Dois pontos na análise política: 1) o bom senso e 2) a possibilidade de ele não resolver o problema (por Alon Feuerwerker)

A Lava-Jato é uma potência e continua com momentum. Mas está cercada. Mais ou menos como o PT e Lula. São de longe o partido e o candidato com maior apoio e prestígio. Para, entretanto, voltar ao poder, precisam de aliados e estão sem. A frente mais ampla do momento é dos que querem se livrar, ao mesmo tempo, da Lava-Jato agora e de Lula e o PT em 2018.

Esse bloco está no Parlamento, na imprensa, nas redes sociais. Temer é sua expressão cristalizada, e aí reside sua força. Como pode sustentar-se um governo alvejado por seguidas acusações e com simpatia popular de um dígito? Por ele ocupar o centro do tabuleiro. E poder, inclusive, aliar-se taticamente à Lava-Jato contra o PT e ao PT contra a Lava-Jato. É o que acontece.

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A Lava Jato é o Plano Cruzado do combate à corrupção, por Bruno Reis

Importante ensaio do professor Bruno P.W. Reis, associado no Departamento de Física e vice-diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG.

Nele se afirma que, sendo o combate à corrupção tarefa permanente do Estado, deve preocupar-nos a sustentabilidade desse combate ao longo do tempo. Há maneiras destrutivas, quando espasmos (sempre fúteis) de limpeza geral desorganizam o sistema político-partidário e, ao fazê-lo, desorganizam ironicamente o substrato político-institucional sobre o qual se assenta, no fim das contas, a própria autonomia dos órgãos de controle. Sendo o combate à corrupção tarefa permanente do estado, deve preocupar-nos a sustentabilidade desse combate ao longo do tempo.

Assim como o Plano Cruzado, a Lava Jato é um mal. Não é preciso passarmos por ela pra aperfeiçoarmos o combate à corrupção. Com seu messianismo populista desastrado, uma operação que se permite a ela mesma violar a legislação enquanto acredita combater a corrupção, pode muito bem fazer retroagir esse processo por algumas décadas.

Leia na íntegra: http://migre.me/wvCwT

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