Gestos contraditórios no nordeste asiático (por Amaury Porto de Oliveira)

Retirado do portal Rogério Cerqueira Leite 

O Nordeste Asiático – região onde interagem China, Rússia, Japão e as duas Coreias – é uma das poucas áreas do globo em que perduram conflitos vindos da Guerra Fria. A partição da Península coreana, a problemática do Mar do Norte da China e a questão de Taiwan são exemplos contundentes do fato, todos os quais sofreram o impacto da eleição de Donald Trump para Presidente dos EUA.

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Moniz Bandeira

Professor Moniz Bandeira merece um Nobel

A Academia Sueca de Estocolmo, em correspondência à Academia Mineira de Letras, solicitou um nome brasileiro para o próximo Prêmio Nobel. Os confrades mineiros puseram-me na Comissão de escolha do candidato brasileiro. Não hesitei e recomendei A Segunda Guerra Fria. Portanto, pude homenagear o nosso culto companheiro, Professor Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira.

Assinado: Professor Fábio Lucas, membro da Academia Paulista de Letras.

Moniz Bandeira

Moniz Bandeira

A União Brasileira de Escritores também foi convidada a indicar um nome. O atual presidente, Joaquim Maria Botelho, também proporá à entidade o apoio ao nome de Moniz Bandeira.

Mais que uma homenagem, será o reconhecimento à coragem, ousadia, talento e combatividade do baiano que tem uma obra de grande alcance para o Brasil e o mundo, em especial A Formação do Império Americano, de 2005, que lhe rendeu o prêmio de Intelectual do Ano, o troféu Juca Pato da UBE. Não sei se a Academia sueca, que concedeu precocemente um prêmio da paz a Obama, se redimirá algum dia dessa incrível injustiça. Sei que a indicação de Moniz Bandeira nos basta como gesto de afirmação nacional e de justiça para com o insígne professor. Capaz de lucidamente dizer: “O Brasil não está no Conselho de Segurança da ONU ainda porque Collor de Mello fechou o buraco para experimentos atômicos e depois Fernando Henrique assinou o tratado de não-proliferação nuclear. Os Estados Unidos só respeitam quem tem poder.”

O Prof. Dr. Dres. h.c. Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira é hoje Cônsul Honorário do Brasil em Heidelberg, Alemanha. Vem de publicar um novo livro, A Segunda Guerra Fria, que é de fazer inveja a qualquer bom jornalista, nas palavras de Joaquim Maria Botelho, cuja resenha posto abaixo. Leitura indispensável do livro, e apoio de todos os patriotas, antiimperialistas, gente com visão estratégica dos desafios brasileiros.

 

JANEIRO, 2014

O historiador do momento presente

JOAQUIM MARIA BOTELHO

Se escrever história significa fazer a história do presente, é um grande livro de história aquele que no presente ajuda as forças em desenvolvimento a tornarem-se mais ativas e factíveis” (Antonio Gramsci)

O cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira é combativo. Herança, talvez, genética ele descende do filósofo Antonio Ferrão Moniz de Aragão, pioneiro do positivismo no Brasil, cujo bi- centenário de nascimento acaba de ser celebrado. Mas o baiano Moniz Bandeira, atual cônsul-honorário do Brasil em Heidelberg, Alemanha, não é apenas combativo. É ou- sado e corajoso. Com essas qualidades tem produzido peças de levantamento histórico de tal importância que suas obras são adota- das no concurso do Itamaraty, para seleção de candidatos a diplomatas.

Seu livro Formação do Império Americano já lhe rendeu, em 2005, o prêmio Intelectual do Ano, outorgado pela UBE por meio do troféu Juca Pato. Naquela obra, Moniz Bandeira já revelava a existência do Echelon, um sistema de interceptação, coleta e análise de telecomunicações ope- rado pela NSA, a agência norte-americana de segurança. Ele foi o primeiro a denunciar a espionagem que os EUA praticam em suas embaixadas, consulados, bases e até em navios. A denúncia ocorreu oito anos antes que o governo brasileiro fosse tomado de surpresa com a informação de que as co- municações de empresas brasileiras e da própria Presidência da República estavam sendo espionadas. Em 2009, ao receber o título de doutor honoris causa da Universidade Fede- ral da Bahia, Moniz Bandeira advertiu em seu discurso que uma potência é mais peri- gosa quando está declinando do que quando começa a formar o seu império. Referia-se aos EUA. Disse ele: “O Brasil não está no Conselho de Segurança da ONU ainda porque Collor de Mello fechou o buraco para experimentos atômicos e depois Fernando Henrique assinou o tratado de não-proliferação nuclear. Os Estados Unidos só respeitam quem tem poder.”

Curioso levantamento do diplomata: desde a independência, em 1776 (portanto há 235 anos), os EUA passaram 214 anos em guerra. O primeiro livro de Moniz Bandeira, sobre as relações dos EUA com o Brasil, publicado em 1973, causou-lhe um período de prisão.

No seu novo livro, A segunda Guerra Fria, o autor mergulha em detalhes que matam de inveja qualquer bom jornalista. São centenas de fontes as mais diversas de informação (apenas de referências bibliográficas, o livro contém 85 páginas) que o permitiram desvelar, em 25 capítulos, a estratégia de intervenção dos Estados Unidos nas revoltas e nos conflitos ocorridos na África do Norte e Oriente Médio a partir de 2010, e ainda nos levantes na Ásia Central. O objetivo da presença norte americana, segundo lista Moniz Bandeira, está calcado em dominação de espectro total (full spectrum dominance): hegemonia militar, hegemonia de comunicação e informação, hegemonia nos organismos econômicos internacionais, he- gemonia sobre o acesso a recursos naturais no território de outros países, hegemonia política por meio do controle do Conselho de Segurança das Nações Unidas, manutenção da vanguarda no desenvolvimento científico e tecnológico e abertura dos mercados de todos os países para os capitais e exportações de bens e serviços norte-americanos. E, somado a tudo isso, uma colossal e bilionária estratégia de relações-públicas/marketing/ propaganda/entretenimento – inclusive por meio da literatura – para compor a imagem de guardião da democracia. Segundo Moniz Bandeira, todo esse aparato é aproveitado pelo Psyops Group (Grupo de Operações Psicológicas) do Pentágono, “para desmoralizar o inimigo, causando dissensões e agitação nas suas fileiras, e convencer a população a apoiar as forças dos Estados Unidos e de seus aliados”.

 O livro revela mais: a cumplicidade e co- nivência de governos corruptos. E mais ain- da: a complacência de governos subjugados e conformados. Como afirma o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, no prefácio do livro, “importante contribuição da obra de Moniz Bandeira é a revelação documenta- da de que as revoltas da Primavera Árabe não foram nem espontâneas e ainda muito menos democráticas, mas que nelas tiveram papel fundamental os Estados Unidos, na promoção da agitação e da subversão, por meio do envio de armas e de pessoal, direta ou indiretamente, através do Qatar e da Arábia Saudita.” Também ele, Samuel Pinheiro Guimarães, recebeu da UBE o troféu Juca Pato, em 2006, pelo livro Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes.

O livro A Segunda Guerra Fria foi escrito entre março e novembro de 2012, praticamente acompanhando no tempo os acontecimentos recentes mais significativos. O livro é mais surpreendente do que qualquer filme de ação e espionagem que os próprios norte-americanos se gabam de produzir tão bem. Traz revelações atordoantes, sufocantes, assustadoras. Por exemplo, Moniz Bandeira não tem dúvida de que o ataque com armas químicas, na Síria, foi “fabricado”, simulado por opositores do regime de Al-Assad, com o objetivo de mobilizar a opinião pública internacional e justificar uma intervenção externa no país. “Na realidade, o que os Es- tados Unidos querem é eliminar a presença da Rússia no Mediterrâneo, fechando suas bases navais – Tartus e Latakia – instaladas na Síria”, afirma o historiador, “bem como conter o avanço da China no Oriente Médio e no Magreb, isolar o Irã e cortar seus vínculos com o Hezbollah, no Líbano, de acordo com os interesses de Israel.”

Contudo, Moniz Bandeira não é apenas o pessimista que este resumo pode ter deixado transparecer. Ele também indica um caminho para que o Brasil busque participar do equilíbrio da ordem mundial: a autonomia. Lições de especialista.