Marxismo: A constituição do proletariado em classe no Manifesto do Partido Comunista (por Armando Boito Jr.)

Neste artigo, publicado originalmente na revista Crítica Marxista, o professor Armando Boito busca resgatar a concepção dos fundadores do socialismo científico sobre a formação do proletariado enquanto classe. Um caminho que exige, segundo o autor, o rompimento com visões economicistas e deterministas da história. Escreve ele: “O processo de constituição do proletariado em classe é apresentado no Manifesto como um processo irregular, cumulativo mas reversível e, também, marcado por rupturas e saltos de qualidade. É apresentado, também, como um processo bifronte. Continue lendo

A Chacina da Lapa e nossas vidas (por Walter Sorrentino)

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Eu iria ao sexto e último ano de Medicina, na USP/Ribeirão Preto. Em 1976 tínhamos alcançado grandes vitórias políticas. Eu presidia o Centro Acadêmico Rocha Lima e nos preparávamos para relançar o DCE da USP, fechado pela ditadura. Fizemos a sucessão em meio a grandes disputas, pois lá atuavam, além da direita, a Libelu e a Refazendo além de nós, a Caminhando, pelo PCdoB. Eu participara diretamente da elaboração do documento da Caminhando, um autêntico programa revolucionário – curioso que fosse para o ME. A eleição anterior fora renhida, onde disputei com Sócrates Brasileiro, nesta ocasião pela direita, e Joel Machado, que viria a ser futuro presidente municipal do PT, já falecido.

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Max Altman, in memorian

Morreu um homem de bem e de lutas: Max Altman. Meu respeito e admiração por ele sempre foram muito grandes.

maxAqui vai a mensagem do seu filho, Breno Altman:

“MORREU MAX ALTMAN, MEU PAI

Nessa segunda-feira, dia 19 de dezembro, às 21h15, faleceu um militante internacionalista de toda a vida. Um homem que dedicou sua existência à luta pelo socialismo, à revolução proletária e à solidariedade anti-imperialista.

Aos onze anos, filho de um revolucionário polonês de origem judaica, integrou-se ao Partido Comunista, com o qual romperia em 1984, para se juntar ao Partido dos Trabalhadores.

Advogado, editor e jornalista, forjou sua biografia com destemor. De rara cultura e hábitos simples, teve um só lado desde muito jovem: o do movimento de libertação dos trabalhadores.

Era um filho da revolução de outubro. Da resistência contra a ditadura à defesa dos governos petistas, sempre esteve nas primeiras fileiras de combate.

Não hesitou jamais na oposição aberta ao sionismo, na solidariedade incondicional com a revolução cubana e no apoio incansável aos governos progressistas da América Latina, particularmente à revolução venezuelana.

Foi um grande pai, meu e de meus irmãos, Fabio Altman e Rogerio Altman.

Um avô terno e atencioso para nossos filhos, seus netos.

Um companheiro dedicado às duas mulheres que amou, minha mãe Raquel e sua esposa atual, Liria Pereira.

Um camarada de seus camaradas.

Nunca esqueceremos os valores que sempre nos ensinou e a todos que nos cercavam: a valentia, a lealdade, a coerência, a honestidade, a abnegação, o compromisso com o conhecimento e o trabalho, a dedicação ilimitada à luta dos povos.

Há um mês foi diagnosticado com tumor cerebral, do tipo mais agressivo, dez anos depois de ter se curado de uma leucemia.

Morreu aos 79 anos, ao som de Les Amants de Paris, cantada por Edith Piaf, assistido por minha companheira, Flávia Toscano, que testemunhou o último suspiro desse homem inesquecível.

Seu velório será aberto às 15h dessa terça-feira, dia 20 de dezembro, e ocorrerá na Casa do Povo (rua Três Rios 252, Bom Retiro, São Paulo, perto da estação Tiradentes do metrô).

Às 19h30, no mesmo local, haverá homenagem de seus amigos e camaradas, como corresponde à boa e velha tradição comunista.

Às 21h30 seu corpo será trasladado para o Cemitério de Vila Alpina, onde será cremado.

Suas cinzas, conforme seu desejo expresso, serão jogadas sobre a mureta do Malecón, em Havana, capital da Cuba socialista.”

Os comunistas na Constituinte de 1946

Em poucos dias será lançado, pela Editora Anita Garibaldi, o livro “Os Comunistas na Constituinte de 1946”, do professor José Carlos Ruy.

No tempo em que assistimos a tentativa de corrosão dos direitos sociais conquistados na Constituição de 88, torna-se ainda mais oportuna a reflexão, que no dizer de Haroldo Lima, que faz o prefácio, “o livro, não só registra o desempenho da bancada do Partido Comunista do Brasil naquela Constituinte, como dá elementos importantes sobre a evolução das constituições brasileiras, desde a de 1823, logo após a Independência, até a de 1946, a penúltima que tivemos, votadas por assembleias constituintes.” E segue afirmando que “ è muito interessante apreciar como avançou o tratamento de temas determinados no curso desse processo.”

 O José Carlos Ruy é um intelectual brilhante e profundo nas análises de tudo que faz. Achamos oportuno antecipar a publicação no Blog do prefácio do seu livro que vem assinado por um ex-deputado constituinte de 1988, Haroldo Lima.

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A editora Anita Garibaldi lançará o livro Os comunistas na Constituinte de 1946, do jornalista e escritor José Carlos Ruy. No prefácio que o Portal Vermelho publica abaixo, o ex-deputado constituinte de 1988 Haroldo Lima afirma que o livro “traça, em grandes linhas, a evolução constitucional havida no Brasil, o sentido de desenvolvimento dos grandes temas, as tendências que tomavam corpo.

Prefácio

Por Haroldo Lima

José Carlos Ruy

O livro Os comunistas na Constituinte de 1946, do escritor, historiador e calejado pesquisador José Carlos Ruy, centra sua atenção na análise daquele marco da vida democrática brasileira. Algumas obras já se detiveram sobre este tema, até ex-constituintes escreveram sobre o mesmo. Mas José Carlos Ruy examina nesse livro a participação de uma determinada bancada naquela Assembleia, a do Partido Comunista do Brasil, que usava na época a sigla PCB, e que foi a quarta maior representação parlamentar das nove que atuaram na Constituinte de 1946.

Todavia, José Carlos Ruy contextualiza esse tema com tal amplitude, e com tanta acuidade, que situa elementos para uma teoria da constitucionalização do Brasil, por isso se entendendo a compreensão do macroprocesso que começa com a primeira Constituição brasileira, a de 1823, e vai até a última, a que está em vigor, a de 1988.

Nesse longo período – 165 anos – a constitucionalização da vida dos brasileiros passou por cinco momentos marcantes, que correspondem às cinco assembleias constituintes realizadas – as de 1823, 1891, 1934, 1946 e 1987/88. Ditas assembleias promulgaram quatro textos constitucionais, aos quais se somaram, como lembra Ruy, mais três outorgados, os de 1824, 1937 e o de 1967.

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