Reforma Política: necessária para que o país volte a encontrar ressonância na sociedade (por Vitor Marques e Bruno César de Caires)

Para o jurista alemão Carl Schimitt, o verdadeiro dono do poder numa sociedade seria aquele que decide no Estado de Exceção. Contemporaneamente, com a ideia de ruptura institucional encontrando resistência frente à falsa harmonia de um mundo globalizado, o Soberano, não mais, institui um autêntico Estado de Exceção, mas sim, edita medidas pontuais e suficientes para intervir na ordem posta. No Brasil, quem vem decidindo, nesse momento da história, sem um controle capaz de barrar medidas autoritárias é o Poder Judiciário.

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Quando a chave para a solução está no problema, a tendência da crise é perenizar (por Alon Feuerwerker)

Os desdobramentos do triunfo do governo no TSE permitem desconfiar: terá sido uma vitória de Pirro? Fechou-se uma porta para a remoção do presidente, mas ao custo de imenso sacrifício de recursos políticos, materiais e simbólicos. Quem discorda dirá que não, que se alcançou o essencial. E é verdade. Mas é fato também que o custo foi mesmo altíssimo.

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Disputar saída legitimamente democrática para a crise (por Walter Sorrentino)

Nesta hora de agravamento da crise brasileira, um conjunto de forças vão ampliando seu entendimento de que país está conflagrado política e institucionalmente. Com isso acentua-se a crise econômica, com consequente crise fiscal de estados e municípios que afeta todos os cidadãos, e ressurgem com força conflitos sociais medonhos, com mortandade crescente de jovens, chacinas e rebeliões. O impeachment ultrajou a nação, o Brasil e a democracia sangram, a austeridade penaliza o povo trabalhador.

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Um espaço para aproximar o Brasil da América Latina e a América Latina do Brasil (por Marco Piva)

O grande encontro da América Latina com a democracia tem sido marcado e desmarcado ao sabor de conjunturas seculares que ora representam avanços, ora representam graves retrocessos. A partir das independências que cravaram a ruptura com as coroas espanhola e portuguesa no século XIX, a alternância entre duas correntes políticas – liberais e conservadores – foi conduzida por cenários de confrontos violentos sempre seguidos de pactos de grande fragilidade porque costurados sempre por cima. Esse duelo político não impediu que, gradualmente, ideias civilizatórias avançassem e fossem incorporadas pelas elites na forma de sistemas democráticos incipientes.

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