Temer e o projeto de subdesenvolvimento, por Julio de Oliveira Silva

 

inserção internacional da economia brasileira sofreu um grave revés nos últimos sete anos. O retrocesso marca um movimento em direção ao que alguns consideram a vocação natural do País, o extrativismo de caráter imediatista e a alienação patrimonial, em um concerto de interesses estrangeiros e desinteresses nacionais.

O compromisso das forças políticas atuais com o atraso, não apenas na economia, denota a intenção explícita em reverter o pacto social civilizatório duramente obtido em 1988. Trata-se agora, e ninguém no governo disfarça, de desfigurar a Constituição Federal e desamparar a população. Os mais ambiciosos se perguntam se não seria o caso de levar a reversão do processo histórico, inclusivo e popular, não apenas a 1988, mas a antes dos anos 1930, ao fim da Era Vargas, que produziu tudo o que caracteriza o Brasil como um país respeitável. Continue lendo

Nós que nos amávamos tanto, por Carlos Pompe

Este 2009 registra, no dia 18 de outubro, os 30 anos (**) de início da publicação do quinzenário, depois semanário, Tribuna da Luta Operária, que chegou a imprimir edições de 30 mil exemplares e circulou por nove anos consecutivos. Respirava-se uma pequena brisa de democracia.

As eleições não se davam em regime de liberdade de opinião. Presos políticos continuavam encarcerados, oposicionistas eram mantidos exilados ou forçados à atuação clandestina no país. Mas tentou-se a publicação de um jornal socialista, de cunho marxista. Pode-se impedir a liberdade, mas “a liberdade não morre onde restar uma folha de papel para decretá-la”, escreveu Machado de Assis. Continue lendo

Nova direita conservadora não é burra, por Rosana Pinheiro-Machado

Em um artigo importante para entender a atual investida da extrema-direita neoconvervadora, a cientista social, antropóloga e professora do departamento de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Oxford, Rosana Pinheiro-Machado (foto), defende que a inteligência e a artimanha da direita está sendo construída para redefinir a verdade histórica do processo civilizatório desde o iluminismo. Assim também acontece com agentes do Estado Brasileiro.

Para ela, é um erro achar que os neoconservadores que pedem “escola sem partido”, atacam obras de arte e outras agressões que beira à estupidez, sejam burros. “Os novos movimentos conservadores, com formação liberal, sabem muito bem que não havia nada de pedofilia nas exposições”, diz. Eles agem para destruir a democracia, para transformar a construção histórica e civilizatória. O artigo é longo, mas vale cada parágrafo. Continue lendo

Um golpe sem futuro, por Fernando Rosa

Em abril de 2016, artigo de Felipe Camarão – “O fim do mundo unipolar” , alertava que “avizinha-se o fim dos escombros dos acordos de Bretton Woods que regulavam as relações econômicas e financeiras entre as principais potencias”. O artigo apontava algumas das principais causas, como a quebra da paridade entre o dólar e o ouro que converteu o dólar em moeda mundial, e a fúria neoliberal de Reagan e Thatcher, que liberaram a brutal especulação do capital financeiro. E, como consequência, uma imensa desindustrialização dos países centrais agravada, em 2008, com a quebradeira de instituições financeiras, particularmente nos EUA e Europa. Continue lendo

Tribuna da Luta Operária, o jornal da luta contra a ditadura, por José Carlos Ruy

 

O periódico dos comunistas foi lançado na conjuntura da crise e superação da ditadura militar de 1964.

O ano era 1979. A Lei de Anistia da ditadura acabara de ser promulgada (lei n° 6.683, de 28/08/1979), os exilados voltavam para o Brasil, ou se preparavam para fazê-lo.

A imprensa popular, na época, tinha jornais de frente ampla, como Movimento, e outros, formados por frentes democráticas e de oposição à ditadura. Continue lendo