A manipulação nas redes é a maior de todas as guerras, diz Silvio Meira

Para um dos mais respeitados pesquisadores do mundo digital, a interferência russa na campanha dos EUA é um efetivo ataque à democracia – e o Brasil não está a salvo de ações de agentes externos e internos

‘Hoje, há manuais de como construir cluster de pensamentos e de notícias falsas, ativar certos tipos de informação de redes sociais para se conectarem, se associarem, e, ao mesmo, para criticar qualquer posição contrária. Assim, é possível imaginar que a gente tenha no Brasil eleições de interesse de agentes externos e internos’
O paraibano Silvio Meira, 62 anos, é um dos pesquisadores mais influentes na área de tecnologia da informação e um dos pensadores mais atuantes no debate sobre democracia. Professor do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Escola de Direito do Rio da FGV, ele, nesta entrevista, volta as atenções para as redes sociais e as eleições, mais especificamente sobre a influência dos russos na campanha dos EUA —  e como o Brasil está desprotegido em relação a ações de agentes internos e externos.

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Melhor levar a sério o desafio sino-russo ao dólar (por F. William Engdahl)

O sistema monetário internacional de 1944, de Bretton Woods, como foi desenvolvido até o presente tornou-se, dito claramente, o maior obstáculo à paz e à prosperidade do mundo.

Agora, a China, cada vez mais apoiada pela Rússia – as duas grandes nações da Eurásia – começam a dar passos decisivos para criar uma alternativa muito viável à tirania do dólar norte-americano sobre o comércio e as finanças mundiais.

Wall Street e Washington não estão gostando, mas são impotentes para deter o movimento.

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Os EUA e a vigilância eletrônica global (por Bruno Lima Rocha)

Edward Snowden, ainda hoje asilado na Rússia governada por Vladimir Putin e demais herdeiros da KGB, é um ex-consultor da National Security Agency (NSA), agência dos EUA especializada em vigilância e guerra eletrônica e responsável pelo monitoramento de dados eletrônicos e comunicação interpessoal. Em declarações públicas, se disse arrependido de seus atos, vindo a desertar. A crise de consciência de Snowden, somado ao esforço de jornalistas capitaneados pelo periódico inglês The Guardian, propiciou ao mundo o conhecimento das capacidades da Superpotência no ato de vigilância global em tempo real de praticamente todas as conexões cibernéticas e linguagens de sinais do planeta.

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Fiori: O lugar da Rússia e da guerra na nova estratégia global dos EUA (por José Luís Fiori)

A polarização da sociedade americana, e a luta fratricida de suas elites, neste início do século XXI devem prosseguir e aumentar sua intensidade nos próximos anos, mas não devem alterar a direção, nem a velocidade do crescimento do poder militar global, dos Estados Unidos. Este tipo de ­­­divisão e luta interna, não é um fenômeno novo ou excepcional – se repetiu em vários momentos do Século XX – toda vez em que foi necessário responder a grandes desafios e tomar decisões cruciais no plano internacional.

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