A economia brasileira estrangulada (por Fernando Horta)

Não existe meio espontâneo de redistribuição de renda no capitalismo.

Anote esta frase aí, ela é oriunda das teorias críticas do século XIX e foi retomada no final do século XX e XXI com a falência das teorias neoliberais. Mas guarde ela aí que nós vamos chegar a ela mais tarde.

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Desigualdade social galopante

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Como queríamos demonstrar, assim termina a comprovação de teoremas. No caso, o da restauração liberal no mundo, desde os anos 1970.

Além de incubar e deflagrar crises que arrastam nações inteiras – a lista seria longa desde então – conduziu o mundo à atual crise, a maior do capitalismo desde 1929.

Mas o fator mais íntimo do neoliberalismo é a concentração de renda, a desigualdade social galopante, no rastro da financeirização, e a instabilidade crescente que daí deriva. No caso atual, sem que sequer se possa falar da precedência de uma belle époque, como nos anos 1920, o que seria uma farsa, mas se possa sim falar, como então, na produção de guerras.

Isso vai a propósito de uma série de matérias que retratam esse fenômeno, que sem dúvida merece estudos mais aprofundados. Fico apenas na recomendação das leituras de artigos de imprensa, retratando estudo da Oxfam, entre outras. Chocantes, todas: desigualdade fora de controle no mundo, produto do “fundamentalismo de mercado”.

No mundo, as 85 pessoas mais ricas, detém fortuna igual à soma das posses de 50% da população mais pobre e, entre 2013 e 2014, sua riqueza ficou 14% maior, algo como 244 bilhões de dólares.

A crise, “naturalmente”, acentuou nos últimos quatro anos o ritmo de alta da desigualdade – a riqueza dos bilionários amentou 124%, atingindo 5,4 trilhões de dólares, algo como o PIB da França.

Nos EUA, a fatia do patrimônio do país nas mãos do 0,1% das famílias mais ricas subiu de 7%, no fim dos anos 1970, para 22% em 2012. São 160 mil famílias com patrimônio líquido de US$ 20 milhões ou mais. Em 2012, elas detinham uma fatia da riqueza um pouco menor do que a registrada no fim dos anos 1920, a época marcada pelas fortunas herdadas dos chamados “barões ladrões”, como ficaram conhecidos alguns dos grandes empresários americanos das últimas décadas do século XIX.

A fatia do patrimônio nas mãos dos 90% mais pobres subiu de 15% nos anos 1920 para 36% em meados dos anos 1980, passando a cair depois. Em 2012, eles tinham 23% do total da riqueza nos EUA, o mesmo nível observado em 1940.

Os EUA se “brasilianizam”: de 1979 a 2007, a renda do 1% mais rico aumentou 275%. O grupo de 1% dos mais ricos norte-americanos fica om 93% da riqueza proporcionada pelo crescimento da economia. Há 400 famílias que, juntas, financeiramente valem o mesmo que 150 milhões de americanos de classes mais baixas.

Enquanto isso, sete em cada dez pessoas no mundo vivem em países onde o abismo entre ricos e pobres cresceu nos últimos 30 anos.

O patrimônio líquido dos bilionários da Índia é suficiente para eliminar duas vezes a pobreza absoluta naquele país.

No Brasil, riqueza de 61 bilionários corresponde a 8% do PIB e é maior que a economia de 100 países, e cresce 22% num ano, acumulando 182 bilhões de dólares. A capital de São Paulo tem 36 deles. O Brasil se “norte americaniza”, sem perder a pose da profunda desigualdade social: é a sociedade dos 30% pretendida pelos epígonos neoliberais.

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