O papel do Estado no desenvolvimento (por Walter Sorrentino)

Com grande satisfação participei do debate promovido pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, estado que considero altamente politizado, sobre o Papel do Estado no Desenvolvimento. Foi dia 9 de agosto e estive lado a lado com os amigos Márcio Pochmann, presidente da Fundação Maurício Grabois, e Roberto Requião, senador da República pelo Paraná. Debate denso, transmitido em rede, que teve a participação de mais de 300 pessoas. Parabenizo e agradeço o convite formulado pelo deputado estadual Edegar Preto, do PT, presidente daquela Instituição.

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Debate CEDEM faz homenagem aos 95 anos do PCB (por CEDEM)

Com o tema A Revolução Soviética e a formação do Partido Comunista do Brasil (PCB), o primeiro Debate CEDEM de 2017 presta homenagem aos 95 anos de fundação do Partido Comunista do Brasil (PCB), oficializada durante um congresso realizado em março de 1922. O evento, que inaugura a temporada de iniciativas científicas e culturais do Centro de Documentação e Memória, da Unesp, ocorrerá em 14 de março, às 18h30. A data também abre as comemorações pelos 30 anos de criação do CEDEM.

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Livro resgata a trajetória política de Caio Prado Júnior

Caio Prado Júnior: uma biografia política, de Luiz Bernardo Pericás

Por José Tadeu Arantes  |  Agência FAPESP

Uma velha anedota do folclore comunista reporta conversa que teria ocorrido entre o então primeiro-ministro da União Soviética, Nikita Kruschev, e o então primeiro-ministro da China, Chu En-Lai. Para fustigar o interlocutor, no momento em que as divergências sino-soviéticas haviam chegado ao ponto da ruptura, o russo referiu-se à origem social de cada um, lembrando que ele, Kruschev, era filho de camponeses, ao passo que Chu era filho de aristocratas. Famoso por sua habilidade diplomática e frases espirituosas, o chinês não se deu por vencido. E retrucou: “Ambos traímos nossas classes de origem”.

Se tal conversa realmente ocorreu nesses termos é difícil saber. Mas a curiosa ideia de uma traição à classe de origem certamente se aplicaria à trajetória de um importante intelectual e político brasileiro, o historiador Caio Prado Júnior. Filho de uma das mais ricas e tradicionais famílias da oligarquia agrário-industrial paulista, o futuro autor do clássico Formação do Brasil Contemporâneo aderiu muito cedo ao Partido Comunista e dele jamais se afastou – uma escolha que motivou sua prisão no período da ditadura civil-militar.

PericásEssa trajetória militante, muitas vezes omitida nos estudos sobre Caio Prado Júnior, que ressaltam apenas sua fecunda atividade intelectual, foi reconstruída agora no livro Caio Prado Júnior: uma biografia política, de Luiz Bernardo Pericás. Resultado em parte de uma pesquisa de pós-doutorado apoiada pela FAPESP, o livro também contou com auxílio para publicação.

“O livro é fruto de uma pesquisa de seis anos, em arquivos públicos e privados. Recolhi depoimentos de mais de 70 pessoas e tive acesso a uma documentação vastíssima. Caio Prado Júnior era meu tio-bisavô e isso me ajudou a pesquisar nos arquivos de familiares, que fizeram a gentileza de abrir suas casas para que eu pudesse consultar documentos que não estão em nenhum outro lugar. Encontrei muito material inédito na casa de parentes meus: cartas, fotos, periódicos, documentos da polícia política etc.”, disse Pericás à Agência FAPESP.

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