Gramsci e a luta de ideias (por Aldo Arantes)

Gramsci deu importantes contribuições à cerca do papel da luta de ideias na formulação da estratégia e tática para a conquista do poder. Analisando a diferença entre as táticas adotadas na Rússia Tzarista e nos países de maior desenvolvimento capitalista escreveu “A determinação, que na Rússia era direta e lançava as massas às ruas para o assalto revolucionário, complica-se na Europa Central e Ocidental em função de todas estas superestruturas políticas, criadas pelo maior desenvolvimento do capitalismo; torna mais lenta e mais prudente a ação das massas e, portanto, requer do partido revolucionário toda uma estratégia e tática bem mais complexas e de longo alcance do que aquelas que foram necessárias aos bolcheviques no período entre março e novembro de 1917”.

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Gramsci e a Revolução Russa (por Alvaro Bianchi e Daniela Mussi)

Retirado do Blog da Boitempo

O que pensava o jovem Antonio Gramsci sobre a Revolução Russa?

Oitenta anos atrás, em 27 de abril de 1937, Antonio Gramsci morreu depois de passar sua última década numa prisão fascista. Reconhecido postumamente por seu trabalho teórico em seus cadernos do cárcere, as contribuições políticas de Gramsci começaram durante a Guerra Mundial, quando ele era um jovem estudante de linguística na Universidade de Turim. Mas mesmo naquela época, seus artigos na imprensa socialista desafiavam não apenas a guerra, mas a cultura italiana liberal, nacionalista e católica.

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Giuseppe Vacca e o século XX de Antonio Gramsci (por Leonardo Cazes & Giuseppe Vacca)

Esta entrevista foi conduzida pelo jornalista Leonardo Cazes, de O Globo, em abril de 2017, abordando ainda tópicos cruciais do livro Modernidades Alternativas: O século XX de Antonio Gramsci, lançado pela Ed. Contraponto e a Fundação Astrojildo Pereira. Com a palavra, Cazes e Vacca.

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Prosperidade, solidariedade e liberdade é o socialismo

Ontem, em Recife, comemoramos os 89 anos do PCdoB na Câmara de Vereadores, proposição do nosso camarada Almir Fernando do PCdoB. Estiveram presentes muitos vereadores, centenas de militantes e amigos.

O discurso que proncuncei é o que segue.

O PCdoB comemora 89 anos, de vida e luta. A história de um partido, como afirmava Gramsci, é a história das lutas políticas e sociais de uma nação, contada pelo ângulo dos interesses de classe que esse partido representa. A istória dos comunistas em nosso país se confunde com a história política moderna do país. Desde as jornadas operárias de 22, das lutas pela reforma agrária, as lutas democráticas até o presente, em que propugna uma nação soberana, democrática e de progresso social, os comunistas se inseriram a fundo no cenário social e político do país, integrou todas as lutas que definem o Brasil, levantando a bandeira do socialismo, dos trabalhadores, do povo, da defesa da pátria na luta antiimperialista. São, por assim dizer parte da paisagem política brasileira.

O PCdoB é fruto da segunda modernidade brasileira. A primeira, aberta com as grandes sagas da luta pela independência, abolição e república, ocupou todo o século 19. Nela se forjou a nação e o povo brasileiro, povo novo e uno, integrado e mestiçado, numa das maiores nações do mundo, com território e língua única. Esse caminho foi temperado com as lutas heróicas e o sangue dos negros, indígenas e europeus que aqui se amalgamaram no povo brasileiro. O Brasil atraiu e atrai esperanças de todas as forças avançadas do mundo, pelo potencialidade das forças do povo e da nação.

A segunda modernidade foi tardia no país, premido pelos interesses das grandes potências imperialistas. Foi plasmada na célebre década de 20, com inúmeros levantes revolucionários de vastas forças, que culminaram com a revolução política de 1930. Na década surgiram os grandes órgãos de comunicação modernos presentes até hoje; igualmente a Semana da Arte Moderna; forjava-se a imagem renovada do país, levada a cabo nos anos posteriores. O PCdoB é fruto dessa saga, a irrupção do proletariado moderno como força social, portador de um projeto político autônomo para o país. A 25 de março, em Niterói, se consagrava o nascimento do mais antigo e permanente partido político do Brasil, o Partido Comunista do Brasil, então PCB. Refletia e irradiava a onda invencível das exigências de avanço nacional contra a estagnação da República Velha, e os grandes acontecimentos revolucionários do mundo, com a vitória das ideias de Marx e Lênin na velha Rússia. Constitui-se então a corrente dos comunistas em todo o mundo.

A razão de existir do PCdoB continua fincada nesses princípios: a representação dos trabalhadores e do povo, a defesa dos interesses nacionais e da soberania, da democracia e dos direitos do povo. Jamais deixamos de honrar essas bandeiras, ao preço de muitos sacrifícios. Mas hoje ele está mais maduro: segue na mesma luta com ideais retemperados e renovados. O Brasil precisa retomar a construção nacional, abrir um terceiro ciclo civilizatório, capaz de afirmar a nação brasileira soberana, desenvolvida, radicalmente democrática, integrada a seus vizinhos sul-americanos, retomar desenvolvimento avançado para suprir as enormes carências que ainda marcam o povo brasileiro. Superar as desigualdades sociais e regionais, afirmar a unidade indissolúvel do povo brasileiro acima de diferenças de etnia, religião, opções pessoais. Emancipar por completo essa grande força social que são as mulheres e os jovens. Colocar a intelectualidade a serviço do projeto de nação.

A modernidade brasileira ficou incompleta, inconclusa, pela condição de nação dependente. É preciso completá-la até suas últimas consequências. Ela será feita de prosperidade, solidariedade e liberdade para o povo brasileiro, sinalizará integração, paz e respeito entre os povos e nações. O Brasil pode ser o paradigma de um  novo mundo.

O PCdoB luta, para isso, pelo Programa Socialista. O Brasil precisa, segundo cremos, de um rumo e um caminho: um novo projeto nacional  tendo por norte o socialismo renovado.

Tiramos lições do primeiro ciclo de experiências socialistas, enfim derrotado. A principal é aplicar a ciência avançada à realidade nacional, de nossa história, da formação da nação, das particularidades econômicas e sociais, culturais e psicológicas do povo brasileiro. Nós nos orgulhamos, sim, de manter o ideal socialista atualizado, com princípios, mas manter a mente aberta para abrir-lhe caminho pela luta política e social concreta do país, com um tática ampla e flexível, capaz de unir verdadeiramente as forças avançadas da nação, o povo em primeiro lugar, para avançar no desenvolvimento, de que depende tudo que almejamos para o povo.

Hoje, a realidade brasileira é favorável para tanto. Há uma situação inédita que foi a terceira vitória eleitoral consecutiva das forças populares nas eleições presidenciais; mais: uma mulher na presidência da República. Em contraste com a situação mundial de crise, instabilidade, guerras e agressões, profundas assimetrias nas relações de poder e desequilíbrios econômicos, o Brasil se democratiza, desenvolve, reduz as distâncias sociais e regionais, integra-se a seus vizinhos, com uma política externa autônoma e soberana.

O Brasil está no rumo de grandes transformações que chamam a atenção do mundo. Há muito por fazer, todavia. É forçoso considerar, a partir da experiência histórica brasileira, que o caminho da afirmação nacional exige reunir amplas forças, e no seio delas carece-se de constituir  um núcleo programático com clareza e determinação para conduzir o projeto nacional com uma estratégia econômica determinada, que reposicione o país no rol das nações como pólo de maior liderança. Essa nossa luta, ao lado do governo Dilma e das forças de esquerda que lhe deram sustentação: assegurar a governabilidade com ampla base de apoio ao governo e constituir o centro de gravidade de um governo avançado. Com a luta social e a luta de ideias, com o apoio e a crítica, o PCdoB luta pelo êxito do governo Dilma como modo de abrir caminho para efetivar o projeto vitorioso nas urnas.

O PCdoB propõe lutar pelas reformas estruturais democráticas capazes de saldar os défices democráticos e sociais a partir de arrojado plano de desenvolvimento acelerado. Clama pela reforma da educação e saúde, pela democratização dos meios de comunicação, pela reforma urbana e agrária, pela democratização do sistema partidário, assegurando o pluripartidarismo democrático, com voto em lista e financiamento público, único capaz de fortalecer os partidos políticos e garantir a expressão de todas as forças da nação.

Assim quer ser conhecido pelo povo, falar a todos os trabalhadores e toda a sociedade. Assim tem acumulado forças.

Aos 89 anos, abrimos as comemorações dos 90 anos. Vamos lutar ainda mais pelo fortalecimento do PCdoB no país, cuja atuação tem sido sempre um termômetro inconteste da democracia brasileira. Queremos ser partido de esquerda capaz de reunir inteligência, convicção, talento político e compromisso militante em torno desse projeto e programa.

O PCdoB permanece sendo um partido de militância, nosso principal tesouro. Atua para acumular forças, na luta política e institucional, na luta social, na luta de idéias. Somos um partido socialista, não importa quanto tempo durará essa luta e por quais caminhos. É impressionante como esse debate sobre a organização política tem ocupado pouco espaço na esquerda brasileira, no sentido de renovação a adaptação. Nós vamos enfrentar isso. Porque cada tempo coloca seus próprios desafios: queremos estar livres dos condicionamentos modelados por outra época ou desafios estratégicos de outro molde. Somos um partido do presente para antecipar o futuro. Por isso fazemos o nosso esforço de renovação de concepções e práticas de partido, renovação de cultura política, voltada para os desafios do tempo.

Hoje somos mais de 300 mil no país. Almejamos chegar a 500 mil até o 13º Congresso. As portas do partido estão abertas a todos quanto abracem essa perspectiva, reforçando o sentido estratégico de nossa luta e o caráter unitário do projeto dos comunistas.

Companheiras e companheiros

Quando pensamos no futuro não esquecemos o passado. Não nos esquecemos dos que deram o melhor de suas energias e até a própria vida para que chegássemos até aqui. A eles nossas homenagens vivas, que se expressam no compromisso de seguir adiante com a luta. Este é o partido de Otávio Brandão e Astrogildo Pereira e Cristiano Cordeiro, fundadores; de Luis Carlos Prestes,  herói do povo brasileiro, e Gregório Bezerra. De Jorge Amado e Graciliano Ramos, de Pagu e Cândido Portinari. De Maurício Grabois e João Amazonas, de notáveis ideólogos que marcaram a história do PCdoB indelevelmente. De Pedro Pomar e Elza Monnerat. É o partido que defende a perspectiva desse que é o brasileiro vivo mais ilustre da nacionalidade, Oscar Niemeyer, sempre jovem e sábio, generoso e comunista. Mas também de enorme contingente de militantes comunistas, anônimos ou não. Reinvindicamos essa história marcada por vicissitudes terríveis, acertos e erros, porque nos orgulhamos dela e de tê-la conduzido à afirmação que marca a legenda do PCdoB na atualidade.

O PCdoB, dizia, chega mais maduro, experiente e ainda mais compromissado com os trabalhadores, o povo e a nação, aos 89 anos. Não podemos deixar de sorrir diante dos “exageros da notícia da morte do socialismo e do partido comunista”, como diria o astuto literato G.B.Shaw.

Seguimos sendo um partido dos trabalhadores e do povo, das mulheres e jovens, dos trabalhadores e intelectuais, que luta pelo socialismo, com a cara dos brasileiros. A saída é o socialismo. O Brasil precisa disso. O Brasil necessita de uma forte e influente esquerda, e o PCdoB busca qualificar-se para isso.

Esses são os bons augúrios desta comemoração de nosso ingresso no nonagésimo anos de vida e luta.

Agradeço, mais uma vez, a iniciativa desta sessão e a presença de tantas autoridades, militantes e amigos, que reforçam nossa disposição.

O Brasil vencerá, o povo será o artífice maior da nação, o socialismo vencerá.

Muito Obrigado