Esquerda deveria ressignificar nacionalismo brasileiro, por Almir Felitte

“Para os Estados Unidos sai mais barato o ferro que recebem do Brasil ou da Venezuela do que o ferro que extraem de seu próprio subsolo.”

O trecho poderia pertencer a qualquer jornal brasileiro da atualidade, mas foi retirado da antológica obra de Eduardo Galeano, “As Veias Abertas da América Latina”, clássico publicado em 1971.

O uruguaio segue, em sua análise, lembrando a trágica queda de Getúlio Vargas, o qual escolhera desrespeitar a imposição americana firmada em acordo militar que proibia o Brasil de vender matérias-primas estratégicas para países socialistas, vendendo ferro para a Polônia e a Tchecoslováquia a preços mais altos que os que conseguia com os EUA em 53 e 54. Continue lendo

Marxismo e Questão Nacional: uma visão latino-americana (por Ronaldo Carmona)

O artigo a seguir argumenta, inicialmente, sobre a crise da globalização e a crescente afirmação de saídas nacionais no contexto da crise do capitalismo. Aponta, como o mal estar, especialmente dos trabalhadores, com a globalização vai resultando em consequências políticas de vulto na conjuntura atual. A seguir, pontua visões presentes nos fundadores do marxismo – o próprio Marx e Lenin –, a respeito da valorização das singularidades nacionais no curso da luta revolucionária. Argumenta que as experiências exitosas de construção do socialismo tem a questão nacional em seu vértice. Por fim, resgata o cerne da polêmica do peruano Mariategui com a direção sul-americana da III Internacional; observa traços da experiência dos comunistas no Brasil e pontua tendências históricas e hodiernas da revolução cubana, que exemplificam traços da manifestação da questão nacional na tradição marxista latino-americana.

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No Congresso, há sinais de resistência ao retrocesso (por Andre Barrocal)

Requião comanda a Frente, a contar com 200 deputados e 18 senadores. Empreitada difícil contra a casa-grande

A um ano de campanha presidencial, a frente da soberania ensaia um projeto nacionalista, embora grandes obstáculos se levantem no empresariado e na área política

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Por que a saída do Euro é internacionalista – Parte III (por Domenico Moro)

Leia aqui a parte II.

Parte III: Além da rejeição da política. O euro como um elo fundamental na recuperação da luta política

É necessário, no plano político – e ainda mais no teórico – superar uma visão unilateral da realidade, que mire apenas ao nível estatal ou apenas ao supranacional, exclusivamente. Em cada período histórico é definida qual é a relação concreta entre os níveis estatais e supranacionais da acumulação do capital. Na era do capitalismo globalizado, o Estado nacional não se eclipsa, se transforma. As funções nas quais é mais útil manter seu papel e nas quais o controle da classe dominante é mais equilibrado, são reforçadas. Vice-versa, são delegadas a organismos supraestatais as funções em que o controle da classe dominante é mais débil ou incerto, ou cuja modificação é exigida pelas características da fase da acumulação capitalista.

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