"Mulheres nas eleições 2014"

Clara Araujo Socióloga Pesquisadora sobre genero

Professora Clara Araujo

Clara Araújo é doutora em sociologia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do RJ, professora adjunta do programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, coordenadora da linha de Pesquisa Justiça e Desigualdade nas Práticas Sociopolíticas. Desenvolve pesquisas na área de relações de gênero, com concentração nos temas da cidadania e participação política e da família. É autora de diversos artigos em periódicos e coletâneas.

Clara faz neste artigo que recomendo abaixo (em PDF), um debate qualificado sobre a sub-representação feminina no Congresso em nosso país. Esse artigo será apresentado no seminário nacional “O Feminismo e as Eleições 2014” que acontecerá nos dias 5 e 6 de dezembro próximo em que será uma das palestrantes. Contato: cmaraujo@superig.com.br

Recomendo a leitura:

Mulheres nas eleições 2014 – considerações inciais

Atualizar a agenda da esquerda e disputá-la na sociedade

walter na reunião do CCNa recente reunião do Comitê Central do PCdoB fiz essa intervenção, visando a contribuir na reflexão que se abre a partir da vitória extraordinária nas eleições presidenciais. Ela está em consonância com a Resolução que será adotada na reunião, proximamente publicada na imprensa partidária. Tem um objetivo mais voltado para a questão de atualizar a agenda de um bloco progressista da esquerda e disputá-la na sociedade.

“Esta não é uma reunião de conjuntura política, não deveria nem bastaria ser, frente à situação do país e do Partido.  Precisamos atualizar a nossa agenda e isso não se pode improvisar com rapidez. Subscrevo a Resolução no conjunto. Mas precisamos aprofundar o debate sobre o lugar e papel político do PCdoB, com vocação estratégica e sem abrir mão de crescente capacidade de interferir nos acontecimentos e na conjuntura.

A disputa eleitoral desvelou novas tensões da agenda civilizatória ou modernizante brasileira. Ela prosseguirá, mas se depara com contradições mais elevadas entre Estado, desenvolvimento, soberania nacional, democracia e desigualdade social e regional. Pode-se acrescentar a isso o lugar do Brasil no mundo, a integração regional, o papel geopolítico do Brasil como uma reserva estratégica indireta para todos os países que buscam maior autodeterminação.

A vitória é grande passo adiante, face aos compromissos de Dilma, sua atitude e seu avanço na plataforma proposta. Portanto, mais à esquerda e, por isso, enfrenta pressões imensas, de fora do governo e até mesmo de alguns de seus partidários.

Do lado de lá, a oposição é forte enquanto consórcio de forças partidárias ou não. Nesse sentido o país está polarizado politicamente, e os consensos na sociedade são muito disputados. É um logro considerar uma continuidade entre PT e PSDB com diferentes ênfases na agenda modernizante destes 20 anos, como o quis Eduardo Campos ou Marina.

Tensões se manifestaram fortemente, de alguns modos novos e outros, bem velhos. Um cadinho de contradições latentes em uma sociedade vibrante, complexa, rica sociedade civil e movimento social organizado, com mediações cada vez mais imperfeitas entre o povo e seus representantes, onde a comunicação de massas joga um papel decisivo semeando basicamente a ojeriza à política e aos partidos políticos. O velho é a pregação ética anti-esquerda, sob a forma de anti-petismo odiento.

Parcelas extensas da sociedade, por diferentes caminhos e razões, votaram na proposta conservadora nestas eleições. Sem sociologismo, é preciso entender a gramática social e política modificada por uma experiência de ascensão social de milhões de pessoas, provocando novos anseios e, ao mesmo tempo, novo arregaço reacionário daqueles acostumados ao poderio econômico, político e midiático.

Nos tradicionais estratos médios, muito ressentimento, Sul e Sudeste à frente. Mas há os novos estratos de trabalhadores, mais numerosos hoje no “losango social” da população brasileira, que foram promovidos pelas políticas de redistribuição de Lula e Dilma. Entre o receio de arrefecer o ritmo de progressão social ou perder conquistas, com um ideário meritocrático, em alguma medida envolvidos com fundamentalismos religiosos e outros valores conservadores (não necessariamente reacionários), e sem a mesma experiência política do movimento social organizado, essas camadas foram o alvo privilegiado da disputa política e midiática e em boa medida capturados no voto contra o projeto que lhe permitiu chegar onde chegou. O que é mais preocupante porque mais patente nos grandes centros urbanos do país.

Não basta ganhar as eleições, é preciso conquistar hegemonia na sociedade, no âmbito de uma “democracia eleitoral de massas”, onde o espetáculo midiático tem papel desproporcional, a esta altura inevitável, e os partidos políticos são reduzidos a máquinas eleitorais.

Não nos bastará ser a contraparte da “sociedade dos 30%” (a sociedade de classe alta e média abastada, como é pensado o Brasil pela elite) com a dos outros 30%, aqueles que são alcançados pelos movimentos sociais organizados – em que pese seu papel estratégico.

Temos o projeto, o novo projeto nacional de desenvolvimento. Na ordem do dia está sim a agenda das reformas. Algumas medidas são imediatas e a Resolução as aponta.

Mas é preciso adensar essa agenda. E é preciso atualizar uma agenda para a esquerda, para o PCdoB, seja com o governo, com o bloco progressista e de esquerda, com os movimentos sociais e com toda a sociedade. E disputá-la no governo e na sociedade.

Aos 12 anos de governo, rumo aos 16, existe um núcleo de condução estratégica do governo? Nós o integramos à altura de nossa vocação ou mesmo força relativa?

É possível, por exemplo, seguir adiante sem uma agenda de Estado? Não apenas a reforma política eleitoral, mas sobre os entraves conservadores do Estado brasileiro (13º congresso)? Estado com uma burocracia de caráter corporativo e cartorial, segmentada, seja no Ministério Público, órgãos de controle e PF, até na Defesa Nacional. E isso se aprofunda! Por outro lado, alguns pensadores falam num certo tipo de crise de Estado no caso brasileiro, uma crise de realização, um Estado que “não chega”.

É mais fácil mudar a economia do que a política. E é disso que se trata: a obra econômica e social que progrediu neste ciclo progressista está em contradição com a superestrutura política, o que trava a modernização. Estranho uma esquerda nucleando um projeto de governo sem sequer pautar essa questão do caráter do Estado nacional…

No plano econômico-social, não é hora de avançar um pacto universalista na disputa política do orçamento de Estado? O projeto civilizatório requer atender aos reclamos de serviços públicos sempre mantidos na escassez. No ritmo atual, difícil prover isso sem mudar também o pacto federativo e tributário.

No plano estritamente político, a questão central: frentismo, e não petismo. Frentismo para uma coalizão mais ampla. Sem o PT não faríamos esta experiência histórica, e não devemos subestimar sua capacidade de se mover. Mas o PT revela a incapacidade de reflexão estratégica, seu horizonte é curto fora da distribuição de renda, não articula plenamente a questão nacional, democrática e popular. Essa é tarefa para um bloco político-social de esquerda, progressista e democrático. Ou mergulhamos nessa exigência ou nos tornaremos irrelevantes.

Falando em geral dessas três esferas – Estado, econômico-social e político – elas se encaixam com o fundamento tático atual: dar sustentação ao governo e promover as reformas estruturais.

Mas, também, como se vê, são indispensáveis à reflexão do próprio PCdoB e suas opções imediatas, seu lugar e papel político, partindo dos resultados eleitorais, como também às nossas reflexões estratégicas.

Os resultados eleitorais são o que são, já os analisei em artigo recente neste Blog. Coroamos o perseguido com a eleição do primeiro governador da legenda dos comunistas. A oscilação para baixo, um revés, na representação federal pede novas opções táticas. De todo modo, ampliamos a base social eleitoral nas eleições estaduais.

Trata-se de atualizar o modo de empreender as proposições já feitas no 13º Congresso, porque esta batalha eleitoral foi dura e revelou novos níveis de combate necessários.

Devemos agir com, e mediante a participação no governo, mas aprofundar nossa presença na sociedade, base para aguçar o nosso senso de representação social e política, fundamento do merecimento do voto de um eleitorado próprio mais forte e fiel.

Devemos manter nossa participação institucional, requalificando-a. Mais que máquina, precisamos galgar também posições que integrem o núcleo de condução estratégica dessa experiência e do próprio governo, em função da agenda mais de fundo.

Nos movimentos sociais, a questão é sustentar o governo nas medidas avançadas que propõe, mas ter ação política autônoma mais intensa para disputar a agenda na sociedade. E nisso vincar a identidade dos comunistas.

Na esfera institucional (além do plano de governos municipais, onde há um mundo de coisas a fazer no sentido de qualificação e resultados), temos ainda o ineditismo de dar exemplo no governo do Maranhão. Lá podemos constituir o que pode ser uma alavanca para ligar o cumprimento do programa de governo, com participação popular, progresso social-humano e desenvolvimento econômico, com construção partidária. Essa vitória dá pernas para prosseguir com a opção tática eleitoral de disputar eleições majoritárias e, se soubermos utilizá-la, avançar eleitoralmente para 2016 e 2018. A questão é tão empenhada que propus uma Conferência Extraordinária do PCdoB no MA, em ligação com o nacional, para enfrentar essa pauta.

Devemos provocar desde já um grande debate sobre nossa estratégia eleitoral. Por que não há atalho: na reforma política coligações estão muito questionadas – nós estamos isolados -e cláusula de barreira é uma ameaça possível. Ocorrendo a reforma, mesmo se democrática, poderá ser novo começo eleitoral para nós. Mas por quais caminhos? A identidade eleitoral depende crucialmente de candidatos majoritários e se fortalece progressivamente com chapas próprias. Teria sido, por exemplo, o caso de darmos passos mais concentrados em chapas próprias a federal já neste ano?

Eu estaria aberto a considerar mudanças importantes no modo como dispomos das energias partidárias: energias para impulsionar a usina das ideias estratégicas, para a ação política de massas e a atuação institucional em governos e parlamentos e, sobretudo, para a construção partidária. O equilíbrio precisa ser modificado, face às tarefas que temos pela frente no Brasil e no reforço do PCdoB. Não posso ir mais longe, porque a esfinge da nossa futura opção eleitoral precisa ser decifrada.

Enfim, são as questões: atualizar a agenda da luta no país e, com base nela, atualizar a agenda do partido, da sua identidade política e eleitoral, das políticas para sua construção.

Para amadurecê-las, penso ser necessário realizar uma Conferência Nacional, com um documento político-organizativo que se ligaria com a sucessão presidencial proposta no 13º Congresso.

15/11/2014, intervenção na 4ª reunião do Comitê Central do PCdoB

O PCdoB nas eleições: V- Atualizar o debate sobre a identidade eleitoral do PCdoB

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O PCdoB nas eleições

Partilho com os leitores os dados coligidos sobre as eleições 2014, para embasar a discussão da direção nacional que se reúne neste fim de semana. Os resultados do PCdoB estão contextualizados como parte da disputa política de alto teor, travada entre avanço e retrocesso. E motivam o debate sobre a realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais fundamentais ao processo de avanço das mudanças iniciadas por Lula em 2003. Neste e próximos artigos, dados são apresentados sobre as eleições presidenciais, as majoritárias nos Estados, e as proporcionais para as coligações partidárias.

V- Atualizar o debate sobre a identidade eleitoral do PCdoB

Na avaliação dos resultados alcançados, a direção nacional do PCdoB os contextualizou no âmbito da disputa de campos políticos que marcou a eleição de 2014, sem desconsiderar problemas próprios da identidade e ação partidária. De fato, o desempenho do PCdoB nas eleições proporcionais federais guardou forte correlação com o campo político que integrou. Todas as legendas da coligação nacional com Dilma Rousseff, com exceção do PRB, diminuíram sua votação e bancada federal.

Os resultados são condicionados, repita-se, pelo maior número de legendas com assento na Câmara dos Deputados, o que levou mesmo os partidos coligados às candidaturas adversárias, com poucas exceções, a reduzirem as bancadas. Na Câmara dos Deputados, os partidos à direita do espectro político elevaram ligeiramente sua representação, a esquerda a reduziu e o “centro” cresceu, com pequenas e médias bancadas, elevando a pulverização de legendas.

Tudo isso infere a análise da realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais determinados.

A batalha, concentradamente, foi da oposição do antipetismo, que é uma onda contra o governo Dilma e a esquerda brasileira, pela direita, com grande exacerbação política, mas também residualmente pela “esquerda”. O voto de opinião para deputados, por exemplo, foi amplamente conservador e reacionário, ou totalmente despolitizado como antipolítica, além de voto de opinião por causas segmentares. As manifestações de 2013, entre intenções e manipulações, foram capturadas contra o projeto que integramos.

Para o PCdoB, a questão que permanece é o da sua identidade política e a incidência eleitoral dela.

No atual sistema eleitoral e correlação sedimentada de forças partidárias no país, o resultado eleitoral do PCdoB foi de um grande marco político com a eleição do governador no Maranhão, coroando o preceito perseguido de dar protagonismo eleitoral nas eleições majoritárias à legenda 65. Nas eleições proporcionais federais houve um refluxo, pela primeira vez nas eleições desde a redemocratização. Isso foi próprio da disputa de campos políticos em confronto no país – no qual o PCdoB tem lado definido e irrecusável -, com resultados que podem oscilar para mais ou para menos, dependente do êxito estratégico do governo oriundo das forças populares. Na base social e eleitoral, evidenciada pelas eleições locais para deputados, o resultado foi de franco crescimento.

Na nova realidade de forças emergida das urnas, no governo, no Congresso e na sociedade, tendo por vértice a sustentação ao projeto vitorioso nas urnas, nomeadamente mais à esquerda pelos compromissos e orientação dados por Dilma, será necessário examinar acuradamente as transformações pelas quais passa a sociedade brasileira, refletida em novas contradições emergentes, no ideário e comportamento político de vastas camadas sociais de extração média, particularmente de novos estratos trabalhadores nos grandes centros urbanos. Eles foram alvo de intensa disputa política e midiática, e capturados em boa medida pela pregação conservadora – em especial no desapreço cidadão aos partidos políticos.

Os resultados representam, assim, a exigência de exame profundo em cada Estado e nacionalmente, para formular políticas novas para o PCdoB, partindo do esforço para situá-lo na nova realidade criada pela vitória nacional de Dilma Rousseff, em meio a desafios novos e ingentes.

(Final)

O PCdoB nas eleições: IV- O debate sobre os resultados eleitorais

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O PCdoB nas eleições

Partilho com os leitores os dados coligidos sobre as eleições 2014, para embasar a discussão da direção nacional que se reúne neste fim de semana. Os resultados do PCdoB estão contextualizados como parte da disputa política de alto teor, travada entre avanço e retrocesso. E motivam o debate sobre a realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais fundamentais ao processo de avanço das mudanças iniciadas por Lula em 2003. Neste e próximos artigos, dados são apresentados sobre as eleições presidenciais, as majoritárias nos Estados, e as proporcionais para as coligações partidárias.

IV- O debate sobre os resultados eleitorais

Nesta quarta parte do artigo, examina-se a distribuição dos votos do PCdoB.

Na tematização proposta pelo CC que conduziu às orientações do 8º Encontro Nacional sobre Questões de Partido, a distribuição de votos no PCdoB, segundo capitais e grandes municípios, teve comportamento que precisa ser correlacionado com o que ocorreu com a votação de Dilma Rousseff.

Para deputado federal, nas capitais o PCdoB teve 36% menos votos que em 2010, índice maior que os cerca de 31% a menos na votação total. A queda foi puxada primordialmente pela região SE, com registro de menos 57,5% de votos com respeito a 2010. Na região N, o decréscimo foi de 34% (AC 69% e PA 50%); na S, 26% (PR 83% e RS 40%); na NE a redução foi de 15% – abaixo portanto da média nacional (PI 54%, CE 39% e BA 38%). Positivamente, os maiores incrementos se deram nas capitais de SE (3028%), SC (290%), MA (89%), PB (90%) e PE (10%).

No interior a votação a federal teve, portanto, queda menos acentuada, 27,9%, sendo que nas cidades com mais de 100 mil habitantes foi de 28,5% (próximo da queda da votação nacional). Depreende-se daí o aumento relativo, mas discreto, de votação em cidades com mais de 100 mil habitantes; nas cidades com menos de 100 mil hab. a queda foi de 30,3%.

Na eleição nacional a deputados estaduais (cuja proporção de votos válidos foi de 2,8%, próximo da votação de 2010 a deputado federal), verifica-se votação cerca de 15% maior que em 2010, sendo que nas capitais observou um decréscimo de 7%. Contraditoriamente, a votação de legenda do PCdoB, favorecida pelas chapas próprias, incrementou-se 147%, elevando-se em 26 capitais (exceção do DF).

O aumento nacional portanto se deveu ao interior, com 22,5% a mais em votos – índice composto por 18,3% mais votos em cidades com mais de 100 mil eleitores e 26,6% dos votos em cidades com menos de 100 mil eleitores, confirmando a tendência já observada anteriormente nestas pequenas cidades.

De todo modo, verifica-se que a votação partidária aproxima-se cada vez mais da pirâmide do eleitorado brasileiro em sua distribuição segundo tamanho dos municípios.

A proporção de votos válidos nas capitais sobre o total do país corresponde, na pirâmide eleitoral, a cerca de 23 ou 24% do total dos votos válidos nacionais e o PCdoB fez 28,4% a federal e 25,5 % a estadual nas capitais. Entretanto, em que pese ser a interiorização um dado também importante, a votação nas capitais observou redução relativa dos votos com respeito a 2010, confirmando mais uma vez a preocupação alertada desde o 8º Encontro Nacional. Um pouco melhor é que se prossegue avançando em maior inserção nos municípios com mais de 100 mil habitantes, onde se obteve um aumento de 18,27% para estadual. No entanto, nesses mesmos municípios registrou-se um decréscimo de 28,54% para federal.

Em termos de tamanho da votação regional, entretanto, não há a mesma distribuição sincrônica: permanece o diferencial de representação do PCdoB no Nordeste. A redução de votos a federal foi mínima no Nordeste e máxima no Sudeste; o aumento de votos a estadual foi abaixo da média nacional nas regiões Sudeste, Norte e Nordeste, e foi máximo na região Sul.

(continua na parte V)

 

O PCdoB nas eleições: III- O PCdoB nas eleições proporcionais

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O PCdoB nas eleições

Partilho com os leitores os dados coligidos sobre as eleições 2014, para embasar a discussão da direção nacional que se reúne neste fim de semana. Os resultados do PCdoB estão contextualizados como parte da disputa política de alto teor, travada entre avanço e retrocesso. E motivam o debate sobre a realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais fundamentais ao processo de avanço das mudanças iniciadas por Lula em 2003. Neste e próximos artigos, dados são apresentados sobre as eleições presidenciais, as majoritárias nos Estados, e as proporcionais para as coligações partidárias.

III- O PCdoB nas eleições proporcionais

Resumindo os artigos anteriores, o PCdoB foi parte destacada da maior vitória de 2014, a reeleição de Dilma Rousseff, a mais disputada desde 1989. Elegeu, pela primeira vez na história do Partido, um governador de Estado, Flávio Dino, numa batalha de grande significado histórico para o Maranhão e todas as forças progressistas e de esquerda do Brasil. Governará um estado com 6,85 milhões de habitantes, 3,4% da população brasileira, o 10º maior do país, e o 16º PIB entre os estados da Federação. Tal vitória coroa o preceito, perseguido há quase uma década, de dar protagonismo eleitoral nas eleições majoritárias à legenda 65, do PCdoB. Elegeu ainda o vice-governador no Rio Grande do Norte, Fábio Dantas. Perde uma cadeira no Senado Federal, a despeito das boas votações de Perpétua Almeida no Acre, e de Ricardo Gomyde no Paraná. Participou em coligação da vitória de 12 governos estaduais, em sustentação a Dilma Rousseff. Nas eleições ao Senado, perdeu duas disputas, mas com boa votação de dois candidatos lançados, pelo Acre e Paraná, e coligou-se na vitória de 11 senadores.

Nas eleições proporcionais, o PCdoB elegeu 10 federais em 9 Estados, totalizando 1,98% dos votos válidos nacionais – 1.913.015 votos. Ao mesmo tempo, elegeu bancada de 25 deputados estaduais por 16 Estados, com um total de 2,8% dos votos válidos nacionais – 2.754.206 votos.

Os resultados proporcionais alcançados pelo PCdoB se dão no âmbito da grande disputa política presidencial entre dois campos políticos, extremamente radicalizada, cuja votação, positivos com a quarta vitória popular com Dilma Presidenta, marcou os resultados políticos das forças que a sustentaram. A isso se somam fatores da tática eleitoral ou de condução política, bem como de desempenho de mandatos e da força partidária.

O PCdoB fez como maior votação proporcional 2.754.206 mil votos, 2,8% dos votos válidos, na eleição a deputado estadual. Esse índice não se realizou nas eleições proporcionais nacionais, a deputado federal, onde alcançou 1.913.015 votos, 1,98% dos válidos, 31,5% a menos que na eleição anterior.

Em 2010 esses índices foram, para federal 2,85% e para estadual, 2,43%. Ou seja, o PCdoB elevou sua votação a estadual – que manteve o mesmo índice praticamente que nas eleições a federal de 2010 – e diminuiu sua votação a federal.

A votação proporcional federal se reduziu em 30,4% com respeito a 2010, levando à redução de 1/3 da bancada eleita, de 15 para 10 cadeiras. O PCdoB passou da 12ª bancada na Câmara eleita em 2010 para 17ª posição, mudanças de posição relativas devidas ao PSD, PRB, SD, PROS e PPS (estes dois últimos respectivamente com 2,04 e 2,02% dos votos válidos, contra 1,98% do PCdoB).

Para deputado estadual, a votação se elevou em 15,8%, levando a 25 eleitos, um incremento de 38,9% com respeito aos eleitos em 2010 (37,5% sobre as cadeiras detidas em outubro/2014). Alcançou-se a primeira suplência no AP, ES e RO; e, em chapas próprias, em outros 6 Estados onde se venceu as eleições ao governo – MA, BA, CE, MG, AC e RN. O PCdoB, representado em Assembleias Legislativas de 16 Estados, ocupa a 12ª posição nacional nesse quesito. Dos 16 Estados, 7 deles elegeram em chapas próprias da legenda, com 13 eleitos; os demais 9 Estados elegeram em coligações variadas 12 deputados.

Os federais foram eleitos em 9 Estados: BA, CE, MA, MG, PE, PR, RJ, RS e SP. Os estaduais foram eleitos em 16 Estados: AM, BA (3), MA (3), MG (3), CE (2), SP (2), RS (2), PA, RJ, SC, GO, SE, PB, RN, AC, RR. Em PE e PR foram eleitos, portanto, os federais sem a eleição de estaduais.

Não foram reeleitos 5 atuais deputados federais: Milhomem no AP; Assis no RS; Cadoca em PE, que ingressou no PCdoB em 2013; Protógenes Queiroz em SP e Osmar Jr, no PI, o que demanda exame político e de campanha mais acurado, desde erros de mandato, até erros de tática eleitoral ou de condução de campanha.

Restaram duas primeiras suplências, quatro segundas suplências e seis terceiras suplências. Algumas delas são importantes porquanto se venceu ao governo, com possibilidades políticas de que assumam a titularidade.

A distribuição desses votos segundo a pirâmide do eleitor brasileiro dará indicações importantes sobre o comportamento eleitoral da legenda comunista nestas eleições.

Em termos de região, o decréscimo da votação proporcional a federal do PCdoB foi maior que o total nacional (31,5%) na região SE: 52%, sendo de 67% no RJ; no S: 43%, sendo de 66% no RS; no N: 28%, sendo de 48% no AC; no NE: 2,5%, sendo de 38% no CE e de 28% no PI; no C-O: 31%.  No Maranhão, houve notável incremento de votos, de 237%; no PR, 50,8%, em SC 53%.

Tais números por região são correlatos com o fato de que não se recandidataram este ano a federal, por diferentes razões, Manuela D’Avila, Aldo Rebelo, Perpétua Almeida e João Ananias, mais Gustavo Petta que assumiu como suplente. Os quatro primeiros haviam somado, em 2010, 776.652 votos, não inteiramente repostos. Comparece também para rebaixar o índice nacional alcançado de votos válidos para federal (1,98%) a queda dos votos de legenda (de 44%), maior na região SE (75%), notadamente a de São Paulo (87%, mas considerando um ponto fora da curva em 2010, com Netinho Senador), embora não tivéssemos chapa própria a federal em nenhum caso. Na BA há notável constância no voto de legenda, sem elevação entretanto. Positivamente, aumentaram muito os votos de legenda onde havia candidatos majoritários: MA, 86%; PR 660%; e AC, 135%, demonstrando mais uma vez o papel de candidaturas majoritárias na tática eleitoral de acumulação de forças e de promoção da identidade partidária 65.

Para deputado estadual, o incremento da votação nacional de 15,8% foi puxado para cima pelos resultados da região S, com incremento de 91%, expressivamente com a candidatura Manuela D’Avila no RS, com 129%. A região N ficou na média nacional com 16,8%; as regiões SE e NE ficaram com incremento de, respectivamente, 9% e 7%, abaixo da média nacional.  A redução foi maior no PI, 88%; PE, 72% e DF, 50%. O incremento maior foi na PB, 850%; RS, 129%; CE, 101% e MA, 59%.

(continua na parte IV)