Brics – Novo Banco de Desenvolvimento (por Paulo Nogueira Batista Jr.)

O artigo é de agosto de 2016, mas permanece atual. Paulo Nogueira Batista Jr, economista vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), estabelecido pelos Brics (sigla que se refere a Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) na cidade chinesa de Xangai. Foi publicado na Revista do Instituto de Estudos Avançados da USP.

Estudos Avançados – Como surgiu a ideia da constituição do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e qual foi o país que comandou o processo de criação?

A ideia partiu da Índia. Foi lançada na cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no início de 2012, em Nova Déli. Naquela ocasião, os líderes dos cinco países pediram a seus ministros de Finanças que examinassem a viabilidade de criar um novo banco de desenvolvimento para financiar infraestrutura e desenvolvimento sustentável. As negociações transcorreram por pouco mais de dois anos até a assinatura do Convênio Constitutivo na cúpula dos Brics em Fortaleza, em julho de 2014. Não se pode dizer que um país tenha comandado o processo de negociação. Os cinco participaram com igual presença e dedicação. Até o início de 2013, a Rússia ainda era mais relutante do que os outros, mas depois se engajou plenamente.

Estudos Avançados – Qual é o papel geopolítico do NBD ao ser constituído apenas por países emergentes? É um banco político? Como se insere na lógica geopolítica e de relação hegemônica global atual?

É primeira vez que um banco de desenvolvimento de alcance global é estabelecido apenas por países de economia emergente, sem a participação de países desenvolvidos na fase inicial. Trata-se, portanto, de um grande desafio para nós. A iniciativa de criar o NBD tem um aspecto geopolítico, sem dúvida. Reflete a insatisfação dos Brics com as instituições multilaterais existentes, que demoram a se adaptar ao século XXI e a dar suficiente poder decisório aos países em desenvolvimento. Mas o NBD não é um banco político. O banco se pautará por critérios técnicos para aprovar projetos. O nosso Convênio Constitutivo deixa esse ponto claro. Queremos evitar a excessiva politização das decisões que se observam nas instituições multilaterais existentes.

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Democratas, Trump e a perigosa recusa em entender as lições do Brexit, por Glenn Greenwald

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“É fato inquestionável que as principais instituições de autoridade no Ocidente, por décadas, tentaram de forma incansável, e cheios de indiferença, comprometer o bem-estar econômico e a segurança social de dezenas de milhões de pessoas. Enquanto a elite se esbaldava em globalismo, mercados livres, apostas financeiras em Wall Street e guerras sem fim (que enriqueceram seus autores, mas enviaram pobres e setores marginalizados da sociedade para arcar com seus fardos), também ignorava completamente as vítimas de sua ganância, exceto quando as vítimas reclamavam muito — causando tumultos — e, logo, eram chamados de forma pejorativa de trogloditas que mereciam perder no glorioso jogo da meritocracia global.

“Por muitos anos, os EUA — assim como o Reino Unido e outros países do ocidente — embarcaram em um rumo que praticamente garantiu o colapso da autoridade da elite e uma implosão interna. A invasão do Iraque, a crise financeira de 2008, a situação do sistema prisional e as guerras sem fim, os benefícios obtidos pela sociedade foram dirigidos quase que exclusivamente às instituições de elite, principais responsáveis pelo fracasso e às custas de todo o resto.

“Era apenas uma questão de tempo para que tudo isso resultasse em instabilidade, reações e rupturas. Tanto o Brexit quando a eleição de Trump são sinais inequívocos desse resultado. A única questão é se estes dois eventos serão o ápice deste processo ou apenas seu começo. E isso, por sua vez, será determinado pelo aprendizado – e internalização – dessas importantes lições, ou se serão ignoradas em favor de campanhas que lavam suas mãos de culpa e a direcionam para outros.

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Donald Trump, o “exit” dos EUA

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Recentemente, a propósito da situação brasileira, me vali de citação de J. M. Thompson na obra Napoleón Bonaparte, abrindo o capítulo da campanha na Espanha do genial estrategista, por onde começaria a derrocada consumada em Waterloo:

Suponha um amontoado de fatos, alguns promovendo a sobrevivência, outros a destruição; suponha ainda que eles se sobrepõem no tempo, de modo que o espectador no litoral da história não consegue saber ao certo se a maré ainda está virando: mesmo assim, se ele for suficientemente observador, notará uma onda que se eleva sobre todas as outras, e uma que assinala o primeiro malogro em alcançar aquele nível. Continue lendo

Estratégias de Defesa Nacional desafios para o Brasil no novo milênio

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Estratégias de Defesa Nacional desafios para o Brasil no novo milênio. 

Apresento aos leitores a parte II do trabalho preparado por Perpétua Almeida e Luciana Acioly, indispensável a pensar o Brasil por um ponto de vista estratégico para se afirmar como uma nação avançada. Recomendo a leitura.

http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/livros/livro_estrategia_defesa.pdf

Os Desafios da Política Externa Brasileira em um Mundo em Transição

os desafios da politica externa.

Recomendo a leitura desse livro, preparado pelo trabalho de Perpétua Almeida, Luciana Acioly, André Bojikian Calixtre / Rio de Janeiro, 2014. Luciana Acioly é uma grata amiga, companheira de lutas por um Brasil avançado, que foi ativa pesquisadora do IPEA. Seus trabalhos sobre o tema do desenvolvimento é digno de nota. Logo mais a trarei para uma Conversa.com.

 http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/livros/livro_os_desafios_politica.pdf