IX Cúpula dos BRICS

Entre 3 e 5 de setembro ocorreu em Xiamen, China, a IX Cúpula dos BRICS, reunindo os governos de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Diversos temas de caráter estratégico para o Brasil foram discutidos. Posto aqui interessante abordagem de Luciano Luiz Goulart Silva Dias, Major do Exército Brasileiro e Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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O “novo projeto” proposto pelo PCdoB converge com os “novos caminhos” defendidos por Xi Jinping (por Haroldo Lima)

Ao abrir a Cúpula dos Brics, em 3 de setembro passado, o presidente chinês Xi Jinping disse que a “economia mundial ainda não saiu da fase de crescimento fraco” e que “a resposta para os problemas do atual momento não está em retomar o crescimento a uma grande velocidade, mas em se buscar novos caminhos de desenvolvimento”. (FSP). O líder comunista referia-se aos povos e países do mundo e sua observação sobre “novos caminhos para o desenvolvimento” se ajusta como uma luva para o Brasil. Aqui, sobretudo os comunistas do PC do B têm insistido na necessidade de um “novo projeto nacional de desenvolvimento”.

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“Será preciso defender a democracia brasileira com luta nas ruas”, diz Boaventura de Sousa Santos (por Marco Weissheimer)

Boaventura de Sousa Santos: “As instituições têm que ser pressionadas a partir da rua. Queremos que isso se dê dentro dos marcos democráticos, que já estão muito abalados pelo golpe”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

O que está acontecendo no Brasil hoje, a partir do golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff é o caso paradigmático de uma intervenção externa, motivada principalmente pelo fato de que o país era uma das forças importantes dos Brics, em aliança com China e Rússia, que tentavam construir uma articulação alternativa ao capitalismo global sob dominação dos Estados Unidos. A avaliação é do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos que esteve em Porto Alegre, semana passada, participando de um debate sobre a crise da democracia, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

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Risco Trump e a necessária integração latino-americana – Entrevista Celso Amorim (por Tatiana Carlotti)

Celso Amorim analisa conjuntura internacional e alerta: sem lideranças latino-americanas, a integração ‘não cairá do céu’.

Um dos principais responsáveis pela política externa “altiva e ativa” do Brasil durante a Era Lula, o diplomata Celso Amorim participou na última quarta-feira (01.02.2016) de um bate-papo sobre o mal-estar da globalização, organizado pela Fundação Rosa Luxemburgo, na capital paulista.

Entre os sintomas desse mal-estar, além da saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado Brexit, o diplomata analisou a conjuntura internacional após a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, alertando sobre a necessidade de um estudo sobre o “trumpismo”, para além do indivíduo Donald Trump.

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Brics – Novo Banco de Desenvolvimento (por Paulo Nogueira Batista Jr.)

O artigo é de agosto de 2016, mas permanece atual. Paulo Nogueira Batista Jr, economista vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), estabelecido pelos Brics (sigla que se refere a Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) na cidade chinesa de Xangai. Foi publicado na Revista do Instituto de Estudos Avançados da USP.

Estudos Avançados – Como surgiu a ideia da constituição do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e qual foi o país que comandou o processo de criação?

A ideia partiu da Índia. Foi lançada na cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no início de 2012, em Nova Déli. Naquela ocasião, os líderes dos cinco países pediram a seus ministros de Finanças que examinassem a viabilidade de criar um novo banco de desenvolvimento para financiar infraestrutura e desenvolvimento sustentável. As negociações transcorreram por pouco mais de dois anos até a assinatura do Convênio Constitutivo na cúpula dos Brics em Fortaleza, em julho de 2014. Não se pode dizer que um país tenha comandado o processo de negociação. Os cinco participaram com igual presença e dedicação. Até o início de 2013, a Rússia ainda era mais relutante do que os outros, mas depois se engajou plenamente.

Estudos Avançados – Qual é o papel geopolítico do NBD ao ser constituído apenas por países emergentes? É um banco político? Como se insere na lógica geopolítica e de relação hegemônica global atual?

É primeira vez que um banco de desenvolvimento de alcance global é estabelecido apenas por países de economia emergente, sem a participação de países desenvolvidos na fase inicial. Trata-se, portanto, de um grande desafio para nós. A iniciativa de criar o NBD tem um aspecto geopolítico, sem dúvida. Reflete a insatisfação dos Brics com as instituições multilaterais existentes, que demoram a se adaptar ao século XXI e a dar suficiente poder decisório aos países em desenvolvimento. Mas o NBD não é um banco político. O banco se pautará por critérios técnicos para aprovar projetos. O nosso Convênio Constitutivo deixa esse ponto claro. Queremos evitar a excessiva politização das decisões que se observam nas instituições multilaterais existentes.

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