da retomada do crescimento” e que universidades e escolas técnicas “têm que estar sintonizadas com um projeto de desenvolvimento”. “(Leonel) Brizola já abordava a educação como principal ferramenta da diminuição da desigualdade social.”

Perguntada sobre a escola sem partido, afirmou que, “na verdade, é a escola de um partido único, daqueles que querem que as nossas crianças tenham apenas a sua ideologia, é uma escola com mordaça”.

Também questionada por um internauta sobre qual sua “visão” a respeito das drogas, disse: “Minha visão é que o brasil perde 40 mil jovens por ano na guerra (às drogas). Partilho da ideia do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que acredita que precisamos salvar esses jovens”, disse, referindo-se à defesa da descriminalização do uso como um dos pontos e partida para se enfrentar o narcotráfico.

Ela lembrou que a atual política de combate às drogas tem sacrificado sobretudo jovens negros no país e que as drogas prejudiciais não são apenas as ilícitas. “O Brasil fala pouco do papel das drogas lícitas, como é o caso do álcool, na construção de situações de violência.”

Sobre economia, Manuela criticou o chamado “tripé macroeconômico”. “Como um câmbio que não favorece a indústria nacional pode ser bom para o povo? Como uma taxa de juros que quebra a indústria pode ser boa pro povo?” Ela disse ainda que as politicas sociais que estão sendo desmontadas pelo governo “vão ser reconstruídas ou mantidas, porque esse governo golpista tem desconstruído conquistas importantes. Mas é preciso saídas novas”, ressalvou.

 

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