A despesa do governo com juros foi responsável por 81% do déficit fiscal (por Amir Khair)

A Economia no fim de 2016 (3):

Recomendo a leitura de quatro diferentes autores e diferentes perspectivas, mas que julgo de algum modo convergentes em preocupações. Aqui segue a nossa terceira publicação Continue lendo

A quem serve o Banco Central? , por Paulo Kliass

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A literatura é vasta em retratar e discutir o funcionamento das agências reguladoras em sua missão institucional no mundo contemporâneo. Esse modelo de organização das novas funções do Estado consolidou-se, em especial, no período posterior ao processo generalizado de privatização das empresas estatais. Em quase todos os países que optaram por esse processo de transferência do patrimônio público ao setor privado, a figura da agência reguladora se consolidou como alternativa de regulamentação, fiscalização e controle de áreas sensíveis do ponto de vista político, econômico e social.
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O Brasil, o Japão e o estímulo ao crescimento econômico, por Mauro Santayana

Procura-se sabotar, por aqui, a capacidade de intervenção do Estado – justamente em um momento em que nações como o Japão fazem exatamente o contrário.

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O Japão, terceira maior economia do planeta, e um pais considerado desenvolvido em quase todos os aspectos – apesar de ter uma dívida bruta com relação ao PIB mais de três vezes maior que a nossa – acaba de lançar um pacote de estímulo de 274 bilhões de dólares, para apoiar o crescimento econômico, incluindo empréstimos a juro zero para obras de infraestrutura.

 Enquanto isso, no Brasil, o Banco Central continua mantendo o pacote de estímulo aos bancos, com juros pornográficos da taxa SELIC na casa dos 14,5%, retirando dinheiro da economia real para dar boa vida a rentistas e especuladores.

 Além disso, pretende-se também diminuir, no lugar de aumentar, o financiamento à atividade real, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que ainda corre o risco de ter que enviar 100 bilhões de reais ao Tesouro, restringindo sua capacidade de estimular obras e empresas, e move-se contra esse banco uma sórdida, mentirosa, campanha fascista nos meios de comunicação e redes sociais apesar de ele ter dado sempre lucro acima de 6 bilhões de reais a cada 12 meses, nos últimos anos.

 Procura-se sabotar e inviabilizar, por aqui, a capacidade de intervenção e mobilização do Estado – que detêm mais de um trilhão de reais em reservas internacionais – justamente em um momento em que as nações mais importantes do mundo fazem, como o Japão, exatamente o contrário.

Estamos a ponto de votar, no Congresso, um teto obrigatório para os gastos do governo – que acaba de aprovar um generosíssimo “pacote” de aumento de salários – mesmo quando nosso grau de endividamento é menor do que o da maioria dos países desenvolvidos.

 Isso, em um momento em que os juros estão negativos na maioria dessas nações, como é o caso da zona do Euro, como uma tentativa de resposta lógica, eficaz, potencialmente mais inteligente, a uma crise que, como se pode ver, não é só nossa, e que afeta neste momento – ao contrário do que por aqui querem fazer acreditar aos “trouxas” – a maior parte dos países do mundo.

 

A quem serve o Banco Central? (Paul Kliass)

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Na segunda-feira, dia 27 de junho, o Banco Central divulgou a sua tradicional Nota à Imprensa versando sobre Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro. Uma vez por mês a instituição, que é oficialmente encarregada pela implementação da política monetária e pela regulação do sistema financeiro, vem a público oferecer as informações oficiais a respeito do comportamento desse importante setor de nossa economia.

Há todo um cerimonial envolvido nas diferentes ocasiões em que o órgão subordinado ao Ministério da Fazenda pretende anunciar algum tipo de decisão ou comunicado. Isso vale especialmente para as reuniões do Conselho de Política Monetária (COPOM), quando a diretoria do BC decide a respeito do patamar da taxa oficial de juros, a SELIC. O mesmo ocorre quando da divulgação da famosa Ata da Reunião desse mesmo encontro do COPOM, em que se pretende indicar tendências futuras quanto à política monetária e no que se refere ao comportamento esperado da taxa. Continue lendo

O terror econômico na convergência monetária e fiscal – Meirelles e Ilan Goldfajn

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José Carlos de Assis*

A política econômica do PT se caracterizava por uma espécie de jogo de contrapesos  pelo qual o Banco Central exercia forte ação contracionista, derrubando a economia, enquanto a política fiscal era ora era contracionista, ora expansiva, produzindo crescimento medíocre. A exceção foi 2009 e 2010, de grande expansão fiscal, confrontando com total sucesso a crise mundial. Nos demais anos dos 12 do PT – os últimos dois foram contraídos pela Lava Jato e o ajuste Levy -, fizemos belas políticas sociais e políticas econômicas quase sempre destrutivas. Continue lendo