Novo ciclo demanda reposicionamentos e estratégias para a construção partidária

Está em curso uma mudança de fase na vida do país: o ciclo dos governo progressistas se esgotou e outro busca nascer, cujos contornos são ainda indefinidos. É preciso ser consequente com essa constatação. O Brasil e as conquistas sociais do povo estão em derrocada acelerada. Há como uma “contrarrevolução” em curso, que avança ferozmente contra tudo que se alcançou em longas décadas de luta, desde tópicos nascidos com o ciclo da modernização brasileira a partir dos anos 1930, e que abate todo o edifício político-social erigido com base na Constituição de 1988 ameaçado de implosão com crescentes violações do Estado democrático de direito.

A maré baixa subtrai perspectivas para a maioria da nação. Sobretudo para a esquerda, o melhor é considerar que se está apenas no fim do começo – o propósito último da ofensiva em curso é garroteá-la, pela tentativa de desmoralização, por processos judiciais facciosos e pela inadimplência

Nesse quadro, são necessários reposicionamentos na orientação política, nas relações com os trabalhadores e segmentos populares, na interação maior com as forças progressistas e democráticas e até mesmo forjar reconfigurações de caráter frentista e não partidistas para poder se apresentar como alternativa eleitoral. Continue lendo

A política de Defesa e o governo Temer (por Ronaldo Carmona)

O jornal Folha de São Paulo estampou como manchete principal no dia de ontem (13/01) e escreveu editorial no dia de hoje (14/01) sobre assunto pouco frequente em suas páginas: a Defesa Nacional (*).

A reportagem sugere um grande aumento dos gastos em Defesa em 2016, num notável exagero, como veremos. O que observamos ano passado, na verdade, pode ser melhor descrito como um recuperação parcial em relação a média dos gastos nos últimos anos em Defesa Nacional.

É um equívoco fazer a comparação tendo por base 2015, um ano absolutamente atípico, anômalo, em função de fatores maiores como a campanha para derrubar Dilma, as pauta-bombas de Cunha e a “mão de tesoura” de Joaquim Levy, que em seu conjunto comprimiram fortemente investimentos do governo federal.

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A cidade cinza do João trabalhador, cores e valores (por Toni C)

 

Já pensou um prefeito no Rio de Janeiro como um de seus primeiros atos, ordenar a retirada do Cristo alegando que a estátua está em desacordo com suas crenças religiosas? Pior, o próprio anticristo convertido em chefe da cidade, indo em pessoa dar fim ao Redentor de pedra sabão no alto do Morro do Corcovado? A cidade, o estado e o país não deixariam passar batido uma atrocidade dessas, concorda?

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Raduan Nassar, prêmio Camões 2016: Não há como ficar calado!

Às dez e meia da manhã desta sexta-feira 17, o escritor Raduan Nassar subiu ao palco montado no Museu Lasar Segall, em São Paulo, para receber o Prêmio Camões de 2016, honraria concedida pelos governos do Brasil e Portugal e um dos principais reconhecimentos da literatura em língua portuguesa. Nassar ofereceu à plateia o seguinte discurso:

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Dos movimentos modernizantes ao espírito novo: Arquitetura brasileira após a Semana de Arte Moderna (por Rodrigo Queiroz, Maria Luiza de Freitas)

O presente texto (publicado em 2012) se propõe a discutir a tomada de consciência do moderno

na arquitetura brasileira perpassando assim por episódios como a exposição de arquitetura da Semana de Arte Moderna de 1922, a Exposição Internacional Comemorativa do Centenário da Independência, as vindas do arquiteto franco-suíço Le Corbusier em 1929 e 1936 ao Brasil e os momentos que intercalam essas datas e constroem um complexo cenário. Continue lendo