Virus imperialista ameaça a humanidade

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Zillah Branco*

Está à vista uma ação combinada para pressionar mais fortemente os vários países que foram contaminados pela “doença política” do neo-liberalismo. Esta doença minou os Estados que defendem os interesses exclusivos do mercado capitalista, mais preocupados em aumentar os depósitos financeiros nos bancos de que investir na produção nacional e nos serviços sociais para atender as populações com bons serviços de saúde, ensino, previdência, transportes, habitação e emprego. Continue lendo

América Latina, avanços e desafios revolucionários

Albano Nunes

América Latina, avanços e desafios revolucionários

Posto com contentamento artigo lúcido do dirigente comunista Albano Nunes, de Portugal, publicado originalmente em O Militante, edição 334 de jan/fev 2015. Nele se abordam os desafios da América Latina e Caribe, e se incluem avaliações importantes sobre a situação dos países constantes. Devo a iniciativa ao sempre atento e lúcido Sérgio Barroso, que estimula enriquecer este Blog. Recomendo a leitura!

 

América Latina, avanços e desafios revolucionários

Por Albano Nunes

A América Latina1 é hoje sinónimo de esperança para todos os comunistas, revolucionários e combatentes anti-imperialistas.

E há fortes motivos para isso.

Em contraste com a situação noutros pontos do mundo onde o imperialismo está na ofensiva – apesar de duras lutas desconhecidas mas que existem e que um dia nos surpreenderão a todos como a Revolução de Abril surpreendeu – na América Latina a tendência que se tem afirmado nos últimos anos é de sentido democrático, progressista, anti-imperialista.

É certo que, mesmo quando estamos diante de processos que se reclamam do «socialismo», não se trata ainda de revoluções socialistas, revoluções em que se afirma o papel dirigente da classe operária e do seu partido de vanguarda, e em que profundas transformações políticas, económicas e sociais arrancam o poder económico e político ao grande capital e o transferem para a classe operária e seus aliados, a começar pelo campesinato que tem em toda a região um incontornável peso social. Só em Cuba se realizou uma revolução profunda, em que o poder passou para os trabalhadores e em que, sob a direcção do Partido Comunista de Cuba, se constrói uma sociedade socialista que, graças à heróica resistência do povo cubano às arremetidas do imperialismo para subverter e liquidar as suas conquistas, tem constituído um exemplo e um estímulo poderoso para a luta libertadora dos povos da América Latina e Caraíbas e de todo o mundo.

Mas os processos de natureza revolucionária que, com maior ou menor profundidade se desenvolvem em países como a Venezuela, a Bolívia, ou mesmo a Nicarágua e o Equador, distintos entre si mas idênticos na sua natureza democrática, popular, progressista, anti-imperialista, são extraordinariamente importantes. Eles confirmam que é possível com a mobilização das massas populares arrancar posições ao grande capital e ao imperialismo, colocar os recursos nacionais ao serviço do progresso social e avançar na erradicação da pobreza e das mais gritantes injustiças e desigualdades sociais, na concretização de aspirações fundamentais como ao trabalho com direitos, à Saúde, à Segurança Social, à Educação e à Cultura.

E mesmo processos que se desenvolvem noutros países onde o poder económico do grande capital e as relações capitalistas de produção praticamente não foram atingidas, processos contraditórios mas com forte conteúdo democrático e de soberania e reconhecidos progressos sociais – como no Brasil após a primeira vitória de Lula em 2002 – convergem com os processos revolucionários e devem ser valorizados, quanto mais não seja pela posição positiva que ocupam no complexo processo de rearrumação de forças no plano mundial.

Aliás, para ajuizar da importância dos processos de mudança e das tendências positivas que actualmente prevalecem na América Latina e Caraíbas, basta atentar no visível recuo da influência dos EUA para quem a América Latina era considerada com desdenhosa arrogância o «pátio das traseiras». Recuo que inquieta particularmente os círculos mais reaccionários e agressivos norte-americanos e em que são de destacar a derrota das tentativas para isolar e derrotar Cuba, o fiasco do ALCA2, o fracasso de todo um conjunto de operações golpistas com que os EUA têm pretendido desestabilizar a situação e derrubar governos legítimos, como na Venezuela, Bolívia e Equador3, fracasso em que foi determinante a decidida intervenção das massas populares.

Seria errado não valorizar os ventos de mudança que percorrem a América Latina e o seu grande alcance internacional, erro que só o desconhecimento ou critérios dogmáticos e sectários podem justificar. Mas não seria menos errado não ver os limites e contradições dos processos em curso, que requerem não apenas consolidação mas aprofundamento com medidas de natureza estrutural que modifiquem radicalmente uma correlação de forças que, nomeadamente nos planos económico e mediático, é ainda favorável ao grande capital e ao imperialismo.

Duramente golpeado, mas de modo algum se pode considerar que as oligarquias reaccionárias e o imperialismo, e em primeiro lugar o imperialismo norte-americano, estejam derrotados e anulada a sua capacidade de subversão – como aliás mostram os golpes nas Honduras e no Paraguai4 –, ou mesmo afastada a ameaça de intervenção militar directa através da densa rede de bases militares que mantêm na região5. Aliás, os EUA, que não escondem o desejo de desenterrar a famigerada doutrina Monroe6, trabalham activamente com os seus agentes autóctenes para reverter a situação e recuperar as posições perdidas. Toda a vigilância é pouca. O alerta contido na Declaração de La Paz do XX Encontro do Forum de São Paulo em relação às manobras subversivas dos EUA é muito significativo.

O imperialismo norte-americano, que veio substituir o colonialismo espanhol e português no início do século XIX e sobrepor-se ao imperialismo britânico e de outras potências europeias, e que não vê com bons olhos as pretensões imperialistas da União Europeia em relação à América Latina e Caraíbas, continua a ser o inimigo número um dos povos latino-americanos, e é principalmente contra ele que é necessário construir alianças e concentrar o fogo da luta pela soberania nacional, o progresso social e o socialismo.

A luta de classes em cada país, a começar pela que opõe a classe operária e as massas camponesas ao grande capital e aos grandes agrários, não é contraditória, antes se une dialecticamente à luta anti-imperialista em defesa da soberania e da independência nacional, de tão estreita que é a ligação entre as classes dominantes no plano interno e o grande capital transnacional. A defesa da soberania é uma componente fundamental dos processos de cooperação e integração que, da ALBA7 ao Mercosur, da CELAC e da UNASUR ao PetroCaribe e ao Banco Sur, se desenvolvem na região e que, com natureza e âmbitos diferenciados convergem num mesmo sentido anti-imperialista.

É por isso que na solidariedade internacionalista para com os trabalhadores e os povos da América Latina e Caraíbas é necessário não perder de vista, no emaranhado de contradições e na muita novidade que marcam a realidade social e política diversificada daqueles países, que a contradição com o imperialismo norte-americano é particularmente aguda e que na primeira linha da luta revolucionária está o combate às suas tentativas para reconquistar a hegemonia perdida. Tentativas que passam por reverter e derrotar os processos revolucionários em curso e por enfraquecer e cindir a aliança anti-ianque que, mesmo não isenta de contradições (como as que resultam das aspirações de potência do Brasil), tem vindo a ser construída sob a bandeira bolivariana da «nossa América», na qual Cuba e Venezuela desempenham papel determinante mas que passa também pela convergência com grandes países capitalistas, como o Brasil ou a Argentina.

É neste quadro que consideramos o importante significado da derrota da grande coligação das forças reaccionárias brasileiras com o imperialismo para derrotar a candidatura de Dilma Roussef à presidência do Brasil, tendo como objectivo interromper e inverter o processo iniciado a partir da primeira vitória do PT e dos seus aliados (em que se inclui o PC do B) nas eleições presidenciais no Brasil. Sendo certo que por si só a reeleição de Dilma de modo algum assegura a continuação e o necessário aprofundamento do processo – que exige reformas estruturais de fundo só possíveis com a mobilização da classe operária e das massas para vencer a resistência de um burguesia poderosa e alterar uma correlação de forças que continua a ser desfavorável às forças revolucionárias e de esquerda a nível das instituições8 –, é uma evidência que a vitória do candidato da direita abriria caminho à ofensiva, não apenas para inverter o curso político no Brasil mas para reverter as tendências libertadoras que percorrem a América Latina.

É de estranhar que, sem deixar de respeitar inevitáveis diferenças de opinião quanto à evolução da situação no Brasil, tenha havido não só quem não tenha compreendido este perigo, como tenha passado à crítica pública e ao anátema para com quem o compreendeu e se posicionou em conformidade.

Perspectiva histórica

A compreensão da actual situação na América Latina e a valorização dos avanços progressistas e anti-imperialistas alcançados não é possível sem ter em conta a História da região e a longa luta contra o colonialismo e o imperialismo, a escravização e o genocídio de que foram vítimas os povos indígenas, a terrível exploração dos operários nas minas ou dos «sem terra» nos latifúndios. Nada melhor do que ler essa magnífica obra de Eduardo Galeano, «As veias abertas da América Latina», para perceber esse grito de libertação que percorre todo o continente e que em Cuba, na Venezuela, na Bolívia e noutros países encontra eco em políticas de Estado que, prosseguindo vitoriosamente, arrancarão muitos milhões de pessoas da pobreza e do subdesenvolvimento em que, apesar de imensas riquezas naturais, têm estado mergulhados os povos latino-americanos.

Aquilo a que hoje assistimos tem muito de um segundo ciclo de libertação nacional, já que a conquista da independência formal no início do século XIX logo foi capturada pela dominação imperialista, apoiada em oligarquias locais que impuseram por toda a parte as mais ferozes formas de exploração e opressão. Não há país latino-americano que, por períodos mais ou menos prolongados, não tenha conhecido as mais cruéis ditaduras, de Baptista em Cuba, a Somoza na Nicarágua, ou a Strossner no Paraguai, sem esquecer as ditaduras militares que no quadro da «operação Condor» prenderam, torturaram e assassinaram milhares de pessoas, nomeadamente no Brasil, Argentina e Uruguai. A ditadura fascista de Pinochet no Chile perdurará como um dos símbolos mais tenebrosos do que é capaz o capital quando vê o seu poder ameaçado, como então aconteceu com o poderoso movimento popular chileno e o governo de Unidade Popular de Salvador Allende.

Os caminhos que a resistência e a luta popular percorreram na América Latina não podem aqui ser desenvolvidos. Mas seria imperdoável não sublinhar que os avanços das forças revolucionárias e progressistas que hoje se verificam são inseparáveis de grandes e heróicas lutas em que a classe operária e os partidos comunistas tiveram um papel histórico insubstituível. Foi contra eles que por toda a parte foi desencadeada a mais feroz repressão conduzindo em vários casos a um enfraquecimento que abriu espaço à emergência de forças e tendências de raiz pequeno-burguesa que, com as suas vacilações, radicalismo e impaciência, desvalorizando a acção de massas e absolutizando a acção armada, copiando experiências de outras latitudes, acabaram também eles duramente reprimidos e dizimados.

A história da luta armada na América Latina é muito complexa. Por um lado, tem raízes na própria realidade socio-económica e política, como é evidente no caso das FARC colombianas, a mais longa guerrilha latino-americana hoje oficialmente reconhecida e realizando com o governo conversações de paz em Havana9. Por outro lado, houve cópia mecânica de experiências (nomeadamente a da heróica guerrilha da Sierra Maestra) e influências externas, sobretudo maoistas, particularmente negativas. A verdade é que a violência da repressão impôs que em muitos países a acção armada se tornasse indispensável para alcançar a liberdade e de facto, quando ligada com a luta popular, foi instrumento decisivo para a libertação. Se houve importantes experiências guerrilheiras, rurais e urbanas, derrotadas, como na Venezuela, na Bolívia com Che Guevara, ou no Brasil, outras conduziram à vitória da revolução, como no caso de Cuba e da Nicarágua, e em El Salvador a poderosa Farabundo Marti conseguiu a conquista da liberdade e, mais tarde, o acesso ao poder. O protagonismo que militares patriotas e progressistas tiveram em vários países confirma que a força das armas era componente necessária à luta contra as ditaduras. Jacobo Arbenz (Guatemala), Velasco Alvarado (Perú), Juan José Torres (Bolívia), Torrigos (Panamá) promoveram importantes medidas de carácter nacionalista e anti-imperialista que suscitaram imenso apoio popular e grandes esperanças, sem entretanto consolidarem o poder e acabando derrubados por golpes contra-revolucionários e mesmo pela intervenção militar dos EUA, como aconteceu nomeadamente na Guatemala e na República Dominicana.

Esta breve pincelada sobre a revolução latino-americana não visa mais do que chamar a atenção para questões que os comunistas portugueses consideram fundamentais: a análise concreta da situação concreta e a perspectiva histórica. Não simplificar, não absolutizar, e sobretudo não formular juízos a priori dogmáticos. Se, por exemplo, é verdade que o movimento comunista latino-americano já foi mais forte do que hoje é, não é menos certo que não se teria chegado aqui sem ele. Quase todos os partidos comunistas, nascidos com a onda revolucionária que percorreu o mundo na sequência da Revolução de Outubro, foram os grandes caboqueiros da situação actual. Não é por acaso que a sua influência política e ideológica é bem maior do que a sua expressão orgânica ou eleitoral levaria a supor, como sucede por exemplo na Venezuela, no Uruguai ou no Brasil.

Para onde vai a América Latina?

A valorização dos ventos de mudança que sopram na América Latina não é contraditória com o reconhecimento dos limites, contradições e perigos que espreitam os processos revolucionários e outras mudanças de sentido democrático e progressista no continente.

A luta de classes é muito aguda e o imperialismo não dorme.

O capital, o grande capital associado ao imperialismo, dispõe de posições fortíssimas na economia, no aparelho de Estado, na comunicação social, no sistema de ensino e demais estruturas de reprodução ideológica, nas Forças Armadas. E, em geral, as forças que dirigem os processos são heterogéneas, a sua coesão está por vezes demasiado associada a figuras carismáticas, e são geralmente objecto de pressões ideológicas, frequentemente marcadas por preconceitos em relação ao marxismo-leninismo, aos partidos comunistas e à experiência histórica do socialismo. É, aliás, visível a intensa actividade desenvolvida por entidades como a Fundação Friedrich Erbert e outros sectores reformistas europeus.

É uma evidência, quer do ponto de vista da teoria marxista-leninista, quer do ponto de vista da experiência revolucionária, a começar pela experiência da revolução latino-americana, que não haverá processo revolucionário consolidado sem resolver a questão da vanguarda revolucionária, do Estado, da propriedade dos grandes meios de produção e, factor decisivo, o papel das massas populares, não apenas apoiando, mas intervindo de modo activo, consciente e criador.

O aprofundamento das transformações anti-monopolistas , anti-imperialistas e anti-capitalistas é uma questão que desde o Presidente Hugo Chaves está reconhecidamente colocada na Venezuela; reunir determinação política e força social e política para o conseguir é de vital importância não apenas para a revolução bolivariana mas para toda a América Latina.

Há interrogações e incertezas no horizonte que se prendem não só com a acção das forças contra-revolucionárias e a ingerência imperialista – que, em geral, sempre que puseram a cabeça de fora foram derrotadas –, mas também com a evolução da situação económica e das expressões da crise capitalista na periferia do sistema, assim como das consequências da baixa do preço do petróleo em países que, como no caso da Venezuela e da Bolívia, dependem em larga medida das receitas desta matéria-prima. As forças contra-revolucionárias espreitam a oportunidade para instrumentalizar dificuldades e problemas económicos para provocar descontentamento e agitação social e desestabilizar a situação política.

Mas os problemas, dúvidas e incertezas não podem conduzir a desvalorizar a importância daquilo que já foi alcançado no interesse das grandes massas historicamente exploradas e oprimidas (como no caso do campesinato indígena, hoje orgulhosamente «levantado do chão» na Bolívia), nem podem fazer esquecer que os caminhos do progresso social, obedecendo a leis de validade universal, são cada vez mais variados, marcados pela história e pelas particularidades nacionais dos diferentes países, não obedecem a «modelos» pré-definidos, são obra criadora das massas com a sua vanguarda revolucionária.

Também é necessário ter em conta que o processo libertador é irregular e acidentado, feito de avanços e recuos, de vitórias e derrotas, e que, vivendo nós na época da passagem do capitalismo para o socialismo que a Revolução de Outubro inaugurou, as etapas, formas e ritmos de avanço para o socialismo, dependendo da concreta situação e arrumação das forças de classe em cada país, são muito diversificadas.

Para onde vai a América Latina? Nada está escrito antecipadamente, mas as forças de classe em presença no continente e a agudização das contradições do sistema capitalista indicam que a par de grandes perigos – em que se incluem os que resultam no plano mundial da escalada militarista e agressiva do imperialismo – existem grandes possibilidades de transformação progressista e revolucionária. O exemplo de Cuba, que a poucas léguas da mais poderosa potência imperialista do mundo e sujeita a um criminoso bloqueio, persiste na via da construção do socialismo é a prova provada das possibilidades que se abrem à acção revolucionária das grandes massas. No 16.º Encontro de Partidos Comunistas e Operários realizado em Novembro em Guayaquil, no Equador, em que foi sublinhada a importância da mais ampla unidade das forças anti-imperialistas, ressaltaram aquelas duas facetas da realidade. Em qualquer caso, respeitando as opções dos seus camaradas latino-americanos, e procurando aprender com as suas experiências, o PCP será sempre solidário com a sua luta e com a luta das demais forças revolucionárias e anti-imperialistas da América Latina e das Caraíbas.

Notas

(1) Em geral a referência a América Latina deve ser entendida como englobando também a América Central e as Ilhas das Caraíbas.

(2) ALCA, «Área Livre de Comércio das Américas», projecto da Administração Clinton visando criar uma vasta área de «livre comércio» envolvendo 34 países, do Canadá à Argentina, excluindo Cuba. Este projecto de domínio dos EUA calendarizado para entrar em vigor em 2005 foi enterrado pela vasta luta popular que se desenvolveu contra ele e pela oposição de países como a Venezuela e o Brasil. Os EUA têm tentado substituí-lo por outros tratados, como é o caso da «Aliança do Pacífico», envolvendo países como o México, o Chile, o Perú, a Colômbia, a Costa Rica.

(3) Depois da derrota do golpe de 2002 em que durante 47 horas Chavez foi detido e afastado da Presidência da Venezuela, novamente fracassaram as tentativas de golpe de Estado contra os processos na Bolívia (2008) e Equador (2010), assim como a intentona fascista movida contra Nicolás Maduro após a sua eleição em Abril de 2013.

(4) Golpes de Estado articulados pelos EUA derrubaram os Presidentes Zelaya, nas Honduras (2009), e Lugo, no Paraguai (2012).

(5) Apesar de forçados a encerrar uma unidade tão importante como a de Manta, no Equador, os EUA mantêm na região, a pretexto do combate ao terrorismo e ao narcotráfico, a sua 4.ª esquadra naval e uma ampla rede de bases militares, além das que dispõe a Grã-Bretanha nas Malvinas e a França nas suas colónias de Guadalupe, Guianas Francesas e Martinica. De assinalar o recente pedido de adesão da Colômbia à NATO.

(6) Doutrina criada pelo presidente dos EUA James Monroe (1758-1831) que, sob a palavra de ordem «a América para os americanos» visou afastar a concorrência imperialista das potências europeias e dar cobertura a uma política expansionista em larga escala em terra das Américas.

(7) ALBA, «Aliança Bolivariana para as Américas», foi criada por iniciativa de Cuba e da Venezuela, em tratado assinado em Havana pelos Presidentes Fidel de Castro e Hugo Chavez, em Dezembro de 2004. Posteriormente aderiram ao ALBA a Bolívia (2006), a Nicarágua, Dominica, Equador, Antígua e Barbados e Vicente e Granadinas.

(8) Apesar da vitória do campo popular e progressista que significou a reeleição de Dilma Rousseff nas eleições de Outubro de 2014, o quadro de correlação de forças no Brasil permanece desfavorável no plano institucional, com a direita a conservar importantes posições no Congresso Nacional e nos governos estaduais. Esta realidade não pode deixar de influenciar a composição do Governo, sendo entretanto uma evidência que a inclusão de elementos ligados ao grande capital encerra sérios perigos.

(9) A origem das FARC, a organização guerrilheira que tem esse nome desde 1966, remonta aos anos 48-50 do século passado como movimento de auto-defesa camponês. Entre os seus dirigentes históricos contam-se um dos seus fundadores, Manuel Marulanda («Tirofixo»), Jacobo Arenas e Raul Reys, vilmente assassinado no Equador numa operação da aviação. Transformada num poderoso exército guerrilheiro, as FARC-EP têm sido acusadas de todos os crimes por aqueles mesmos que hoje são obrigados a reconhecer a sua importância política no cenário colombiano e a realizar negociações de paz a decorrer em Havana. Negociações difíceis e de desfecho incerto, tanto mais que o governo de Juan Manuel Santos se nega a interromper as operações militares, mas em qualquer caso bem expressivas da complexidade da realidade colombiana e latino-americana.

 

 

O inimigo perfeito, por Daniel Sebastiani

O companheiro de luzes e compromissos, Daniel Sebastiani, escreve esse pequeno artigo sobre os bárbaros atentados perpetrados na França, anteontem. Gostaria de tê-lo escrito. Então o divulgo para partilhar com vocês. Lutar contra um regime injusto, suprimidor das liberdades, pode justificar recurso às armas. Praticar terrorismo, sem que seja contra um Estado opressor, mas em nome de uma religião, é um profundo contra-serviço à causa progressista dos povos e nações em busca de sua afirmação. O repúdio ao atentado deve ser um ato de afirmação das liberdades, da luta organizada do povo, das perspectivas humanistas e avançadas para a sociedade.

 

“O atentado contra a revista Charlie Hebdo, em Paris, traz à tona, mais uma vez, o fenômeno do terrorismo de matiz fanático-religiosa. Neste momento, além do justo repúdio ao ato e da solidariedade às vítimas, surgem todo tipo de análise quanto à “guerra de civilizações” e seu corolário de xenofobismo.

Ao analisar de forma séria a história, podem-se constatar os seguintes processos:

  1. O crescimento do fanatismo religioso, de forma significativa em termos Mundiais, com a criação ou reforço de todas as organizações mais conhecidas como a Al Qaeda, o Hamas, o estado Islâmico, entre outras, ocorre após o fim da Guerra Fria e a queda da URSS;
  2. Todas essas organizações ou tiveram apoio explícito, em armas e dinheiro, dos EUA e potências ocidentais, como é o caso da origem da Al Qaeda na luta contra a USS no Afeganistão, ou indireto, através de aliados como a Arábia Saudita e o Qatar, até há pouco tempo financiador da organização que originou o estado islâmico, ou, mesmo, através de ações de desestabilização de governos contrários aos interesses dos EUA e aliados, como foram os casos da Líbia e Síria, hoje viveiros dessas organizações terroristas e ainda podemos citar o combate à OLP que têm levado ao crescimento do Hamas, financiado por monarquias islâmicas pró-EUA.
  3. Através de uma campanha mediática de demonização do islamismo.

 

Cabe perguntar como estes ingredientes históricos se combinam em um processo que leva ao crescimento do fanatismo.

Ao somar a destruição dos estados nacionais de natureza laica do Oriente Médio, por parte dos EUA e da OTAN no pós Guerra Fria, como o Iraque, a Líbia, a Síria e outros, à falta de perspectivas dos jovens do mundo todo e, particularmente, do Oriente Médio, diante da crise do capitalismo, da atual inanição do projeto socialista mundial e da morte do sonho de um estado árabe moderno e laico Pan-Arábico, de líderes como Nasser, têm-se aí um conjunto processual importante.

Ao levar em conta que a Europa e os seus trabalhadores têm sido uma das principais vítimas da crise capitalista de 2008 e que seu descontentamento, com a sua força e sua tradição de luta, pode ser uma ameaça ao sistema; somado ao fato de que a falta de perspectivas da esquerda tem feito com que as forças anti-sistêmicas sejam capitalizadas pela extrema direita xenófoba; e levando em conta que, desde a década de 30 do século XX, as classes dominantes das potências ocidentais têm preferido se aliar a esta direita contra a esquerda; têm-se aí outro conjunto processual importante.

Finalmente, cabe constatar que o papel de policial mundial dos EUA, e os enormes lucros de seu complexo militar-industrial, perderam parte da razão de ser com a queda da URSS; é necessário justificar os gastos militares e a ação bélico-imperialista dos EUA e OTAN no mundo com algum “inimigo global” e que, e aí reside o essencial, é preferível combater e polarizar ideologicamente no Mundo com um atrasado e obscurantista fanatismo religioso, obviamente sem legitimação histórica, do que com uma tradição iluminista – marxista, na essência laica, humanista, racional e generosa e que aponta para o socialismo, ou seja, um futuro histórico legitimador de lutas anti-sistêmicas.

Mundo com um atrasado e obscurantista fanatismo religioso, obviamente sem legitimação histórica, do que com uma tradição iluminista – marxista, na essência laica, humanista, racional e generosa e que aponta para o socialismo, ou seja, um futuro histórico legitimador de lutas anti-sistêmicas.

Conclusão: não deve se buscar os principais responsáveis pela morte dos jornalistas no fanatismo e no Oriente Médio, mas sim nos interesses dos capitais globalizados e nas capitais dos EUA e dos países da OTAN.”

Professor de História da Fundação Liberato Salzano-NH/RS. Membro do Comitê Estadual do PCdoB-RS.

Professor Daniel V. Sebastiani – sebastiani1917@gmail.com

Putin: un discurso histórico, por Atilio Borón

Russian President Putin takes part in a meeting on social and economic development in Moscow's Kremlin

Putin, presidente da Russia

Ninguém deve, nem pode, perder de vista a situação mundial, de crise econômica e de grandes enfrentamentos estratégicos quanto aos poderes assimétricos que a caracterizam. Nesse sentido, os BRICS são, de fato, uma grande reserva estratégica direta no sentido de apontar para a multipolaridade.

Partilho com os leitores um texto que trata da posição de Vladimir Putin, em discurso pronunciado recentemente, que não conhecia. O discurso alude à posição estratégica russa no sistema de relações internacionais e sua crise, assim como a interpretação de Vladimir Putin sobre o estágio da decadência dos Estados Unidos da América.

Achei que outros também podiam não conhecê-lo. O texto abaixo é de Abilio Toron, diretor do Centro Cultural de Cooperação Floreal Gorini (PLED), Buenos Aires, Argentina.

​ Foi-me enviado pelo sempre atento Sérgio Barroso.​

De fato, é um texto que promove uma reflexão crítica indispensável, não apenas pelo mérito, mas por ter sido pronunciado por Putin. Preferi não vertê-lo para o português, mas será fácil lê-lo.

 

Putin: un discurso histórico

 

Hay discursos que sintetizan una época. El que pronunciara Winston Churchill en el Westminster College, en Missouri, en marzo de 1946 es uno de ellos. Allí popularizó la expresión “cortina de hierro” para caracterizar a la política de la Unión Soviética en Europa y, según algunos historiadores, marcó con esa frase el inicio de la Guerra Fría. Antes, en abril de 1917, un breve discurso de Lenin al llegar de su exilio suizo a la Estación Finlandia de San Petersburgo anunciaba, ante la sorpresa de su entusiasta audiencia animada por los acordes de La Marsellesa, que la humanidad estaba pariendo una nueva etapa histórica, pronóstico que habría de confirmarse en Octubre con el triunfo de la Revolución Rusa. En Nuestra América, un papel semejante cumplió “La historia me absolverá”, el célebre alegato con el que, en 1953, el joven Fidel Castro Ruz se defendió de las acusaciones del dictador cubano Fulgencio Batista por el asalto al Cuartel Moncada.

 

En esta línea habría que agregar el discurso pronunciado por Vladimir Putin el 24 de octubre de este año en el marco del XIº Encuentro Internacional de Valdai, una asociación de políticos, intelectuales y gobernantes que anualmente se reúnen para discutir sobre la problemática rusa y, en esta ocasión, la preocupante situación mundial. [1]

 

Las tres horas insumidas por el discurso de Putin y su amplio intercambio de opiniones con algunas personalidades de la política europea – entre ellos el ex primer ministro de Francia, Dominique de Villepin y el ex canciller de Austria Wolfgang Schuessel – o con académicos de primer nivel, como el gran biógrafo de Keynes, Robert Skidelsky, fue convenientemente ignorado por la prensa dominante. El líder ruso habló claro, sin medias tintas y abandonando de partida el lenguaje diplomático. Es más, al inicio de su discurso recordó la frase de uno de ellos que decía que “los diplomáticos tienen lenguas para no decir la verdad” y que él estaba allí para expresar sus opiniones de manera franca y dura para, como ocurriera después, confrontarlas con las de sus incisivos interlocutores a quienes también les hizo unas cuantas preguntas.

 

Discurso ignorado, decíamos, porque en él se traza un diagnóstico realista y privado de cualquier eufemismo para denunciar el aparentemente incontenible deterioro del orden mundial y los diferentes grados de responsabilidad que les cabe a los principales actores del sistema. Como de eso no se debe hablar, y como el mundo tiene un líder confiable y eficaz en los Estados Unidos piezas oratorias como las de Putin merecen ser silenciadas sin más trámites. Un breve comentario en el New York Times al día siguiente, con énfasis en algunos pasajes escogidos con escandalosa subjetividad; algunas notas más con las mismas características en el Washington Post y eso fue todo. El eco de ese discurso en América Latina, donde la prensa en todas sus variantes está fuertemente controlada por intereses norteamericanos, fue inaudible. Por contraposición, cualquier discurso de un ocupante de la Casa Blanca que asegure que su país es una nación “excepcional” o “indispensable”, o que difame a líderes o gobiernos que no caen de rodillas ante el mandato estadounidense corre mucha mejor suerte y encuentra amplísima difusión en los medios del “mundo libre”.

 

¿Qué dijo Putin en su intervención? Imposible reseñar en pocas páginas su discurso y las respuestas a los cuestionamientos hechos por los participantes. Pero, con el ánimo de estimular una lectura de ese documento resumiríamos algunas de sus tesis como sigue a continuación. Primero, ratificó sin pelos en la lengua que el sistema internacional atraviesa una profunda crisis y que contrariamente a relatos autocomplacientes -que en Occidente minimizan los desafíos del momento- la seguridad colectiva está en muy serio peligro y que el mundo se encamina hacia un caos global. Opositores políticos quemados vivos en el sótano del Partido de las Regiones por las hordas neonazis que se apoderaron del gobierno en Ucrania, el derribo del vuelo MH17 de Malasya Airlines por parte de la aviación ucraniana y el Estado Islámico decapitando prisioneros y blandiendo sus cabezas por la Internet son algunos de los síntomas más aberrantes de lo que según un internacionalista norteamericano, Richard N. Haass, es la descomposición del sistema internacional que otros, situados en una postura teórica y política alternativa, como Samir Amin, Immanuel Wallerstein, Chalmers Johnson y Pepe Escobar, prefieren denominar “imperio del caos.” Esta ominosa realidad no se puede ocultar con bellos discursos y con los trucos publicitarios a los cuales son tan afectos Washington y sus aliados. El desafío es gravísimo y sólo podrá ser exitosamente enfrentado mediante la cooperación internacional, sin hegemonismos de ningún tipo.

 

Segundo, en su exposición Putin aportó un detallado análisis del decadente itinerario transitado desde la posguerra hasta el fin de la Guerra Fría, el surgimiento del fugaz unipolarismo norteamericano y, en su curva descendente después del 11-S, las tentativas de mantener al actual (des)orden internacional por la fuerza o el chantaje de las sanciones económicas como las aplicadas en contra de Cuba por más de medio siglo, Irak, Irán, Corea del Norte, Siria, Costa de Marfil y ahora Rusia. Un orden que se cae a pedazos y, como lo anunciaba el título del Encuentro, que se debate entre la creación de nuevas reglas o la suicida aceptación de la fuerza bruta como único principio organizador del sistema internacional. De hecho nos hallamos ante un mundo sin reglas o con reglas que existen pero que son pisoteadas por los actores más poderosos del sistema, comenzando por Estados Unidos y sus aliados, que dan por desahuciada a las Naciones Unidas sin proponer nada a cambio. La Carta de las Naciones Unidas y las decisiones del Consejo de Seguridad son violadas, según Putin, por el autoproclamado líder del mundo libre con la complicidad de sus amigos creando así una peligrosa “anomia legal” que se convierte en campo fértil para el terrorismo, la piratería y las actividades de mercenarios que ora sirven a uno y luego acuden a prestar sus servicios a quien le ofrece la mejor paga. Lo ocurrido con el Estado Islámico es paradigmático en este sentido.

 

Tercero, Putin recordó que las transiciones en el orden mundial “por regla general fueron acompañadas si no por una guerra global por una cadena de intensos conflictos de carácter local.” Si hay algo que se puede rescatar del período de la posguerra fue la voluntad de llegar a acuerdos y de evitar hasta donde fuese posible las confrontaciones armadas. Hubo, por cierto, muchas, pero la temida guerra termonuclear pudo ser evitada en las dos mayores crisis de la Guerra Fría: Berlín en 1961 y la de los misiles soviéticos instalados en Cuba en 1962. Posteriormente hubo importantes acuerdos para limitar el armamento nuclear. Pero esa voluntad negociadora ha desaparecido. Lo que hoy prevalece es una política de acoso, de bullying, favorecida por un hipertrofiado orgullo nacional con el cual se manipula a la opinión pública que así justifica que el más fuerte –Estados Unidos- atropelle y someta a los más débiles. Si bien no menciona el dato, en el trasfondo de su discurso se perfila con claridad la preocupación por la desorbitada expansión del gasto militar estadounidense que, según los cálculos más rigurosos, supera el billón de dólares (o sea, un millón de millones de dólares) cuando al desintegrarse la Unión Soviética los publicistas del imperio aseguraron urbi et orbi que el gasto militar se reduciría y que los así llamados “dividendos de la paz” se derramarían en programas de ayuda al desarrollo y combate a la pobreza. Nada de eso tuvo lugar.

 

Cuarto, al declararse a sí mismos como vencedores de la Guerra Fría la dirigencia norteamericana pensó que todo el viejo sistema construido a la salida de la Segunda Guerra Mundial era un oneroso anacronismo. No propuso un “tratado de paz”, en donde se establecieran acuerdos y compromisos entre vencedores y vencidos, sino que Washington se comportó como un “nuevo rico” que, embriagado por la desintegración de la Unión Soviética y su acceso a una incontestada primacía mundial, actuó con prepotencia e imprudencia y cometió un sinfín de disparates. Ejemplo rotundo: su continuo apoyo a numerosos “combatientes de la libertad” reclutados como arietes para producir el “cambio de régimen” en gobiernos desafectos y que a poco andar se convirtieron en “terroristas” como los que el 11-S sembraron el horror en Estados Unidos o los que hoy devastan a Siria e Irak. Para invisibilizar tan gigantescos errores la Casa Blanca contó con “el control total de los medios de comunicación globales (que) ha permitido hacer pasar lo blanco por negro y lo negro por blanco.” Y, en un pasaje de su discurso Putin se pregunta: “¿Puede ser que la excepcionalidad de los Estados Unidos y la forma como ejerce su liderazgo sean realmente una bendición para todos nosotros, y que su continua injerencia en los asuntos de todo el mundo esté trayendo paz, prosperidad, progreso, crecimiento, democracia y simplemente tengamos que relajarnos y gozar? Me permito decir que no.”

 

Quinto, en diversos tramos de su alocución y del intercambio de preguntas y respuestas con los participantes Putin dejó sentado muy claramente que Rusia no se cruzará de brazos ante las amenazas que se ciernen sobre su seguridad nacional. Utilizó para transmitir ese mensaje una elocuente metáfora para referirse, indirectamente, a los planes de la NATO de rodear a Rusia con bases militares y para responder a las inquietudes manifestadas por algunos de los presentes acerca de una eventual expansión imperialista rusa. Dijo que en su país se le tiene gran respeto al oso “amo y señor de la inmensidad de la taiga siberiana, y que para actuar en su territorio ni se molesta en pedirle permiso a nadie. Puedo asegurar que no tiene intenciones de trasladarse hacia otras zonas climáticas porque no se sentiría cómodo en ellas. Pero jamás permitiría que alguien se apropie de su taiga. Creo que esto está claro.” Esta observación fue también una respuesta a una caracterización muy extendida en Estados Unidos y Europa que menosprecia a Rusia -y antes a la Unión Soviética- como “un Alto Volta (uno de los países más pobres y atrasados de África) con misiles”. Sin dudas que el mensaje fue muy claro y despojado de eufemismos diplomáticos, en línea con su confianza en la fortaleza de Rusia y su capacidad para sobrellevar con patriotismo los mayores sacrificios, como quedó demostrado en la Segunda Guerra Mundial. Dijo textualmente: “Rusia no se doblegará antes las sanciones, ni será lastimada por ellas, ni la verán llegar a la puerta de alguien para mendigar ayuda. Rusia es un país autosuficiente.”

 

En síntesis: se trata de uno de los discursos más importantes sobre el tema pronunciado por un jefe de estado en mucho tiempo y esto por muchas razones. Por su documentado y descarnado realismo en el análisis de la crisis del orden mundial, en donde se nota un exhaustivo conocimiento de la literatura más importante sobre el tema producida en Estados Unidos y Europa, refutando en los hechos las reiteradas acusaciones acerca del “provincianismo” del líder ruso y su falta de contacto con el pensamiento occidental. Por su valentía al llamar las cosas por su nombre e identificar a los principales responsables de la situación actual. Ejemplo: ¿quién arma, financia y recluta a los mercenarios del EI? ¿Quién compra su petróleo robado de Irak y Siria, y así contribuye a financiar al terrorismo que dicen combatir? Preguntas estas que ni el saber convencional de las ciencias sociales ni los administradores imperiales jamás se las formulan, al menos en público. Y que son fundamentales para entender la naturaleza de la crisis actual y los posibles caminos de salida. Y por las claras advertencias que hizo llegar a quienes piensan que podrán doblegar a Rusia con sanciones o cercos militares, como nos referíamos más arriba. Pero, a diferencia del célebre discurso de Churchill, al no contar con el favor del imperio y su inmenso aparato propagandístico camuflado bajo los ropajes del periodismo el notable discurso de Putin ha pasado desapercibido, por ahora. A cien años del estallido de la Primera Guerra Mundial y a veinticinco de la caída del Muro de Berlín Putin arrojó el guante y propuso un debate y esbozó los lineamientos de lo que podría ser una salida de la crisis. Ha pasado algo más de un mes y la respuesta de los centros dominantes del imperio y su mandarinato ha sido un silencio total. Es que no tienen palabras ni razones, sólo armas. Y van a continuar tensando las cuerdas del sistema internacional hasta que el caos que están sembrando revierta sobre sus propios países. Nuestra América deberá estar preparada para esa contingencia.

NOTAS

[1] Desgraciadamente ese discurso está sólo disponible en ruso y en inglés en el sitio web de la presidencia de Rusia. Una traducción al castellano fue realizada por Iñaki para el blog http://salsarusa.blogspot.com.ar/2014/11/discurso-de-putin-en-valdai.html

 

La versión revisada y corregida de ese primer esfuerzo de traducción del discurso de Putin se encuentra disponible emwww.atilioboron.com.ar

Fuente: http://alainet.org/active/79057

 

Chuvas e trovoadas – José Luís Fiori

Fiori

Recomendo a leitura do artigo de hoje no jornal VALOR, de José Luís Fiori, analisando a evolução da agressiva política exterior norte-americana, sob comando dos conservadores radicais dos EUA. Em especial, o lugar do Brasil nesse contexto. Chuvas e trovoadas, é o que se pode esperar nos próximos anos.

Chuvas e trovoadas | Valor Econômico.