Além das aparências: A crise e a resistência persistem

Um copo com água pela metade pode estar meio vazio ou meio cheio, depende da perspectiva do observador. O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2017 cresceu 0,2% na comparação com o primeiro trimestre. Em termos práticos, a variação não significa nada. Do ponto de vista estatístico/comparativo, revela que a atividade econômica parou de cair e deu leve sinal de recuperação.

Mas essa não é a única maneira de se ver o ‘copo’. Se a comparação for feita entre os últimos 12 meses (de julho de 2016 a junho de 2017) a 12 meses anteriores (de julho de 2015 a junho de 2016), o PIB apresenta queda de 1,4%. Outro ponto de vista utilizado é a comparação entre o primeiro semestre de 2017 com o mesmo período de 2016: nessa comparação, o PIB não sofreu variação (0,00%). Continue lendo

Esquerda deveria ressignificar nacionalismo brasileiro, por Almir Felitte

“Para os Estados Unidos sai mais barato o ferro que recebem do Brasil ou da Venezuela do que o ferro que extraem de seu próprio subsolo.”

O trecho poderia pertencer a qualquer jornal brasileiro da atualidade, mas foi retirado da antológica obra de Eduardo Galeano, “As Veias Abertas da América Latina”, clássico publicado em 1971.

O uruguaio segue, em sua análise, lembrando a trágica queda de Getúlio Vargas, o qual escolhera desrespeitar a imposição americana firmada em acordo militar que proibia o Brasil de vender matérias-primas estratégicas para países socialistas, vendendo ferro para a Polônia e a Tchecoslováquia a preços mais altos que os que conseguia com os EUA em 53 e 54. Continue lendo

O Brasil no fundo do poço, por Marcos Coimbra

O retrato do Brasil que emerge das pesquisas quantitativas é ruim. Mas o que vem das pesquisas qualitativas é pior. Pelo que vemos através delas, a alma brasileira nunca esteve em momento mais negativo.

É impossível falar do passado longínquo, mas, nos tempos modernos, é a primeira vez que temos tanto desânimo, desconfiança e desesperança. Talvez exista quem esteja satisfeito e otimista, mas é difícil encontrá-los. A quase totalidade da população não está assim. Continue lendo

A manipulação nas redes é a maior de todas as guerras, diz Silvio Meira

Para um dos mais respeitados pesquisadores do mundo digital, a interferência russa na campanha dos EUA é um efetivo ataque à democracia – e o Brasil não está a salvo de ações de agentes externos e internos

‘Hoje, há manuais de como construir cluster de pensamentos e de notícias falsas, ativar certos tipos de informação de redes sociais para se conectarem, se associarem, e, ao mesmo, para criticar qualquer posição contrária. Assim, é possível imaginar que a gente tenha no Brasil eleições de interesse de agentes externos e internos’
O paraibano Silvio Meira, 62 anos, é um dos pesquisadores mais influentes na área de tecnologia da informação e um dos pensadores mais atuantes no debate sobre democracia. Professor do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Escola de Direito do Rio da FGV, ele, nesta entrevista, volta as atenções para as redes sociais e as eleições, mais especificamente sobre a influência dos russos na campanha dos EUA —  e como o Brasil está desprotegido em relação a ações de agentes internos e externos.

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