O PCdoB nas eleições: V- Atualizar o debate sobre a identidade eleitoral do PCdoB

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O PCdoB nas eleições

Partilho com os leitores os dados coligidos sobre as eleições 2014, para embasar a discussão da direção nacional que se reúne neste fim de semana. Os resultados do PCdoB estão contextualizados como parte da disputa política de alto teor, travada entre avanço e retrocesso. E motivam o debate sobre a realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais fundamentais ao processo de avanço das mudanças iniciadas por Lula em 2003. Neste e próximos artigos, dados são apresentados sobre as eleições presidenciais, as majoritárias nos Estados, e as proporcionais para as coligações partidárias.

V- Atualizar o debate sobre a identidade eleitoral do PCdoB

Na avaliação dos resultados alcançados, a direção nacional do PCdoB os contextualizou no âmbito da disputa de campos políticos que marcou a eleição de 2014, sem desconsiderar problemas próprios da identidade e ação partidária. De fato, o desempenho do PCdoB nas eleições proporcionais federais guardou forte correlação com o campo político que integrou. Todas as legendas da coligação nacional com Dilma Rousseff, com exceção do PRB, diminuíram sua votação e bancada federal.

Os resultados são condicionados, repita-se, pelo maior número de legendas com assento na Câmara dos Deputados, o que levou mesmo os partidos coligados às candidaturas adversárias, com poucas exceções, a reduzirem as bancadas. Na Câmara dos Deputados, os partidos à direita do espectro político elevaram ligeiramente sua representação, a esquerda a reduziu e o “centro” cresceu, com pequenas e médias bancadas, elevando a pulverização de legendas.

Tudo isso infere a análise da realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais determinados.

A batalha, concentradamente, foi da oposição do antipetismo, que é uma onda contra o governo Dilma e a esquerda brasileira, pela direita, com grande exacerbação política, mas também residualmente pela “esquerda”. O voto de opinião para deputados, por exemplo, foi amplamente conservador e reacionário, ou totalmente despolitizado como antipolítica, além de voto de opinião por causas segmentares. As manifestações de 2013, entre intenções e manipulações, foram capturadas contra o projeto que integramos.

Para o PCdoB, a questão que permanece é o da sua identidade política e a incidência eleitoral dela.

No atual sistema eleitoral e correlação sedimentada de forças partidárias no país, o resultado eleitoral do PCdoB foi de um grande marco político com a eleição do governador no Maranhão, coroando o preceito perseguido de dar protagonismo eleitoral nas eleições majoritárias à legenda 65. Nas eleições proporcionais federais houve um refluxo, pela primeira vez nas eleições desde a redemocratização. Isso foi próprio da disputa de campos políticos em confronto no país – no qual o PCdoB tem lado definido e irrecusável -, com resultados que podem oscilar para mais ou para menos, dependente do êxito estratégico do governo oriundo das forças populares. Na base social e eleitoral, evidenciada pelas eleições locais para deputados, o resultado foi de franco crescimento.

Na nova realidade de forças emergida das urnas, no governo, no Congresso e na sociedade, tendo por vértice a sustentação ao projeto vitorioso nas urnas, nomeadamente mais à esquerda pelos compromissos e orientação dados por Dilma, será necessário examinar acuradamente as transformações pelas quais passa a sociedade brasileira, refletida em novas contradições emergentes, no ideário e comportamento político de vastas camadas sociais de extração média, particularmente de novos estratos trabalhadores nos grandes centros urbanos. Eles foram alvo de intensa disputa política e midiática, e capturados em boa medida pela pregação conservadora – em especial no desapreço cidadão aos partidos políticos.

Os resultados representam, assim, a exigência de exame profundo em cada Estado e nacionalmente, para formular políticas novas para o PCdoB, partindo do esforço para situá-lo na nova realidade criada pela vitória nacional de Dilma Rousseff, em meio a desafios novos e ingentes.

(Final)

O PCdoB nas eleições: IV- O debate sobre os resultados eleitorais

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O PCdoB nas eleições

Partilho com os leitores os dados coligidos sobre as eleições 2014, para embasar a discussão da direção nacional que se reúne neste fim de semana. Os resultados do PCdoB estão contextualizados como parte da disputa política de alto teor, travada entre avanço e retrocesso. E motivam o debate sobre a realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais fundamentais ao processo de avanço das mudanças iniciadas por Lula em 2003. Neste e próximos artigos, dados são apresentados sobre as eleições presidenciais, as majoritárias nos Estados, e as proporcionais para as coligações partidárias.

IV- O debate sobre os resultados eleitorais

Nesta quarta parte do artigo, examina-se a distribuição dos votos do PCdoB.

Na tematização proposta pelo CC que conduziu às orientações do 8º Encontro Nacional sobre Questões de Partido, a distribuição de votos no PCdoB, segundo capitais e grandes municípios, teve comportamento que precisa ser correlacionado com o que ocorreu com a votação de Dilma Rousseff.

Para deputado federal, nas capitais o PCdoB teve 36% menos votos que em 2010, índice maior que os cerca de 31% a menos na votação total. A queda foi puxada primordialmente pela região SE, com registro de menos 57,5% de votos com respeito a 2010. Na região N, o decréscimo foi de 34% (AC 69% e PA 50%); na S, 26% (PR 83% e RS 40%); na NE a redução foi de 15% – abaixo portanto da média nacional (PI 54%, CE 39% e BA 38%). Positivamente, os maiores incrementos se deram nas capitais de SE (3028%), SC (290%), MA (89%), PB (90%) e PE (10%).

No interior a votação a federal teve, portanto, queda menos acentuada, 27,9%, sendo que nas cidades com mais de 100 mil habitantes foi de 28,5% (próximo da queda da votação nacional). Depreende-se daí o aumento relativo, mas discreto, de votação em cidades com mais de 100 mil habitantes; nas cidades com menos de 100 mil hab. a queda foi de 30,3%.

Na eleição nacional a deputados estaduais (cuja proporção de votos válidos foi de 2,8%, próximo da votação de 2010 a deputado federal), verifica-se votação cerca de 15% maior que em 2010, sendo que nas capitais observou um decréscimo de 7%. Contraditoriamente, a votação de legenda do PCdoB, favorecida pelas chapas próprias, incrementou-se 147%, elevando-se em 26 capitais (exceção do DF).

O aumento nacional portanto se deveu ao interior, com 22,5% a mais em votos – índice composto por 18,3% mais votos em cidades com mais de 100 mil eleitores e 26,6% dos votos em cidades com menos de 100 mil eleitores, confirmando a tendência já observada anteriormente nestas pequenas cidades.

De todo modo, verifica-se que a votação partidária aproxima-se cada vez mais da pirâmide do eleitorado brasileiro em sua distribuição segundo tamanho dos municípios.

A proporção de votos válidos nas capitais sobre o total do país corresponde, na pirâmide eleitoral, a cerca de 23 ou 24% do total dos votos válidos nacionais e o PCdoB fez 28,4% a federal e 25,5 % a estadual nas capitais. Entretanto, em que pese ser a interiorização um dado também importante, a votação nas capitais observou redução relativa dos votos com respeito a 2010, confirmando mais uma vez a preocupação alertada desde o 8º Encontro Nacional. Um pouco melhor é que se prossegue avançando em maior inserção nos municípios com mais de 100 mil habitantes, onde se obteve um aumento de 18,27% para estadual. No entanto, nesses mesmos municípios registrou-se um decréscimo de 28,54% para federal.

Em termos de tamanho da votação regional, entretanto, não há a mesma distribuição sincrônica: permanece o diferencial de representação do PCdoB no Nordeste. A redução de votos a federal foi mínima no Nordeste e máxima no Sudeste; o aumento de votos a estadual foi abaixo da média nacional nas regiões Sudeste, Norte e Nordeste, e foi máximo na região Sul.

(continua na parte V)

 

O PCdoB nas eleições: III- O PCdoB nas eleições proporcionais

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O PCdoB nas eleições

Partilho com os leitores os dados coligidos sobre as eleições 2014, para embasar a discussão da direção nacional que se reúne neste fim de semana. Os resultados do PCdoB estão contextualizados como parte da disputa política de alto teor, travada entre avanço e retrocesso. E motivam o debate sobre a realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais fundamentais ao processo de avanço das mudanças iniciadas por Lula em 2003. Neste e próximos artigos, dados são apresentados sobre as eleições presidenciais, as majoritárias nos Estados, e as proporcionais para as coligações partidárias.

III- O PCdoB nas eleições proporcionais

Resumindo os artigos anteriores, o PCdoB foi parte destacada da maior vitória de 2014, a reeleição de Dilma Rousseff, a mais disputada desde 1989. Elegeu, pela primeira vez na história do Partido, um governador de Estado, Flávio Dino, numa batalha de grande significado histórico para o Maranhão e todas as forças progressistas e de esquerda do Brasil. Governará um estado com 6,85 milhões de habitantes, 3,4% da população brasileira, o 10º maior do país, e o 16º PIB entre os estados da Federação. Tal vitória coroa o preceito, perseguido há quase uma década, de dar protagonismo eleitoral nas eleições majoritárias à legenda 65, do PCdoB. Elegeu ainda o vice-governador no Rio Grande do Norte, Fábio Dantas. Perde uma cadeira no Senado Federal, a despeito das boas votações de Perpétua Almeida no Acre, e de Ricardo Gomyde no Paraná. Participou em coligação da vitória de 12 governos estaduais, em sustentação a Dilma Rousseff. Nas eleições ao Senado, perdeu duas disputas, mas com boa votação de dois candidatos lançados, pelo Acre e Paraná, e coligou-se na vitória de 11 senadores.

Nas eleições proporcionais, o PCdoB elegeu 10 federais em 9 Estados, totalizando 1,98% dos votos válidos nacionais – 1.913.015 votos. Ao mesmo tempo, elegeu bancada de 25 deputados estaduais por 16 Estados, com um total de 2,8% dos votos válidos nacionais – 2.754.206 votos.

Os resultados proporcionais alcançados pelo PCdoB se dão no âmbito da grande disputa política presidencial entre dois campos políticos, extremamente radicalizada, cuja votação, positivos com a quarta vitória popular com Dilma Presidenta, marcou os resultados políticos das forças que a sustentaram. A isso se somam fatores da tática eleitoral ou de condução política, bem como de desempenho de mandatos e da força partidária.

O PCdoB fez como maior votação proporcional 2.754.206 mil votos, 2,8% dos votos válidos, na eleição a deputado estadual. Esse índice não se realizou nas eleições proporcionais nacionais, a deputado federal, onde alcançou 1.913.015 votos, 1,98% dos válidos, 31,5% a menos que na eleição anterior.

Em 2010 esses índices foram, para federal 2,85% e para estadual, 2,43%. Ou seja, o PCdoB elevou sua votação a estadual – que manteve o mesmo índice praticamente que nas eleições a federal de 2010 – e diminuiu sua votação a federal.

A votação proporcional federal se reduziu em 30,4% com respeito a 2010, levando à redução de 1/3 da bancada eleita, de 15 para 10 cadeiras. O PCdoB passou da 12ª bancada na Câmara eleita em 2010 para 17ª posição, mudanças de posição relativas devidas ao PSD, PRB, SD, PROS e PPS (estes dois últimos respectivamente com 2,04 e 2,02% dos votos válidos, contra 1,98% do PCdoB).

Para deputado estadual, a votação se elevou em 15,8%, levando a 25 eleitos, um incremento de 38,9% com respeito aos eleitos em 2010 (37,5% sobre as cadeiras detidas em outubro/2014). Alcançou-se a primeira suplência no AP, ES e RO; e, em chapas próprias, em outros 6 Estados onde se venceu as eleições ao governo – MA, BA, CE, MG, AC e RN. O PCdoB, representado em Assembleias Legislativas de 16 Estados, ocupa a 12ª posição nacional nesse quesito. Dos 16 Estados, 7 deles elegeram em chapas próprias da legenda, com 13 eleitos; os demais 9 Estados elegeram em coligações variadas 12 deputados.

Os federais foram eleitos em 9 Estados: BA, CE, MA, MG, PE, PR, RJ, RS e SP. Os estaduais foram eleitos em 16 Estados: AM, BA (3), MA (3), MG (3), CE (2), SP (2), RS (2), PA, RJ, SC, GO, SE, PB, RN, AC, RR. Em PE e PR foram eleitos, portanto, os federais sem a eleição de estaduais.

Não foram reeleitos 5 atuais deputados federais: Milhomem no AP; Assis no RS; Cadoca em PE, que ingressou no PCdoB em 2013; Protógenes Queiroz em SP e Osmar Jr, no PI, o que demanda exame político e de campanha mais acurado, desde erros de mandato, até erros de tática eleitoral ou de condução de campanha.

Restaram duas primeiras suplências, quatro segundas suplências e seis terceiras suplências. Algumas delas são importantes porquanto se venceu ao governo, com possibilidades políticas de que assumam a titularidade.

A distribuição desses votos segundo a pirâmide do eleitor brasileiro dará indicações importantes sobre o comportamento eleitoral da legenda comunista nestas eleições.

Em termos de região, o decréscimo da votação proporcional a federal do PCdoB foi maior que o total nacional (31,5%) na região SE: 52%, sendo de 67% no RJ; no S: 43%, sendo de 66% no RS; no N: 28%, sendo de 48% no AC; no NE: 2,5%, sendo de 38% no CE e de 28% no PI; no C-O: 31%.  No Maranhão, houve notável incremento de votos, de 237%; no PR, 50,8%, em SC 53%.

Tais números por região são correlatos com o fato de que não se recandidataram este ano a federal, por diferentes razões, Manuela D’Avila, Aldo Rebelo, Perpétua Almeida e João Ananias, mais Gustavo Petta que assumiu como suplente. Os quatro primeiros haviam somado, em 2010, 776.652 votos, não inteiramente repostos. Comparece também para rebaixar o índice nacional alcançado de votos válidos para federal (1,98%) a queda dos votos de legenda (de 44%), maior na região SE (75%), notadamente a de São Paulo (87%, mas considerando um ponto fora da curva em 2010, com Netinho Senador), embora não tivéssemos chapa própria a federal em nenhum caso. Na BA há notável constância no voto de legenda, sem elevação entretanto. Positivamente, aumentaram muito os votos de legenda onde havia candidatos majoritários: MA, 86%; PR 660%; e AC, 135%, demonstrando mais uma vez o papel de candidaturas majoritárias na tática eleitoral de acumulação de forças e de promoção da identidade partidária 65.

Para deputado estadual, o incremento da votação nacional de 15,8% foi puxado para cima pelos resultados da região S, com incremento de 91%, expressivamente com a candidatura Manuela D’Avila no RS, com 129%. A região N ficou na média nacional com 16,8%; as regiões SE e NE ficaram com incremento de, respectivamente, 9% e 7%, abaixo da média nacional.  A redução foi maior no PI, 88%; PE, 72% e DF, 50%. O incremento maior foi na PB, 850%; RS, 129%; CE, 101% e MA, 59%.

(continua na parte IV)

O PCdoB nas eleições: II- As eleições proporcionais

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O PCdoB nas eleições

Partilho com os leitores os dados coligidos sobre as eleições 2014, para embasar a discussão da direção nacional que se reúne neste fim de semana. Os resultados do PCdoB estão contextualizados como parte da disputa política de alto teor, travada entre avanço e retrocesso. E motivam o debate sobre a realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais fundamentais ao processo de avanço das mudanças iniciadas por Lula em 2003. Neste e próximos artigos, dados são apresentados sobre as eleições presidenciais, as majoritárias nos Estados, e as proporcionais para as coligações partidárias.

II- As eleições proporcionais

Na eleição à Câmara dos Deputados, os partidos coligados nacionalmente em torno da candidatura presidencial de Dilma – PT, PMDB, PDT, PCdoB, PP, PR, PSD, PROS, PRB – foram majoritários, alcançado 304 das 513 cadeiras. Manteve assim, praticamente, o mesmo número de 299 cadeiras eleito em 2010. Alcançaram-se quase 54 milhões de votos proporcionais, 55,6% do total de votos válidos proporcionais a federal.

Os que apoiaram Aécio fizeram 128 cadeiras – PSDB, DEM, PTB, SD, PMN, PEN, PTN, PTC, PTdoB – perfazendo pouco menos de 28 milhões dos votos válidos, 25,5% do total.

Aqueles com Marina, 53 – PSB, PPS, PPL, PRP, PSL e PHS. Fizeram 10,8 milhões de votos, 1,2% do total.

As demais 28 cadeiras ficaram com partidos com candidaturas avulsas. Entretanto, 6 novos partidos alcançaram representação, o que resultou em maior pulverização de legendas com mandatos, com consequente redução de bancadas para a imensa maioria delas. Com relação a 2010, cresceu expressivamente apenas o PRB. O PSB e PSDB praticamente estagnaram, com ligeira diminuição dos votos obtidos em 2010. O DEM e o PV lideram largamente as maiores perdas relativas. Partidos constituídos após a eleição de 2010, como PROS, SD e PSD, também ostentaram perdas com respeito às bancadas que compuseram até se abrir o processo eleitoral de 2014.

Fora os citados, nos termos médios todos os demais partidos perderam vagas, ou oscilaram minimamente. O resultado do bloco de partidos com Dilma foi inferior aos de 2010 em 61 cadeiras. A queda foi encabeçada em termos absolutos pelo PT e PMDB – 18 e 12 vagas, respectivamente, mesmo assim mantendo as duas maiores bancadas do Congresso. Em termos de votação nesse bloco, o PT perdeu com respeito a 2010 18,3% dos votos; PR, 23,5%; PMDB, 15,1%; PP, 14,2%; PDT e PCdoB em torno de 31-32%. Só o PRB aumentou expressivamente nessa comparação: 150%. As forças de esquerda da coligação (PT-PDT e PCdoB), portanto, perderam, respectivamente, 18%, 28% e 30% dos votos alcançados em 2010.

Os de Aécio também perderam vagas no total da Câmara, com variações mínimas para mais ou para menos para todos os partidos, excetuado o já citado DEM. Entre os que apoiaram Marina, não houve grande variação no número total de vagas, apenas a variação para menos do PPS e, para mais, do PHS. O PSB manteve o mesmo número de deputados eleitos em 2010, mas reduziu em 8,5% sua votação proporcional.

Nas demais coligações presidenciais, o PSOL elevou sua votação proporcional em 52,7%, perfazendo 1,98% dos votos a deputado federal, elegendo 5 deputados, sendo a 18a. votação proporcional entre todos os partidos.

De conjunto, há leve oscilação para cima nas bancadas da direita, para baixo quanto às de esquerda, e crescimento mais acentuado (e pulverizado) ao “centro”.

As campanhas proporcionais ficaram quase até o fim da campanha no limbo, em termos de atenção e polarização do eleitorado. Atuou aí a polarização centrada na disputa presidencial (nem sequer as estaduais, no 1º turno, salvo poucas exceções, como PE), e o sentimento antipolítica em boa parcela da população.

É nesse alinhamento que se inseriu o PCdoB.

(continua na parte III)

O PCdoB nas eleições: I – As eleições presidenciais

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O PCdoB nas eleições

Partilho com os leitores os dados coligidos sobre as eleições 2014, para embasar a discussão da direção nacional que se reúne neste fim de semana. Os resultados do PCdoB estão contextualizados como parte da disputa política de alto teor, travada entre avanço e retrocesso. E motivam o debate sobre a realidade política e social no país, as transformações nas camadas sociais e seu posicionamento político, a maior ou menor identidade do PCdoB com segmentos sociais fundamentais ao processo de avanço das mudanças iniciadas por Lula em 2003. Neste e próximos artigos, dados são apresentados sobre as eleições presidenciais, as majoritárias nos Estados, e as proporcionais para as coligações partidárias.

I- As eleições presidenciais

O PCdoB foi parte destacada da maior vitória de 2014, a reeleição de Dilma Rousseff, a mais disputada desde 1989. A batalha travada nas eleições, concentradamente, foi da pregação do antipetismo, que é uma onda contra o governo Dilma e a esquerda brasileira, com grande exacerbação política, explorada à direita e à “esquerda”. As manifestações de 2013, entre intenções e manipulações, foram em boa medida capturadas contra o projeto vitorioso nas urnas. O voto de opinião para deputados, por exemplo, foi amplamente conservador e reacionário, ou despolitizado como anti-política, além de voto de opinião por causas segmentares.

Nesse clima, Dilma Rousseff venceu as eleições do 1º turno com 41,59% dos votos, indo ao segundo turno com Aécio que obteve 33,55%. Marina ficou com 21,3% dos sufrágios.

A votação de Dilma foi a menor obtida em primeiro turno desde 2002-2010 (respectivamente 46%, 49% e 47%). Ela venceu 14 Estados, somando quase 60% dos votos na região Norte, 50,5% no Nordeste. Perdeu em 2 Estados para Marina Silva (AC e PE) e, no restante, para Aécio, que a superou nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Venceu em 11 capitais do país – todas no N e NE -, contra 10 de Aécio – com exceção de RR, todas no S, SE e C-O -e 5 de Marina (RJ, PE, AC, TO e AL).

Dilma Rousseff alcançou média nacional em torno de 53% dos votos nos municípios de até 50 mil eleitores de todo o país, 38,7% naqueles entre 50 e 200 mil eleitores, 32% nos de mais de 200 mil eleitores. Aécio Neves teve distribuição mais equilibrada em todos eles, em torno de 33-35%. Marina, por sua vez, alcançou total de 27% dos votos nos municípios acima de 2oo mil eleitores, decaindo para 22% nos de 50 a 200 mil eleitores e, entre os demais, chegando até 11-15%. Comparativamente a 2010, 1º turno, constata-se que a votação de Dilma decaiu em torno de 13-15% nos municípios de 50 a 200 mil eleitores, e 22% naqueles com mais de 500 mil eleitores. Evidentemente, essa distribuição difere segundo as regiões do país.

No segundo turno, Dilma obteve 51,64% dos votos, contra 48,36% de Aécio; em números, 54,5 milhões contra 51 milhões de votos. Ganhou em 15 Estados e obteve maioria nas regiões N elevando sua votação do 1º turno no AM, PA, AP e TO; e no NE, espetacularmente, ampliando sobremaneira sua votação em PE. Na região SE, secunda Aécio: vence em MG e RJ (aumentando a votação em respectivamente 9% e 20% com respeito ao 1º turno) e amplia sua votação em 10% em SP. Nas regiões C-O e S fica atrás do oponente. Dilma venceu em 15 Estados, 3527 cidades do país (contra 2043 de Aécio) e em 59 das 99 cidades em que Marina havia vencido no 1º turno. Praticamente metade dos 54,5 milhões de votos vieram das regiões Sul e Sudeste; outros 35,5% vieram da região Nordeste.

Nas capitais, Dilma venceu em 12, e obteve no total do país 11,5 milhões de votos, 21% do total de sua votação (quando o eleitorado das capitais corresponde a cerca de 23-24% do país). Aécio obteve nelas um total de 13,5 milhões de votos, 26,5% de sua votação no país, vencendo em 15 delas. Em 10 dessas 15 capitais Aécio ultrapassou 60% dos votos; das 12 vencidas por Dilma, em apenas 4 ela superou 60% dos votos. Na capital de SP, a disputa ficou em 63,8% para Aécio e 36,2% para Dilma, ou seja, Aécio obteve aí 1.790.3340 votos a mais que Dilma.

As abstenções, nulos e brancos ficaram dentro da média dos últimos anos: respectivamente 21,1% e 6,34% (somando 27,4%), o que refletiu a disputa muito renhida e polarizada. Na capital de SP esses índices somaram 31,5%.

As eleições aos governos estaduais

A eleição de governadores se resolveu no primeiro turno em 13 Estados. O PMDB teve 4 eleitos, o PT 3, PSDB 2, o PCdoB, PSB, PDT e PSD 1 cada. Apenas 4 dos 18 que disputavam a reeleição foram confirmados no primeiro turno, o restante indo a uma segunda volta com exceção do DF, onde foi derrotado o governador. Nos demais 14 Estados foram ao segundo turno 8 do PMDB, 6 do PSDB, 4 do PT e do PSB, e 1 cada do PROS, PSD, PDT, PR, PRB e PP.

Com os resultados do segundo turno, o quadro de governos estaduais revelou grandes mudanças de grupos políticos no comando, num total de 11 Estados. O quadro de conjunto para os partidos governantes ficou assim constituído:

O PMDB faz 7 governadores, a maioria, mas perdeu com grupos políticos longevos no AM, RN, PA e MA, além do CE. Governará 20% da população, compondo 21,6% das receitas líquidas do total de governos estaduais do país.

O PT e PSDB empatam com 5 conquistas. O PSDB governará 35,7% da população, entretanto 60% disso se deve ao Estado de SP. Decresceu no sentido de lidar com 39,3% das receitas, contra 50,3% nas eleições de 2010.

O PT, com 5 conquistas, governará 24,1% da população e lidará 18,8% das receitas, Perde o RS e o DF mas ganha MG e CE, retomando o PI; reelegeu na BA e AC.

O PSB recuou dos 6 governos eleitos em 2010, com 8,3% da população e 11,9% das receitas, para 3 Estados, com 7,9% da população e 8,3% das receitas.

O maior recuo foi do DEM, que nada conquistou. PDT (2 conquistas), PSD (2), PROS (1) e PP (1) mantiveram relativamente suas posições estaduais em governos.

O PCdoB conquistou seu primeiro governo estadual, para governar 3,4% da população, o 10º do país, e lidar com 1,9% das receitas estaduais e o 16º PIB do país. Foi também a vitória relativa mais pronunciada às eleições estaduais em todo o país e, ainda, onde a votação presidencial em Dilma alcançou o maior índice do país.

Além disso, o partido elegeu um vice-governador e integrou coligação a governador vitoriosa nas urnas em outros 11 Estados.

As eleições ao Senado

Ao Senado Federal, eleição também majoritária resolvida no 1º turno, 11 partidos elegeram 27 senadores, sendo 5 do PMDB, 4 do PSDB, 3 cada do DEM, PDT e PSB, 2 cada do PT, PSD, PTB, e 1 cada do PDT, PP e PR. Com isso, a nova composição do Senado mantém o PMDB como a maior bancada, com 19 senadores, seguida do PT com 13, PSDB 10, PSB 7, PDT 6, PP e DEM com 5, PSD, PR e PTB com 3, e o restante com 1 vaga: PCdoB, PROS, PSOL, SD, PRB e PSC (o PPS assumirá uma vaga como suplente).

Os partidos coligados nacionalmente com Dilma perfazem 65% das cadeiras do novo Senado, 53 em 81. Mas o comportamento das bancadas não é alinhado em todos os casos com a posição nacional da legenda, como no caso do PMDB ou PDT, entre outros.

O PCdoB integrou coligação que elegeu 11 senadores, não tinha compromisso político em um Estado (GO), e perdeu a disputa com candidato da legenda no Acre e Paraná. No total do país alcançou 803 mil votos, 0,9% dos válidos, para seus candidatos a senador. Perpétua Almeida perfez 36,5% dos votos válidos no Acre e Ricardo Gomyde 12,5% no Paraná. Elegeu o 1º suplente no Rio de Janeiro e o 2º suplente em MT. Os partidos coligados nacionalmente com Dilma perfazem 65% das cadeiras do novo Senado, 53 em 81. Mas o comportamento das bancadas não é alinhado em todos os casos com a posição nacional da legenda, como no caso do PMDB ou PDT, entre outros.

(continua na parte II)