Bastidores de cassação do PT revela maioria do TSE para absolver Temer (GGN)

Mais uma boa e importante matéria no GGN-Nassif, por Patricia Faermann. Na última pauta agendada para esta terça (ontem), TSE discute relatoria da investigação que pode cassar PT, mas o que está por trás das aparências é muito maior.

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Jornal GGN – Está marcada para esta terça-feira (22) a decisão sobre quem será o relator da investigação das contas de campanha do PT pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O resultado pode ser determinante para os caminhos da ação de cassação contra a chapa Dilma Rousseff e Michel Temer. No andamento das duas ações, o GGN traz a previsão de que Temer já garante a maioria da Corte para se ver livre da perda de mandato.

A iniciativa da ação que será discutida hoje partiu do presidente do Tribunal, Gilmar Mendes, em agosto deste ano. No dia 5 daquele mês, o ministro encaminhou à Corregedoria-Geral eleitoral um pedido de abertura de representação contra o PT, com base nas informações em andamento de delatores da Operação Lava Jato, nas investigações tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF).

Gilmar considerou que havia indícios de que o PT recebeu dinheiro desviado de contratos da Petrobras, pelo menos desde 2012 a 2014. Apesar de as contas de 2014 do partido terem sido aprovadas pelo TSE, justificou-se no artigo 35 da Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/1995), para pedir o reexame das contas. Continue lendo

Esquerdas: dos escombros à reconstrução? (por Aldo Fornazieri)

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As eleições municipais – primeiro e segundo turno – tiveram o efeito de uma bomba termobárica sobre o PT em particular e sobre a esquerda em geral. Com os resultados, as estruturas institucionais de poder foram drasticamente reduzidas. Isto importa perda de capacidade de articulação, de mobilização e de interação política e social. No segundo turno, a derrota do PT foi ampliada: não venceu em nenhuma prefeitura que disputou e do chamado cinturão vermelho da Grande São Paulo não sobrou nada. Em que pese as boas votações no Rio de Janeiro e em Belém, o PSol não consegui se viabilizar como a alternativa de esquerda que imaginava ser. Continue lendo

Reflexões para debate interno, por Zilah Branco

O Brasil persiste na sua feição colonizada e oligárquica: os colonizadores variam e disputam o controle da produção brasileira entre si, as oligarquias submissas ao controle externo organizam empresas e lucros, a população anseia por um emprego remunerado e copia o comportamento da burguesia como objetivo de melhoria de nível de vida. Absorvemos os ensinamentos universitários dos países desenvolvidos, procuramos exemplos revolucionários externos, aplicando as fórmulas sem conhecer a realidade brasileira. Não elaboramos um programa nacional de desenvolvimento a partir das riquezas e contingências brasileiras, menos ainda da capacidade do povo reconstruir a sociedade.

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Eleições 2016: Conservadorismo, fragmentação partidária e recusa à política

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Matéria publicada no Vermelho, em 3 de outubro de 2016

Para o vice-presidente do PCdoB, Walter Sorrentino, apesar de que ainda haverá 2º turno em 55 cidades, os resultados políticos atestam desde já o reflexo da onda golpista no país, com clara inclinação conservadora na sociedade e no mundo político. “Ao mesmo tempo, de certo modo, revelam a polarização que marca a sociedade, seja pela resistência ao golpe – cujas forças não são pequenas, embora tenham se dividido -, seja pelo lado da crise de representação, com a fragmentação do sistema partidário e recusa à política”.

Ele destaca que houve maior pulverização de legendas que alcançaram posições em governos municipais. Neste pleito, 31 partidos elegeram prefeitos; em 2012, foram 26. “Mas nas cidades que ainda completarão a segunda volta, fica mais expressiva a fragmentação – serão 8 candidatos do PSDB, 6 do PMDB, 3 cada do PSB e PSD, 2 cada PSOL, PR, PDT e PMN, 1 cada PCdoB, PHS, SD, PRB, PHA, PPS, PT, REDE, PTB e PP”.

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Não é uma campanha despolitizada

jandira-feghaliA Folha de São Paulo hoje, sábado a uma semana das urnas, analisa os resultados do Datafolha sobre a eleição na capital de São Paulo, cruzando dados para captar a definição de voto dos indecisos, o quanto o voto em determinado candidato é consolidado ou não e, mais, para quem migrariam os votos não consolidados.

haddadEm São Paulo, 39% ainda são indecisos, sem contar os votos indicados mas não consolidados: 51% dos entrevistados que declararam voto em Marta afirmaram que ainda podem mudar de ideia; são 37% os que titubearam sobre Doria, 38% sobre Haddad, 39% sobre Russomanno e 45%, Erundina. Ou seja, a eleição está em aberto, a uma semana das urnas.

Marta tem uma barreira que é a desconfiança sobre sua migração partidária, o eleitor quer entender melhor isso; Russomano, pela sua inconsistência, declarações desencontradas e furadas e falta de sustentação.

Por outro lado, uma recente qualitativa de bom gabarito em importante capital brasileira, indica que porcentagem substancial da sociedade brasileira tem posição contra o golpe, algo em torno de 35-40% dos eleitores. Nada a ver com Dilma ou com o PT, mais propriamente contra o trauma político do golpe na democracia. Estão incomodados com a radicalidade do confronto entre a turma do golpe e do Fora Temer, e desiludidos ou abalados pela situação do PT que se tornou alvo seletivo dos golpistas. A maioria quer ver se isso se confirma e onde vai dar, há muitas coisas em aberto. Mais importante: testadas, os grupos pesquisados reconheciam em boa medida os campos políticos entre os candidatos da disputa municipal.

Uma conclusão é que é um engano dizer que esta campanha é despolitizada. Há um componente político subjacente à opção do eleitor, para além de propostas para a cidade.

O eleitor, as pessoas – talvez, quase certamente –, não queiram ter um debate público sobre sua posição a respeito da cena nacional, mas não deixam de ter opinião que subjaz à apreciação que fazem dos candidatos, seus apoiadores e suas propostas. E as levam em conta ao definir o voto.

Convenhamos que a situação dos eleitores é, compreensivelmente, de muitas incertezas quanto aos acontecimentos e perspectivas. Não quer ser ludibriado, nem quer se enganar ao votar e se arrepender no futuro. Não se pode culpá-lo, está bem difícil definir o voto e as regras de campanha tornaram isso ainda mais difícil.

Mas não é uma campanha despolitizada. Há uma recusa surda da bipolaridade que comanda a vida política há mais de vinte anos, uma tendência de mudança e não de continuidade, o que fragmentará os resultados eleitorais em termos de legendas partidárias. Fala muito disso o fato de o PRB evangélico estar liderando por ora nas duas maiores cidades do país. A direita política, com o golpe, de fato lograram construir uma corrente de voto de opinião, baixa mas generalizada no país. Fazem o gênero da anti-política, mas não enganam nem aos incautos: são políticos profissionais e corporativos. Mas o que se fiam no exemplo de sua vida, não há como esquecer o governo Lula e as melhorias sociais introduzidas, apesar do anti-petismo em ascenso.

Isso indica que para vencer não bastaria demarcar campos do ponto de vista nacional tanto quanto não bastaria só apresentar propostas para a cidade. O eleitor está exigente, como sempre, não despolitizado, precisa ser capturado num fio narrativo, pela racionalidade e ainda mais pelo ideário e emoção, que dão base à sua sustentação e propostas.

Propostas são condições necessárias porém insuficientes para vencer a disputa na campanha. Não bastam, se não se sustentarem também na identidade de campos sobre a cena nacional, produzindo identidade de campos políticos, bem tratados sob o ponto de vista do ideário médio do eleitor.

Sobretudo nos grandes centros urbanos como São Paulo e Rio, é de se esperar que esses fenômenos sejam mais nítidos. Jandira no Rio, por exemplo, disputa palmo a palmo sua entrada no segundo turno contra a máquina do governo municipal, acertando no ponto de combinação entre identidade de campo político, no plano nacional, referido aos campos em disputa na cidade, e suas propostas. Tanto assim que levou Dilma e Lula à campanha. Assim, tende a ultrapassar Freixo do PSOL e sua boa mensagem.

Haddad, prefeito e candidato à reeleição em São Paulo, não encontrou esse bom ponto. Foi travado graças a certa invisibilidade de suas realizações e persona política e, quanto à identidade de campo, pela má situação do PT. Suas propostas são as melhores, suas realizações são realmente boas e importantes, mas não bastarão se não se combinarem com alguma contundência e emoção sobre os polos políticos em disputa na cidade referidos aos acontecimentos nacionais. Ele tem moral para a contundência, apelar ao eleitorado para levar essa quase metade da população contra o golpe ao segundo turno e até para fazer a defesa do PT, como partido que legou muitas transformações positivas ao povo e que quer se reformar, aprender com os erros, tarefa na qual Haddad joga grande papel. Na dúvida, lembrar sempre que mais de 80% rejeitam o governo Temer e, até nas manifestações pró-golpe, uma ampla maioria manifesta de público rejeição massiva a Alckmin, Aécio e Serra, por exemplo.

Uma outra conclusão é que, se para ganhar as duas condições são necessárias, para perder deve-se sempre ter em mente o saldo que fica: pode-se ter uma derrota eleitoral sem necessariamente uma derrota política. É o que se chama “cair de pé”, com reforço da imagem e representação de campos políticos nítidos. Porque não há vitórias irreversíveis, nem derrotas definitivas.