O Brasil no fundo do poço, por Marcos Coimbra

O retrato do Brasil que emerge das pesquisas quantitativas é ruim. Mas o que vem das pesquisas qualitativas é pior. Pelo que vemos através delas, a alma brasileira nunca esteve em momento mais negativo.

É impossível falar do passado longínquo, mas, nos tempos modernos, é a primeira vez que temos tanto desânimo, desconfiança e desesperança. Talvez exista quem esteja satisfeito e otimista, mas é difícil encontrá-los. A quase totalidade da população não está assim. Continue lendo

Luta de classes em cenário pós-industrial, Por Mácio Pochmann

A passividade das ruas e a apatia dos brasileiros têm sido identificadas por acomodação das lutas de classe. A prevalência de um presidente tão impopular, envolvido por diversos escândalos de corrupção e impositor de reformas que mesmo rejeitadas avançam pela troca de votos parlamentares por privilégios das verbas e cargos públicos, não valida, contudo, tal compreensão.

Acontece que a convencional luta de classe consolidada pela antiga sociedade urbana e industrial sofre importantes mudanças diante da ascensão da sociedade de serviços. Pela tradicional classe trabalhadora industrial, a organização taylorista e fordista da produção implicou hierarquia e polarização entre os que mandavam e os que eram mandados. O trabalho material resultava em produção de algo concreto e palpável, indicando as razões de pertencimento e identidade de classe a partir da presença no próprio local de trabalho.

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Por que o “novo” envelhece prematuramente. E a hipótese de um Benjamin Button eleitoral

O “novo para 2018” enfrenta, na primavera, um primeiro outono. Seu nome mais vistoso, João Doria, perde substância eleitoral. No front dos políticos, o establishment reagrupa-se contra o protagonismo do Judiciário. E a Lava-Jato segue, só que cada vez mais restrita ao plano operacional: as pessoas continuam sendo presas e processadas, mas o efeito político dilui-se.

Uma explicação é a progressiva mudança na correlação de forças. Quanto mais inimigos você decide ter, mais aumenta a dificuldade de derrotá-los todos de uma vez só. Por exemplo, desde o movimento da PGR contra o atual presidente da República, a “faxina” perdeu o apoio de quem a via apenas como útil instrumento para remover o governo Dilma Rousseff.
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A farsa da retomada da economia sinalizada pelo imposto de agosto (por J. Carlos de Assis)

A utilização da receita tributária de agosto como indicador de retomada da economia é mais uma farsa de  Henrique Meirelles e Michel Temer para apaziguar aliados no Congresso, os quais  já se revelam incomodados pela combinação de depressão econômica e corrupção presidencial. O aumento da receita no mês, em relação a julho, se deveu essencialmente ao Refis e aos impostos baseados em lucro, assim como a imposição de imposto sobre combustíveis.

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Ipsos: Alckmin é o presidenciável mais mal avaliado e rejeição de Doria sobe (do Valor)

Pesquisa do instituto Ipsos recém divulgada não traz boas notícias para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Entre os presidenciáveis assumidos e os nomes publicamente cotados para 2018, o tucano pode ser considerado o campeão absoluto em desaprovação. Conforme o levantamento, feito entre os dias 1º e 14 de setembro, 75% dos brasileiros desaprovam a forma como Alckmin vem atuando. Avaliações positivas somam 13%.

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