Luta de classes em cenário pós-industrial, Por Mácio Pochmann

A passividade das ruas e a apatia dos brasileiros têm sido identificadas por acomodação das lutas de classe. A prevalência de um presidente tão impopular, envolvido por diversos escândalos de corrupção e impositor de reformas que mesmo rejeitadas avançam pela troca de votos parlamentares por privilégios das verbas e cargos públicos, não valida, contudo, tal compreensão.

Acontece que a convencional luta de classe consolidada pela antiga sociedade urbana e industrial sofre importantes mudanças diante da ascensão da sociedade de serviços. Pela tradicional classe trabalhadora industrial, a organização taylorista e fordista da produção implicou hierarquia e polarização entre os que mandavam e os que eram mandados. O trabalho material resultava em produção de algo concreto e palpável, indicando as razões de pertencimento e identidade de classe a partir da presença no próprio local de trabalho.

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Fracasso do sistema educacional e crise civilizatória, por Rita Coitinho

Hoje vou usar esse espaço para dizer algumas obviedades. Perdoe-me o leitor que espera de um portal de notícias as últimas novidades. Mas os tempos andam confusos – até meio bicudos, e isso não é um trocadilho com a triste figura do Direito – e vem sendo necessário repetir coisas já ditas, com a esperança de que isso possa ajudar a dissipar algumas nuvens que andam turvando o cenário nacional.
Refiro-me aos “escândalos” fabricados por um punhado de gente em razão de algumas exposições e performances artísticas. Criticados por irem contra a liberdade de expressão e de criação artística, os revoltosos – e até aqueles que não participaram das “ações”, mas querem emitir uma opinião “ponderada” – converteram-se em críticos instantâneos e passam agora à ofensiva: eles decidem, no grito, o que é ou não é “arte” ou o que é ou não é merecedor de ser exposto em um museu.
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Petrobras, uma história de sucesso, Davidson Magalhães

 

Hoje comemoramos uma grande data da história do Brasil. Registramos o momento em que tivemos a audácia de sonhar alto e de transformar nosso sonho em realidade. Bravos compatriotas haviam percebido que nosso país não seria verdadeiramente independente sem um pilar sólido de sustentáculo de sua soberania e sem um instrumento poderoso de seu desenvolvimento. Tiveram então a iniciativa desassombrada de mobilizar multidões, durante tempo prolongado, para fundar, há 64 anos, em 03 de outubro de 1953, a empresa que desde então nos orgulha e nos engrandece, a Petróleo Brasileiro S.A., a Petrobras.

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50 anos sem Che: um olhar sobre a América Latina – Por Mateus Fiorentini

Mais uma vez sinto sob os calcanhares
as costelas de Rocinante” (GUEVARA, 1965)

 

A epígrafe acima provém da carta enviada por Che Guevara a seus pais no ano de 1965, quando despedia-se de Cuba para lançar-se em mais uma jornada revolucionária do continente latino-americano. Como o mesmo Ernesto previra, aquela fora a última carta de despedida que o revolucionário argentino escreveria aos pais. No dia 08 de outubro de 1967 o exército boliviano, com suporte do governo norte-americano e da CIA, o capturam nas selvas deste país, executando-o no dia seguinte. Além de seu exemplo combatente e sua firmeza de princípios, Guevara deixou um conjunto de contribuições para o debate político, ideológico e teórico que vão além da perspectiva do foco guerrilheiro. Aludindo aos 50 anos da morte de Che, apresentar, ainda que de maneira simples e panorâmica, alguns aspectos desses aportes de Ernesto é o objetivo do presente texto.

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Por que o “novo” envelhece prematuramente. E a hipótese de um Benjamin Button eleitoral

O “novo para 2018” enfrenta, na primavera, um primeiro outono. Seu nome mais vistoso, João Doria, perde substância eleitoral. No front dos políticos, o establishment reagrupa-se contra o protagonismo do Judiciário. E a Lava-Jato segue, só que cada vez mais restrita ao plano operacional: as pessoas continuam sendo presas e processadas, mas o efeito político dilui-se.

Uma explicação é a progressiva mudança na correlação de forças. Quanto mais inimigos você decide ter, mais aumenta a dificuldade de derrotá-los todos de uma vez só. Por exemplo, desde o movimento da PGR contra o atual presidente da República, a “faxina” perdeu o apoio de quem a via apenas como útil instrumento para remover o governo Dilma Rousseff.
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