Fidel é o povo cubano: livre, soberano e socialista!, por Mateus Fiorentini

“¿Qué significa para nuestro pueblo el 10 de Octubre de 1868? ¿Qué significa para los revolucionarios de nuestra patria esta gloriosa fecha? Significa sencillamente el comienzo de cien años de lucha, el comienzo de la revolución en Cuba, porque en Cuba solo ha habido una revolución: la que comenzó Carlos Manuel de Céspedes el 10 de Octubre de 1868. Y que nuestro pueblo lleva adelante en estos instantes”  (Fidel Castro, 1968)

Os 90 anos da vida de Fidel se confundem com a própria história do povo cubano Foto: Reprodução

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“O povo e o governo de Cuba recebem o senhor com profundos sentimentos de carinho, respeito e hospitalidade.”

papa+cuba“Sentimo-nos muito honrados com sua visita. Poderá apreciar que amamos profundamente nossa Pátria, pela qual somos capazes de realizar os maiores sacrifícios. Sempre fomos norteados pelo exemplo dos próceres de Nossa América, os quais nos legaram dignidade, coragem e generosidade. Graças a eles temos sabido praticar o axioma martiano de que Pátria é Humanidade.”

Raul Castro Ruz, presidente da República de Cuba.

A visita do Papa Francisco à Cuba é um conjunto de fatos políticos. Em primeiro lugar, é a primeira visita de Sua Santidade ao país após o restabelecimento de relações diplomáticas entre Cuba e os EUA, processo no qual incidiu de forma importante e positiva. Em segundo, pelo pronunciamento de boas-vindas do presidente do Conselho de Estados e Ministros, General de Exercíto Raul Castro Rúz. E, pelo encontro com Fidel.

O discurso de Raul, na Praça da Revolução, foi uma afirmação do compromisso histórico da Revolução Cubana com a construção de um mundo mais justo e humano. Mencionou o papel jogado por Cuba ao redor do mundo através dos serviços médicos e educacionais apesar do bloqueio e toda campanha de calunias e agressões contra a ilha.

“Milhões de pessoas recuperaram a sua saúde graças à cooperação cubana: 325.710 colaboradores trabalharam em 158 países, hoje, 50.281 trabalhadores da saúde cubanos estão servindo em 68 nações. Graças ao programa “Sim eu posso” 9,37 milhões de pessoas foram alfabetizadas em 30 Estados; e mais de 68 mil estudantes estrangeiros de 157 países já se formaram em Cuba.”

O líder cubano, ressaltou o caminho de integração soberana e solidária que vem trilhando América Latina e a luta por superar as desigualdades. Ainda, o pesidente cubano destacou a importânte decisão da Cúpula de Presidentes e Chefes de Estado da CELAC a qual declarara América Latina com região de paz. Contudo, advertiu quanto as tentativas desestabilizadoras contra os governos legítimamente eleitos na região: “No continente, os governos legitimamente constituídos que trabalham em prol de um futuro melhor, enfrentam inúmeras tentativas de desestabilização.”

Raul, ainda, reforçou os esforços do Papa no restabelecimento dos diálogos entre Cuba e os EUA sem deixar de apontar que a concretização da normalização das relações entre os dois países exige ainda alguns desafios.

“Nós apreciamos seu apoio ao diálogo entre os Estados Unidos e Cuba. O restabelecimento das relações diplomáticas foi um primeiro passo no processo para a normalização das relações entre os dois países, que vão exigir a solução de problemas e a reparação das injustiças. O bloqueio, que causa danos humanos e dificuldades para as famílias cubanas é cruel, imoral e ilegal e deve cessar. O território usurpado da Base Naval em Guantánamo deve ser devolvido a Cuba. Outras questões também devem ser resolvidas. Essas demandas são compartilhadas pelos povos e a grande maioria dos governos do mundo.”

Na mensagem de boas-vindas ao Papa, Raul destacou o processo de atualização do modelo econômico e social em Cuba na perspectiva de construir um socialismo próspero, sustentável, humano e democrático. E, ressaltou o significado do socialismo para a sociedade cubana:

“Preservar o socialismo é garantir a independência, a soberania, o desenvolvimento e o bem-estar da nação. Nós temos a determinação mais firme de enfrentar todos os desafios para alcançar uma sociedade virtuosa e justa, com valores éticos e espirituais elevados.”

Por fim, Raul chamou a atenção ao apelo feito pelo sumo pontífice para salvarguardar o planeta e a sobrevivência da espécie humana. Lembrou a consigna postulada por Fidel na ECO 92 quando disse que o objetivo de todos deveria ser “fazer desaparecer a fome, não o homem!”. Diante da atual crise do Capitalismo onde as maiores vítimas são os mais humildes e países do terceiro mundo enviou sua mensagem:

“O atual sistema internacional é injusto e imoral. Globalizou o capital e converteu o dinheiro em seu ídolo. Converte os cidadãos em meros consumidores. Em vez de espalhar o conhecimento e a cultura, os aliena com reflexos e padrões de comportamento promovidos por meios que só servem aos interesses de seus proprietários, a mídia corporativa transnacional.

A crise profunda e permanente recai com dureza brutal nos países do Terceiro Mundo. Nem conseguem fugir dela os excluídos no mundo industrializado, as minorias, os jovens desempregados e os indigentes idosos, aqueles que procuram refúgio contra a fome e os conflitos. Ofende consciência humana o que acontece com os imigrantes e os pobres. Estes são os indignados do mundo clamando por seus direitos e pelo fim da tamanha injustiça.”

O discurso completo do presidente cubano, Raul Castro, pode ser acessado pelo link: http://pt.granma.cu/papa-francisco-em-cuba/2015-09-20/en-nombre-de-este-noble-pueblo-le-doy-la-mas-calurosa-bienvenida