A crise da educação no Brasil não é uma crise; é projeto (por Roberto Amaral)

A frase de Darcy Ribeiro que titula este artigo sintetiza o governo que nos assola desde o golpe do impeachment: a dita crise, criada de fora para dentro, é um projeto de desconstrução, com início, meio e fim, que percorre todos os vãos da vida nacional, mas se concentra na inviabilização do futuro do país, cortando de vez as possibilidades objetivas de retomada do desenvolvimento, pois todas elas dependem de ensino, pesquisa e tecnologia, o alvos mais frágeis.

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Assine também em favor de nossa Amazônia!

Acabei de participar da campanha em defesa da nossa Amazonia contra a pretenção de uma empresa americana que tenta registrar com exclusividade o domínio .AMAZON na internet.

Precisamos de milhares de assinaturas. Faça sua parte, assine a petição e divulgue o site da campanha www.nossaamazonia.org.br.

Para entender a luta veja mais detalhes:

A multinacional Amazon.com, empresa norte-americana de vendas online, pediu o registro do domínio .AMAZON na rede mundial de computadores. O pedido foi feito à ICANN, sigla em inglês para Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números, responsável pela coordenação global do sistema de identificadores exclusivos da Internet, entre eles endereços numéricos e os respectivos nomes de domínio.

Caso seja aprovado, o domínio será exclusivo da empresa, privando interesses de brasileiros, peruanos, bolivianos e demais países que compõem a Amazônia Global, do direito de registrar na Internet qualquer site cujo nome termine em .AMAZON. Na prática, significa que uma organização dos países da Amazônia Global só conseguirá registrar um site com o final .AMAZON se tiver autorização prévia da empresa Amazon Inc, Endereços como “www.manaus.amazon”, “www.river.amazon”, “www.acai.amazon”, “www.ianomani.amazon”. Emfim, “www.qualquercoisa.amazon” seriam exclusivos da empresa detentora deste domínio de primeiro nível. E mais, fizeram o pedido do registro em várias línguas. Isso é muito grave!

É grave porque interesses exclusivos não podem estar acima das várias nações; o registro de um domínio genérico que faz referência à região Amazônica não deve estar atrelado exclusivamente a interesses comerciais. Defendemos o não registro exclusivo do nome. Ao permanecer como está, a empresa continua tendo o domínio atual Amazon.com, sem prejudicar os países da região amazônica.

Os países representantes da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) – Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Equador, Guianas e Suriname – já protocolaram formalmente um pedido à ICANN para que retire da sua lista a solicitação da empresa norte-americana. Ainda sem resposta, mas não por muito tempo. A instância da ICANN que está discutindo o assunto terá uma reunião em julho para definir essa questão.

O Comitê Gestor de Internet – CGI está engajado no tema; editou em abril passado, a Resolução de Contestação à solicitação de domínio de topo .AMAZON, que foi encaminhado à ICANN. O CGI é o órgão brasileiro composto por sociedade civil (empresas, terceiro setor e academia) e o governo com objetivo de coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços Internet no país, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços.

Porém, defensores da Amazon Inc alegam que a população da região amazônica não está envolvida na discussão e não tem posição quanto ao .AMAZON ficar submetido aos interesses exclusivos de uma empresa norte-americana.

Não podemos assistir de braços cruzados que essa única empresa detenha na rede mundial de computadores a marca AMAZON. A meta é coletar um milhão de assinaturas, que serão entregues na próxima reunião da ICANN, em julho , na cidade de Durban (África do Sul).

A hora é agora! Defendemos que o pedido de registro do domínio .AMAZON seja negado pela ICANN.

Assine também em favor de nossa Amazônia acesse o link www.nossaamazonia.org.br.

Biodiversa: Novo etanol sairá do solo amazônico

Biodiversa é um dos blogs que mais me chamam a atenção, pela qualidade do jornalismo e pesquisa científicos. É da Liana John é jornalista ambiental. Escreve sobre conservação, mudanças climáticas, ciência e uso racional de recursos naturais há quase 30 anos, nas principais revistas e jornais do país. Ao somar entrevistas e observações, constatou o quanto somos todos dependentes da biodiversidade. Mesmo o mais urbano dos habitantes das grandes metrópoles tem alguma espécie nativa em sua rotina diária, seja como fonte de alimento ou bem-estar, seja como inspiração ou base para novas tecnologias. É disso que trata esse blog: de como a biodiversidade entra na sua vida. E como suas opções, eventualmente, protegem a biodiversidade. É uma Leitura realmente Recomendada. Veja em http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/biodiversa/novo-etanol-saira-do-solo-amazonico/

Novo etanol sairá do solo amazônico, a matéria, indica mais um passo para a condição do Brasil como potência energética “limpa”. Como se sabe, essa é uma condição estratégica ao novo projeto nacional de desenvolvimento.

Não, ninguém está advogando a substituição de florestas por canaviais. O assunto aqui é etanol de segunda geração e o que virá do solo amazônico para as usinas são microrganismos capazes de digerir a parte mais ‘dura’ das plantas, ou seja,celulosehemicelulose lignina. Assim, uma gama bem mais ampla de plantas poderá ser transformada em etanol, aumentando a sustentabilidade da matriz energética, sobretudo no setor de transportes.

A pesquisa já está em andamento na Embrapa Agroenergia, unidade localizada em Brasília e criada há apenas 5 anos (2006). Lá, a bióloga Betânia Ferraz Quirino, com doutorado e pós-doutorado em Biologia Molecular pela Universidade de Wisconsin (EUA) é responsável pela busca dos microrganismos mais eficientes para a difícil missão. “Na serapilheira da Floresta Amazônica há muitas folhas, que são degradadas e recicladas por bactériasfungos e diversos outros microrganismos. Ou seja, ali, há milhões de anos, a natureza já está fazendo a seleção que presumivelmente nos interessa para uma aplicação industrial”, diz a pesquisadora.

A celulose é o principal constituinte das paredes celulares das plantas. É um polímero ‘imenso’ para os padrões celulares, porém composto somente de glicose, que é o que interessa na produção de etanol. As hemiceluloses também são polímeros, de composições variadas, que se intercalam na celulose e têm a função de garantir a elasticidade. Já as moléculas de lignina conferem rigidez, impermeabilidade e resistência ao conjunto.

As três juntas são “praticamente um cristal”, compara Betânia Quirino. “E nosso principal problema é despolimerizar esse ‘cristal’ para liberar a glicose e conseguir o substrato do qual obteremos o etanol de segunda geração”. Uma das vantagens desse etanol sobre o de primeira geração é o fato de ser produzido a partir de qualquer planta – como capimcascas de arrozpalha de milho ou outros resíduos agrícolas – e não apenas a partir de cana-de-açúcar.

O processo todo tem fases biológicas, térmicas e químicas. Bactérias, leveduras e outros microrganismos não dão conta de tudo, mas têm uma participação crucial na quebra do trio ‘duro de digerir’ (celulose, hemicelulose e lignina). E isso elas fazem com enzimas, sendo que cada espécie de microorganismo produz enzimas muito específicas para determinadas funções e com exigências muito especiais de temperatura, acidez, presença ou não de oxigênio e outros quesitos.

Em lugar de testar bactéria por bactéria das amostras de solo amazônico até encontrar aquela que produz as enzimas certas, a pesquisadora da Embrapa Agroenergia recorre a um atalho tecnológico conhecido como Metagenômica. Ela faz, digamos, um ‘caldo’ de DNA das dezenas de espécies de bactérias presentes em cada amostra de solo e testa o conjunto em ensaios funcionais. “Trabalho em parceria com engenheiros químicos e eles me trazem as demandas, como enzimas que resistam a altas temperaturas ou a ambientes com baixo pH”, explica. “O que orienta nossa busca é a expressão de cada enzima e não a identidade da bactéria”.

Uma vez identificadas as enzimas eficientes para executar as tarefas necessárias, elas são clonadas e multiplicadas, de modo a viabilizar o uso industrial. “Já temos um portfólio de enzimas para atender às exigências do processo de produção do etanol de segunda geração. Mas ainda precisamos fazer dessas enzimas um insumo, combinando-as com enzimas de fungos, num ‘coquetel’ capaz de funcionar a contento e a um preço competitivo”, acrescenta Betânia. Segundo ela, isso vai ajudar também a reduzir os químicos, contribuindo, mais uma vez, para a sustentabilidade
de todo o processo.

A pesquisa metagenômica conta com recursos da própria Embrapa, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF). A mestranda Ohana Costa faz parte da equipe de Betânia na Embrapa e ela ainda trabalha em parceria com especialistas da Universidade de Brasília, como a bióloga molecular Eliane Noronha e o microbiologista Ricardo Kruger, e da Universidade Católica de Brasília, como a microbiologista Cristine Barreto e a doutoranda Jéssica Bergmann.

Com tanta gente high tech de olho nos produtos do solo amazônico, a receita do caldo de enzimas promete ser das mais digestivas!

Foto: Liana John (serapilheira em Alta Floresta – MT)




AMAZONIDADE, por José Varella

Já foi publicado no excelente sítio da Fundação Maurício Grabois. Mas não resisto a postá-lo para compartir com os leitores do blog este lindo poema. É do amigo José Varella, o cabocomarajoara, um historiador que encanta a todos que o conhecem. Ele faz pela preservação da cultura marajoara e brasileira coisas que nem as instituições nacionais fazem.

AMAZONIDADE

Coração pulsante da América do Sol
Cerca da cidade sagrada de Cusco
Nasce o maior rio do mundo para banhar a Amazônia.

O Rio
Apenas rio-cosmo sem mais nem menos
Como o chamava a mais antiga gente da Amazônia.

O Rio corre a galope cordilheira abaixo
E se despenca inventando mitos e ‘pongos’ agitados
Então se chama Marañon na terra peruana da Amazônia.

Embora o Peru lhe seja parteiro da geografia
Na história foi o Equador que lhe serviu de berço
Orellana inventando lenda das guerreiras da Amazônia.

Espumando saliva dos pedrais andinos
O Rio amansa o curso na solidão barrenta do Solimões
Onde Brasil e Colômbia se ajuntam na profunda Amazônia.

A Venezuela pelo Cassiquiare manda águas do Orenoco
Inventar no Rio Negro as Guianas e a Bolívia não se esquece
Do Madeira e do Tapajós que com o Trombetas fazem a Amazônia.

Rio-mar ‘Pará-Uaçu’ dos bravos tupinambás da Terra sem Mal
Grão-Pará seiva da Floresta Amazônica, Arte primeva Marajoara
Tesouro do Brasil caboco filho gentil da rubroverde Amazônia.

Jose Varella

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