Por que o “novo” envelhece prematuramente. E a hipótese de um Benjamin Button eleitoral

O “novo para 2018” enfrenta, na primavera, um primeiro outono. Seu nome mais vistoso, João Doria, perde substância eleitoral. No front dos políticos, o establishment reagrupa-se contra o protagonismo do Judiciário. E a Lava-Jato segue, só que cada vez mais restrita ao plano operacional: as pessoas continuam sendo presas e processadas, mas o efeito político dilui-se.

Uma explicação é a progressiva mudança na correlação de forças. Quanto mais inimigos você decide ter, mais aumenta a dificuldade de derrotá-los todos de uma vez só. Por exemplo, desde o movimento da PGR contra o atual presidente da República, a “faxina” perdeu o apoio de quem a via apenas como útil instrumento para remover o governo Dilma Rousseff.
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A manipulação nas redes é a maior de todas as guerras, diz Silvio Meira

Para um dos mais respeitados pesquisadores do mundo digital, a interferência russa na campanha dos EUA é um efetivo ataque à democracia – e o Brasil não está a salvo de ações de agentes externos e internos

‘Hoje, há manuais de como construir cluster de pensamentos e de notícias falsas, ativar certos tipos de informação de redes sociais para se conectarem, se associarem, e, ao mesmo, para criticar qualquer posição contrária. Assim, é possível imaginar que a gente tenha no Brasil eleições de interesse de agentes externos e internos’
O paraibano Silvio Meira, 62 anos, é um dos pesquisadores mais influentes na área de tecnologia da informação e um dos pensadores mais atuantes no debate sobre democracia. Professor do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Escola de Direito do Rio da FGV, ele, nesta entrevista, volta as atenções para as redes sociais e as eleições, mais especificamente sobre a influência dos russos na campanha dos EUA —  e como o Brasil está desprotegido em relação a ações de agentes internos e externos.

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Reforma trabalhista no Brasil e no mundo: não estamos sós, por Clemente Ganz Lúcio

Estudo da OIT mostra impactos de reformas legislativas laborais e de mercado de trabalho realizadas em 110 países

Manifestação em Paris, na França, contra a nova lei do trabalho / Force Ouvrière

Com este artigo, inicio uma série de textos elaborados a partir de debates e palestras que realizei sobre a reforma trabalhista, buscando formas de sistematizar e contextualizar os problemas e enfrentar o desafio de pensar caminhos a serem trilhados pelo movimento sindical em cenário extremamente complicado.

Não é novidade que as dificuldades a serem enfrentadas são enormes. Contudo, a história nos autoriza a pensar que tudo muda o tempo todo; que no jogo social se disputa no presente as possibilidades de futuro; que alternativas se colocam e que tudo está sempre em aberto; que não há resultado definitivo, pois toda derrota pode ser revertida; um ônus pode se transformar em oportunidade; uma dificuldade pode mobilizar a criação de nova força de reação; há possibilidades de se caminhar para o inédito e o inesperado.

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Euclides da Cunha e Canudos: o povo irrompe na história

A obra mais popular e, com justiça, mais importante escrita por um estudioso da história do Brasil no início do século 20 foi Os Sertões, de Euclides da Cunha, que faz um relato humano, científico e dramático da luta popular dirigida por Antonio Conselheiro em Canudos, no interior da Bahia.
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