Por que a saída do Euro é internacionalista – Parte III (por Domenico Moro)

Leia aqui a parte II.

Parte III: Além da rejeição da política. O euro como um elo fundamental na recuperação da luta política

É necessário, no plano político – e ainda mais no teórico – superar uma visão unilateral da realidade, que mire apenas ao nível estatal ou apenas ao supranacional, exclusivamente. Em cada período histórico é definida qual é a relação concreta entre os níveis estatais e supranacionais da acumulação do capital. Na era do capitalismo globalizado, o Estado nacional não se eclipsa, se transforma. As funções nas quais é mais útil manter seu papel e nas quais o controle da classe dominante é mais equilibrado, são reforçadas. Vice-versa, são delegadas a organismos supraestatais as funções em que o controle da classe dominante é mais débil ou incerto, ou cuja modificação é exigida pelas características da fase da acumulação capitalista.

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Por que a saída do euro é internacionalista – Parte II (por Domenico Moro)

Leia aqui a parte I.

Parte II – Nação, Estado e imperialismo europeu

1. As razões do ceticismo em relação à nação
A desconfiança sobre o conceito de nação e a tendência europeísta, ambas disseminadas em diversos setores da sociedade italiana, são produto de nossa história recente e não tão recente. O imperialismo italiano, entre os anos 1880 e os anos 1940, fez da Nação, na forma ideológica extremista do nacionalismo, o substrato da sua política expansionista. O Estado liberal e o Estado fascista, sem qualquer solução de continuidade entre eles, geraram uma série de guerras, das primeiras expedições coloniais em Eritréia, Somália e Líbia, à Primeira Guerra Mundial, às guerras na Etiópia e na Espanha e, finalmente, à participação desastrosa na Segunda Guerra Mundial.

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Por que a saída do euro é internacionalista (por Domenico Moro)

Apresento aos leitores o ensaio de Domenico Moro sobre esse debate crucial na esquerda europeia.

Domenico Moro é sociólogo e economista italiano, pesquisador do Istat – Instituto Nacional de Estatística – e colabora como jornalista com periódicos nacionais de seu país. Marxista e comunista, tem diversos trabalhos de economia, política internacional e a questão militar, debatendo o papel da luta de classes dos trabalhadores numa perspectiva estratégica e geopolítica, sobretudo no seio da Europa. Ocupou-se também das relações entre a crise capitalista mundial e a globalização neoliberal à luz da teoria marxista com a publicação de “Nuovo Compendio del Capitale”, editado também na França sob o título “La crise du capitalisme et Marx”. Foi membro do Comitê Central do PdCI – Partido dos Comunistas Italianos – responsável pela área de formação da Associazione Marx XXI. Autor de Il gruppo Bilderberg (2014), Globalizzazione e decadenza industriale (2015) e La terza guerra mondiale e il fondamentalismo islamico (2016), todos pela Editora Imprimatur.

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Para compreender a União Europeia: “Integração capitalista”, afirma Pedro Guerreiro, da direção do PCP (por Avante!)

O jornal Avante!, Órgão Central do Partido Comunista Português, publica na edição desta quinta-feira (2), artigo assinado pelo membro do Secretariado, responsável pela Seção Internacional, Pedro Guerreiro, em que sintetiza o caráter da União Europeia.

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Letônia adere ao euro mesmo em crise

Letônia, república báltica da ex-URSS, adere ao Euro. É a quinta menor economia europeia, com pouco mais de 2 milhões de habitantes, com uma história trágica entre autonomia e dominação. Adere ao Euro após a liberação da URSS em 1991 e a adesão à Comunidade Europeia em 1994. É o quarto país ex-comunista a aderir, e o segundo que o faz após a eclosão da crise europeia, que levou à bancarrota Grécia, Irlanda e Portugal, além de arrastar também Espanha e Itália. A Europa mantém-se em recessão, o desemprego é terrível, e só a Alemanha lucra com o atual arranjo, fato proclamado nas ruas em todos esses países.

Entre 2008 e 2009 o PIB da Letônia despencou 25%. Com uma população pequena e uma economia de serviços, é duvidoso que em curto prazo a adesão ao Euro possa representar um avanço do país.

Mesmo com a crise, há uma falta de alternativas reais para a afirmação e desenvolvimento das nações. A Letônia busca atrelar-se como vagão numa onda que, se já conheceu dias melhores com o Estado de bem estar social, hoje representa mais uma dependência da qual não se livrarão facilmente.

Lembro-me de uma declaração reportada em 1991, com a queda da ex-URSS, de uma senhora de família falida mas culta da ex-URSS. Seu principal anseio, dizia, era de que “suas filhas não crescessem à margem da corrente principal da civilização ocidental”. Talvez seja isso, mais que a economia simplesmente, que represente a hegemonia do tempo atual, malgrado a crise. E só se explica historicamente pela falência do socialismo, no que foi chamada uma derrota estratégica.

Já se passou uma geração após esses fatos. A Letônia – na qual 40% são não letões, maioria russa – vai certamente esperar mais uma ou duas gerações para encontrar caminhos autônomos e livres. Como dizia João Amazonas, assim está sendo o século 21: no início trevas, mas as luzes virão, porque o anseio de soberania e liberdade é insuperável. O Euro não salvará a Letônia da condição de satélite, mas agravará as condições sociais de seu povo.

Veja em: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,letonia-torna-se-o-18-pais-a-aderir-ao-euro-moeda,174219,0.htm