Por que tantos americanos temem muçulmanos? Décadas de negação sobre o papel dos EUA no mundo (por Jon Schwarz)

A ORDEM EXECUTIVA de Trump que proíbe a entrada de muçulmanos no país tem recebido muita atenção da oposição, de protestos a ordens judiciais. Mas as pesquisas mostram com clareza que a opinião pública é bem mais heterogênea.

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As guerras do século XXI: tanques e ciberataques no mesmo campo de batalha (por Jesús Rodríguez)


As guerras do século XXI são híbridas e também convencionais, de alta e baixa intensidade, com divisões acorazadas e vírus informáticos. Vivemos o momento de maior incerteza da história recente Continue lendo

Donald Trump, o “exit” dos EUA

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Recentemente, a propósito da situação brasileira, me vali de citação de J. M. Thompson na obra Napoleón Bonaparte, abrindo o capítulo da campanha na Espanha do genial estrategista, por onde começaria a derrocada consumada em Waterloo:

Suponha um amontoado de fatos, alguns promovendo a sobrevivência, outros a destruição; suponha ainda que eles se sobrepõem no tempo, de modo que o espectador no litoral da história não consegue saber ao certo se a maré ainda está virando: mesmo assim, se ele for suficientemente observador, notará uma onda que se eleva sobre todas as outras, e uma que assinala o primeiro malogro em alcançar aquele nível. Continue lendo

Virus imperialista ameaça a humanidade

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Zillah Branco*

Está à vista uma ação combinada para pressionar mais fortemente os vários países que foram contaminados pela “doença política” do neo-liberalismo. Esta doença minou os Estados que defendem os interesses exclusivos do mercado capitalista, mais preocupados em aumentar os depósitos financeiros nos bancos de que investir na produção nacional e nos serviços sociais para atender as populações com bons serviços de saúde, ensino, previdência, transportes, habitação e emprego. Continue lendo

América Latina, avanços e desafios revolucionários

Albano Nunes

América Latina, avanços e desafios revolucionários

Posto com contentamento artigo lúcido do dirigente comunista Albano Nunes, de Portugal, publicado originalmente em O Militante, edição 334 de jan/fev 2015. Nele se abordam os desafios da América Latina e Caribe, e se incluem avaliações importantes sobre a situação dos países constantes. Devo a iniciativa ao sempre atento e lúcido Sérgio Barroso, que estimula enriquecer este Blog. Recomendo a leitura!

 

América Latina, avanços e desafios revolucionários

Por Albano Nunes

A América Latina1 é hoje sinónimo de esperança para todos os comunistas, revolucionários e combatentes anti-imperialistas.

E há fortes motivos para isso.

Em contraste com a situação noutros pontos do mundo onde o imperialismo está na ofensiva – apesar de duras lutas desconhecidas mas que existem e que um dia nos surpreenderão a todos como a Revolução de Abril surpreendeu – na América Latina a tendência que se tem afirmado nos últimos anos é de sentido democrático, progressista, anti-imperialista.

É certo que, mesmo quando estamos diante de processos que se reclamam do «socialismo», não se trata ainda de revoluções socialistas, revoluções em que se afirma o papel dirigente da classe operária e do seu partido de vanguarda, e em que profundas transformações políticas, económicas e sociais arrancam o poder económico e político ao grande capital e o transferem para a classe operária e seus aliados, a começar pelo campesinato que tem em toda a região um incontornável peso social. Só em Cuba se realizou uma revolução profunda, em que o poder passou para os trabalhadores e em que, sob a direcção do Partido Comunista de Cuba, se constrói uma sociedade socialista que, graças à heróica resistência do povo cubano às arremetidas do imperialismo para subverter e liquidar as suas conquistas, tem constituído um exemplo e um estímulo poderoso para a luta libertadora dos povos da América Latina e Caraíbas e de todo o mundo.

Mas os processos de natureza revolucionária que, com maior ou menor profundidade se desenvolvem em países como a Venezuela, a Bolívia, ou mesmo a Nicarágua e o Equador, distintos entre si mas idênticos na sua natureza democrática, popular, progressista, anti-imperialista, são extraordinariamente importantes. Eles confirmam que é possível com a mobilização das massas populares arrancar posições ao grande capital e ao imperialismo, colocar os recursos nacionais ao serviço do progresso social e avançar na erradicação da pobreza e das mais gritantes injustiças e desigualdades sociais, na concretização de aspirações fundamentais como ao trabalho com direitos, à Saúde, à Segurança Social, à Educação e à Cultura.

E mesmo processos que se desenvolvem noutros países onde o poder económico do grande capital e as relações capitalistas de produção praticamente não foram atingidas, processos contraditórios mas com forte conteúdo democrático e de soberania e reconhecidos progressos sociais – como no Brasil após a primeira vitória de Lula em 2002 – convergem com os processos revolucionários e devem ser valorizados, quanto mais não seja pela posição positiva que ocupam no complexo processo de rearrumação de forças no plano mundial.

Aliás, para ajuizar da importância dos processos de mudança e das tendências positivas que actualmente prevalecem na América Latina e Caraíbas, basta atentar no visível recuo da influência dos EUA para quem a América Latina era considerada com desdenhosa arrogância o «pátio das traseiras». Recuo que inquieta particularmente os círculos mais reaccionários e agressivos norte-americanos e em que são de destacar a derrota das tentativas para isolar e derrotar Cuba, o fiasco do ALCA2, o fracasso de todo um conjunto de operações golpistas com que os EUA têm pretendido desestabilizar a situação e derrubar governos legítimos, como na Venezuela, Bolívia e Equador3, fracasso em que foi determinante a decidida intervenção das massas populares.

Seria errado não valorizar os ventos de mudança que percorrem a América Latina e o seu grande alcance internacional, erro que só o desconhecimento ou critérios dogmáticos e sectários podem justificar. Mas não seria menos errado não ver os limites e contradições dos processos em curso, que requerem não apenas consolidação mas aprofundamento com medidas de natureza estrutural que modifiquem radicalmente uma correlação de forças que, nomeadamente nos planos económico e mediático, é ainda favorável ao grande capital e ao imperialismo.

Duramente golpeado, mas de modo algum se pode considerar que as oligarquias reaccionárias e o imperialismo, e em primeiro lugar o imperialismo norte-americano, estejam derrotados e anulada a sua capacidade de subversão – como aliás mostram os golpes nas Honduras e no Paraguai4 –, ou mesmo afastada a ameaça de intervenção militar directa através da densa rede de bases militares que mantêm na região5. Aliás, os EUA, que não escondem o desejo de desenterrar a famigerada doutrina Monroe6, trabalham activamente com os seus agentes autóctenes para reverter a situação e recuperar as posições perdidas. Toda a vigilância é pouca. O alerta contido na Declaração de La Paz do XX Encontro do Forum de São Paulo em relação às manobras subversivas dos EUA é muito significativo.

O imperialismo norte-americano, que veio substituir o colonialismo espanhol e português no início do século XIX e sobrepor-se ao imperialismo britânico e de outras potências europeias, e que não vê com bons olhos as pretensões imperialistas da União Europeia em relação à América Latina e Caraíbas, continua a ser o inimigo número um dos povos latino-americanos, e é principalmente contra ele que é necessário construir alianças e concentrar o fogo da luta pela soberania nacional, o progresso social e o socialismo.

A luta de classes em cada país, a começar pela que opõe a classe operária e as massas camponesas ao grande capital e aos grandes agrários, não é contraditória, antes se une dialecticamente à luta anti-imperialista em defesa da soberania e da independência nacional, de tão estreita que é a ligação entre as classes dominantes no plano interno e o grande capital transnacional. A defesa da soberania é uma componente fundamental dos processos de cooperação e integração que, da ALBA7 ao Mercosur, da CELAC e da UNASUR ao PetroCaribe e ao Banco Sur, se desenvolvem na região e que, com natureza e âmbitos diferenciados convergem num mesmo sentido anti-imperialista.

É por isso que na solidariedade internacionalista para com os trabalhadores e os povos da América Latina e Caraíbas é necessário não perder de vista, no emaranhado de contradições e na muita novidade que marcam a realidade social e política diversificada daqueles países, que a contradição com o imperialismo norte-americano é particularmente aguda e que na primeira linha da luta revolucionária está o combate às suas tentativas para reconquistar a hegemonia perdida. Tentativas que passam por reverter e derrotar os processos revolucionários em curso e por enfraquecer e cindir a aliança anti-ianque que, mesmo não isenta de contradições (como as que resultam das aspirações de potência do Brasil), tem vindo a ser construída sob a bandeira bolivariana da «nossa América», na qual Cuba e Venezuela desempenham papel determinante mas que passa também pela convergência com grandes países capitalistas, como o Brasil ou a Argentina.

É neste quadro que consideramos o importante significado da derrota da grande coligação das forças reaccionárias brasileiras com o imperialismo para derrotar a candidatura de Dilma Roussef à presidência do Brasil, tendo como objectivo interromper e inverter o processo iniciado a partir da primeira vitória do PT e dos seus aliados (em que se inclui o PC do B) nas eleições presidenciais no Brasil. Sendo certo que por si só a reeleição de Dilma de modo algum assegura a continuação e o necessário aprofundamento do processo – que exige reformas estruturais de fundo só possíveis com a mobilização da classe operária e das massas para vencer a resistência de um burguesia poderosa e alterar uma correlação de forças que continua a ser desfavorável às forças revolucionárias e de esquerda a nível das instituições8 –, é uma evidência que a vitória do candidato da direita abriria caminho à ofensiva, não apenas para inverter o curso político no Brasil mas para reverter as tendências libertadoras que percorrem a América Latina.

É de estranhar que, sem deixar de respeitar inevitáveis diferenças de opinião quanto à evolução da situação no Brasil, tenha havido não só quem não tenha compreendido este perigo, como tenha passado à crítica pública e ao anátema para com quem o compreendeu e se posicionou em conformidade.

Perspectiva histórica

A compreensão da actual situação na América Latina e a valorização dos avanços progressistas e anti-imperialistas alcançados não é possível sem ter em conta a História da região e a longa luta contra o colonialismo e o imperialismo, a escravização e o genocídio de que foram vítimas os povos indígenas, a terrível exploração dos operários nas minas ou dos «sem terra» nos latifúndios. Nada melhor do que ler essa magnífica obra de Eduardo Galeano, «As veias abertas da América Latina», para perceber esse grito de libertação que percorre todo o continente e que em Cuba, na Venezuela, na Bolívia e noutros países encontra eco em políticas de Estado que, prosseguindo vitoriosamente, arrancarão muitos milhões de pessoas da pobreza e do subdesenvolvimento em que, apesar de imensas riquezas naturais, têm estado mergulhados os povos latino-americanos.

Aquilo a que hoje assistimos tem muito de um segundo ciclo de libertação nacional, já que a conquista da independência formal no início do século XIX logo foi capturada pela dominação imperialista, apoiada em oligarquias locais que impuseram por toda a parte as mais ferozes formas de exploração e opressão. Não há país latino-americano que, por períodos mais ou menos prolongados, não tenha conhecido as mais cruéis ditaduras, de Baptista em Cuba, a Somoza na Nicarágua, ou a Strossner no Paraguai, sem esquecer as ditaduras militares que no quadro da «operação Condor» prenderam, torturaram e assassinaram milhares de pessoas, nomeadamente no Brasil, Argentina e Uruguai. A ditadura fascista de Pinochet no Chile perdurará como um dos símbolos mais tenebrosos do que é capaz o capital quando vê o seu poder ameaçado, como então aconteceu com o poderoso movimento popular chileno e o governo de Unidade Popular de Salvador Allende.

Os caminhos que a resistência e a luta popular percorreram na América Latina não podem aqui ser desenvolvidos. Mas seria imperdoável não sublinhar que os avanços das forças revolucionárias e progressistas que hoje se verificam são inseparáveis de grandes e heróicas lutas em que a classe operária e os partidos comunistas tiveram um papel histórico insubstituível. Foi contra eles que por toda a parte foi desencadeada a mais feroz repressão conduzindo em vários casos a um enfraquecimento que abriu espaço à emergência de forças e tendências de raiz pequeno-burguesa que, com as suas vacilações, radicalismo e impaciência, desvalorizando a acção de massas e absolutizando a acção armada, copiando experiências de outras latitudes, acabaram também eles duramente reprimidos e dizimados.

A história da luta armada na América Latina é muito complexa. Por um lado, tem raízes na própria realidade socio-económica e política, como é evidente no caso das FARC colombianas, a mais longa guerrilha latino-americana hoje oficialmente reconhecida e realizando com o governo conversações de paz em Havana9. Por outro lado, houve cópia mecânica de experiências (nomeadamente a da heróica guerrilha da Sierra Maestra) e influências externas, sobretudo maoistas, particularmente negativas. A verdade é que a violência da repressão impôs que em muitos países a acção armada se tornasse indispensável para alcançar a liberdade e de facto, quando ligada com a luta popular, foi instrumento decisivo para a libertação. Se houve importantes experiências guerrilheiras, rurais e urbanas, derrotadas, como na Venezuela, na Bolívia com Che Guevara, ou no Brasil, outras conduziram à vitória da revolução, como no caso de Cuba e da Nicarágua, e em El Salvador a poderosa Farabundo Marti conseguiu a conquista da liberdade e, mais tarde, o acesso ao poder. O protagonismo que militares patriotas e progressistas tiveram em vários países confirma que a força das armas era componente necessária à luta contra as ditaduras. Jacobo Arbenz (Guatemala), Velasco Alvarado (Perú), Juan José Torres (Bolívia), Torrigos (Panamá) promoveram importantes medidas de carácter nacionalista e anti-imperialista que suscitaram imenso apoio popular e grandes esperanças, sem entretanto consolidarem o poder e acabando derrubados por golpes contra-revolucionários e mesmo pela intervenção militar dos EUA, como aconteceu nomeadamente na Guatemala e na República Dominicana.

Esta breve pincelada sobre a revolução latino-americana não visa mais do que chamar a atenção para questões que os comunistas portugueses consideram fundamentais: a análise concreta da situação concreta e a perspectiva histórica. Não simplificar, não absolutizar, e sobretudo não formular juízos a priori dogmáticos. Se, por exemplo, é verdade que o movimento comunista latino-americano já foi mais forte do que hoje é, não é menos certo que não se teria chegado aqui sem ele. Quase todos os partidos comunistas, nascidos com a onda revolucionária que percorreu o mundo na sequência da Revolução de Outubro, foram os grandes caboqueiros da situação actual. Não é por acaso que a sua influência política e ideológica é bem maior do que a sua expressão orgânica ou eleitoral levaria a supor, como sucede por exemplo na Venezuela, no Uruguai ou no Brasil.

Para onde vai a América Latina?

A valorização dos ventos de mudança que sopram na América Latina não é contraditória com o reconhecimento dos limites, contradições e perigos que espreitam os processos revolucionários e outras mudanças de sentido democrático e progressista no continente.

A luta de classes é muito aguda e o imperialismo não dorme.

O capital, o grande capital associado ao imperialismo, dispõe de posições fortíssimas na economia, no aparelho de Estado, na comunicação social, no sistema de ensino e demais estruturas de reprodução ideológica, nas Forças Armadas. E, em geral, as forças que dirigem os processos são heterogéneas, a sua coesão está por vezes demasiado associada a figuras carismáticas, e são geralmente objecto de pressões ideológicas, frequentemente marcadas por preconceitos em relação ao marxismo-leninismo, aos partidos comunistas e à experiência histórica do socialismo. É, aliás, visível a intensa actividade desenvolvida por entidades como a Fundação Friedrich Erbert e outros sectores reformistas europeus.

É uma evidência, quer do ponto de vista da teoria marxista-leninista, quer do ponto de vista da experiência revolucionária, a começar pela experiência da revolução latino-americana, que não haverá processo revolucionário consolidado sem resolver a questão da vanguarda revolucionária, do Estado, da propriedade dos grandes meios de produção e, factor decisivo, o papel das massas populares, não apenas apoiando, mas intervindo de modo activo, consciente e criador.

O aprofundamento das transformações anti-monopolistas , anti-imperialistas e anti-capitalistas é uma questão que desde o Presidente Hugo Chaves está reconhecidamente colocada na Venezuela; reunir determinação política e força social e política para o conseguir é de vital importância não apenas para a revolução bolivariana mas para toda a América Latina.

Há interrogações e incertezas no horizonte que se prendem não só com a acção das forças contra-revolucionárias e a ingerência imperialista – que, em geral, sempre que puseram a cabeça de fora foram derrotadas –, mas também com a evolução da situação económica e das expressões da crise capitalista na periferia do sistema, assim como das consequências da baixa do preço do petróleo em países que, como no caso da Venezuela e da Bolívia, dependem em larga medida das receitas desta matéria-prima. As forças contra-revolucionárias espreitam a oportunidade para instrumentalizar dificuldades e problemas económicos para provocar descontentamento e agitação social e desestabilizar a situação política.

Mas os problemas, dúvidas e incertezas não podem conduzir a desvalorizar a importância daquilo que já foi alcançado no interesse das grandes massas historicamente exploradas e oprimidas (como no caso do campesinato indígena, hoje orgulhosamente «levantado do chão» na Bolívia), nem podem fazer esquecer que os caminhos do progresso social, obedecendo a leis de validade universal, são cada vez mais variados, marcados pela história e pelas particularidades nacionais dos diferentes países, não obedecem a «modelos» pré-definidos, são obra criadora das massas com a sua vanguarda revolucionária.

Também é necessário ter em conta que o processo libertador é irregular e acidentado, feito de avanços e recuos, de vitórias e derrotas, e que, vivendo nós na época da passagem do capitalismo para o socialismo que a Revolução de Outubro inaugurou, as etapas, formas e ritmos de avanço para o socialismo, dependendo da concreta situação e arrumação das forças de classe em cada país, são muito diversificadas.

Para onde vai a América Latina? Nada está escrito antecipadamente, mas as forças de classe em presença no continente e a agudização das contradições do sistema capitalista indicam que a par de grandes perigos – em que se incluem os que resultam no plano mundial da escalada militarista e agressiva do imperialismo – existem grandes possibilidades de transformação progressista e revolucionária. O exemplo de Cuba, que a poucas léguas da mais poderosa potência imperialista do mundo e sujeita a um criminoso bloqueio, persiste na via da construção do socialismo é a prova provada das possibilidades que se abrem à acção revolucionária das grandes massas. No 16.º Encontro de Partidos Comunistas e Operários realizado em Novembro em Guayaquil, no Equador, em que foi sublinhada a importância da mais ampla unidade das forças anti-imperialistas, ressaltaram aquelas duas facetas da realidade. Em qualquer caso, respeitando as opções dos seus camaradas latino-americanos, e procurando aprender com as suas experiências, o PCP será sempre solidário com a sua luta e com a luta das demais forças revolucionárias e anti-imperialistas da América Latina e das Caraíbas.

Notas

(1) Em geral a referência a América Latina deve ser entendida como englobando também a América Central e as Ilhas das Caraíbas.

(2) ALCA, «Área Livre de Comércio das Américas», projecto da Administração Clinton visando criar uma vasta área de «livre comércio» envolvendo 34 países, do Canadá à Argentina, excluindo Cuba. Este projecto de domínio dos EUA calendarizado para entrar em vigor em 2005 foi enterrado pela vasta luta popular que se desenvolveu contra ele e pela oposição de países como a Venezuela e o Brasil. Os EUA têm tentado substituí-lo por outros tratados, como é o caso da «Aliança do Pacífico», envolvendo países como o México, o Chile, o Perú, a Colômbia, a Costa Rica.

(3) Depois da derrota do golpe de 2002 em que durante 47 horas Chavez foi detido e afastado da Presidência da Venezuela, novamente fracassaram as tentativas de golpe de Estado contra os processos na Bolívia (2008) e Equador (2010), assim como a intentona fascista movida contra Nicolás Maduro após a sua eleição em Abril de 2013.

(4) Golpes de Estado articulados pelos EUA derrubaram os Presidentes Zelaya, nas Honduras (2009), e Lugo, no Paraguai (2012).

(5) Apesar de forçados a encerrar uma unidade tão importante como a de Manta, no Equador, os EUA mantêm na região, a pretexto do combate ao terrorismo e ao narcotráfico, a sua 4.ª esquadra naval e uma ampla rede de bases militares, além das que dispõe a Grã-Bretanha nas Malvinas e a França nas suas colónias de Guadalupe, Guianas Francesas e Martinica. De assinalar o recente pedido de adesão da Colômbia à NATO.

(6) Doutrina criada pelo presidente dos EUA James Monroe (1758-1831) que, sob a palavra de ordem «a América para os americanos» visou afastar a concorrência imperialista das potências europeias e dar cobertura a uma política expansionista em larga escala em terra das Américas.

(7) ALBA, «Aliança Bolivariana para as Américas», foi criada por iniciativa de Cuba e da Venezuela, em tratado assinado em Havana pelos Presidentes Fidel de Castro e Hugo Chavez, em Dezembro de 2004. Posteriormente aderiram ao ALBA a Bolívia (2006), a Nicarágua, Dominica, Equador, Antígua e Barbados e Vicente e Granadinas.

(8) Apesar da vitória do campo popular e progressista que significou a reeleição de Dilma Rousseff nas eleições de Outubro de 2014, o quadro de correlação de forças no Brasil permanece desfavorável no plano institucional, com a direita a conservar importantes posições no Congresso Nacional e nos governos estaduais. Esta realidade não pode deixar de influenciar a composição do Governo, sendo entretanto uma evidência que a inclusão de elementos ligados ao grande capital encerra sérios perigos.

(9) A origem das FARC, a organização guerrilheira que tem esse nome desde 1966, remonta aos anos 48-50 do século passado como movimento de auto-defesa camponês. Entre os seus dirigentes históricos contam-se um dos seus fundadores, Manuel Marulanda («Tirofixo»), Jacobo Arenas e Raul Reys, vilmente assassinado no Equador numa operação da aviação. Transformada num poderoso exército guerrilheiro, as FARC-EP têm sido acusadas de todos os crimes por aqueles mesmos que hoje são obrigados a reconhecer a sua importância política no cenário colombiano e a realizar negociações de paz a decorrer em Havana. Negociações difíceis e de desfecho incerto, tanto mais que o governo de Juan Manuel Santos se nega a interromper as operações militares, mas em qualquer caso bem expressivas da complexidade da realidade colombiana e latino-americana.