Gramsci e a Revolução Russa (por Alvaro Bianchi e Daniela Mussi)

Retirado do Blog da Boitempo

O que pensava o jovem Antonio Gramsci sobre a Revolução Russa?

Oitenta anos atrás, em 27 de abril de 1937, Antonio Gramsci morreu depois de passar sua última década numa prisão fascista. Reconhecido postumamente por seu trabalho teórico em seus cadernos do cárcere, as contribuições políticas de Gramsci começaram durante a Guerra Mundial, quando ele era um jovem estudante de linguística na Universidade de Turim. Mas mesmo naquela época, seus artigos na imprensa socialista desafiavam não apenas a guerra, mas a cultura italiana liberal, nacionalista e católica.

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Blocos soviéticos agitam carnaval nas capitais brasileiras (por Pável Rítsar)

No ano de celebração do centenário da Revolução Russa, blocos de carnaval soviéticos irão agitar três capitais brasileiras a partir desta sexta-feira (17). Além do tradicional bloco paulistano, que debutou em 2013, Belo Horizonte e Brasília também ganham seus próprios grupos embalados pela ideologia socialista. Continue lendo

Rússia, 1917. Gloriosa Experiência Histórica (João Amazonas, 1992)

2017 marca os 100 anos da Revolução Soviética, grande experiência social revolucionária de todos os tempos. João Amazonas, em 1993, escreveu o texto que vai postado abaixo e eu recomendo vivamente sua leitura. Continue lendo

O ano vermelho – um clássico insuperável

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A comemoração dos 50 anos da Revolução Russa de 1917 foi marcada, no Brasil, pelo lançamento deste livro notável, que rapidamente se tornou um clássico fundamental da história dos comunistas no Brasil – O Ano Vermelho – A Revolução Russa e seus Reflexos no Brasil, de autoria de Moniz Bandeira, Clóvis Melo e A. T. Andrade.

Homenagear Moniz Bandeira pelos seus 80 anos é uma feliz iniciativa da União Brasileira dos Escritores, como foi a de sua indicação ao Prêmio Nobel em 2015. Continue lendo

Amigos de Lênin, unamo-nos!

lenin-arte (1)Assino com alegria a fundação da Sociedade Amigos de Lênin.  A iniciativa foi instalada na sexta feira, 6 de junho passado, por um conjunto de quadros políticos e teóricos e se destina a realçar a atualidade de Lênin, seu pensamento e ação para a luta contemporânea.

O Manifesto está ainda em elaboração, a partir da base, abaixo, que destaca alguns dos grandes méritos desse gigante do pensamento revolucionário.

Minha vivência como militante comunista, iniciada em 1972 como estudante universitário, teve como definidor o estudo da obra de Lênin, junto com a de Marx-Engels. Estudei-a em vários e amplos aspectos, mas agora o trabalho da Sociedade dos Amigos de Lênin permitirá perscrutá-lo mais a fundo e sistematicamente. Grande Iniciativa, diria Vladimir.

Manifesto da Sociedade dos Amigos de Lênin (SAL)

 

 

Este manifesto argumenta acerca da necessidade de criação de uma Sociedade dos Amigos de Lênin, no Brasil. Baseando-se em debates da Fundação Maurício Grabois, a ideia inspira-se na famosa sugestão de Lênin preconizando a formação de um “Clube de amigos de Hegel”. Essencialmente, nossa proposta pretende retomar as contribuições do grande teórico e político russo, em dimensões em dimensões prospectivas e contemporâneas.

 

 

1. A inteligência revolucionária da nossa época

 

 

Em janeiro deste ano completaram-se 90 anos da morte de Vladimir Ilitch Ulianov, mais conhecido por Lênin. Diferentemente de anos passados, desta vez registraram-se iniciativas celebrando o legado desse gigante da luta revolucionária pelo socialismo. Entretanto, mesmo em crise sistêmicada sociedade burguesa, persiste uma visão negativa do legado teórico e político de Lênin e das épicas jornadas de Outubro 1917, das quais foi o grande inspirador e dirigente.

Sua firme oposição aos principais líderes da socialdemocracia europeia,que haviam capitulado perante a deflagração, em agosto de 1914, da Grande Guerra Mundial entre as potências imperialistas, tornou-o a maior referência, entre os marxistas revolucionários, no combate pela renovação e revigoramento do marxismo e pela construção de uma estratégia revolucionária adequada aos novos tempos caracterizados pela transformação imperialista do capitalismo. Assumiram a fundo a defesa da paz entre os povos, da independência nacional, contra a guerra e o colonialismo.

Quando a Revolução soviética triunfou, a maior parte da humanidade ainda vivia sob o domínio de potências coloniais, notadamente da Inglaterra, a França, a Alemanha e o Japão e Holanda etc. Foi ao influxo das ideais de Lênin que os marxistas passaram a defender o direito das nações à autodeterminação e conclamaram a luta os povos dos países dependentes e coloniais contra a opressão nacional.

Lênin era um radical inimigo do dogmatismo e das ideias estereotipadas no interior do marxismo: “A história em geral e a das revoluções em particular é sempre mais rica de conteúdo, mais variada de formas e de aspectos, mais viva e mais ‘astuta’, do que imaginam os melhores partidos, as vanguardas mais conscientes das classes mais avançadas”.

Absorvendo ideias pioneiras de Engels, ele travou intenso combate à petrificação doutrinária da teoria marxista, que devia ser um “guia para ação”. Para ele, Marx e Engels apenas haviam colocado as pedras iniciais da construção naquele poderoso sistema teórico, cabendo às sucessivas gerações dar prosseguimento à grandiosa obra. Se o marxismo não conseguisse dar conta dos novos fenômenos que surgiam no movimento histórico, poderia degradar-se e transformar-se num dogma incapaz de intervir no curso dos acontecimentos.

Lênin sugeriu ainda que as revoluções tenderiam a eclodir nos elos mais fracos da cadeia imperialista, não necessariamente onde o capitalismo fosse mais avançado. Constatou que a lei do desenvolvimento desigual criava possibilidades de rupturas revolucionárias, sustentando firmemente que o início da construção do socialismo poderia ocorrer num único país ou num pequeno número de países localizados na periferia do sistema.

 

2. A força atual da teoria leninista

 

Quase um século depois de sua publicação, O imperialismo, etapa superior do capitalismo continua sendo um instrumento teórico indispensável à compreensão da lógica concreta do capital. Segundo Lênin, o capitalismo central, mais avançado, se reproduz em permanente tensão entre a “decomposição” e o “desenvolvimento”. “O imperialismo é a época do capital financeiro e dos monopólios, que trazem consigo, em toda a parte, a tendência para a dominação, e não para a liberdade. A reação em toda a linha, seja qual for o regime político. (…) Intensifica-se também, particularmente, a opressão nacional e a tendência para as anexações, isto é, para a violação da independência nacional”. A dialética materialista de Marx aponta os limites objetivos do modo capitalista de produção e suas rupturas recorrentes, mas abstém-se de especular sobre seu colapso final.

A lei do desenvolvimento desigual do capitalismo – para Lênin uma lei absoluta – é fundamental para entender as determinações que impulsionam a dinâmica do sistema atual de relações internacionais capitalistas.

A crise sistêmica do capitalismo que estamos presenciando inscreve-se num ciclo de agudas crises provocadas pelo predomínio do capital financeiro da época do imperialismo, que amplia o desenvolvimento desigual entre os países centrais e periféricos e estimula os conflitos e as guerras neocoloniais.

A elaboração por Lênin de uma teoria da transição ao socialismo na Rússia Soviética, baseada na análise do capitalismo de Estado e da construção da Nova Política Econômica (NEP) tem uma dramática atualidade. Para ele, a construção do socialismo em países periféricos deveria ser longa e conhecer várias etapas. Num primeiro momento, combinariam elementos socialistas e capitalistas; planejamento e mercado.

Outra importante ideia-força deixada por Lênin é que não existem modelos únicos de revolução ou de transição. Cada povo, a partir de suas condições históricas e consciência social, deverá construir os seus próprios caminhos. Nesse sentido, os partidos comunistas autenticamente revolucionários só poderiam consolidar sua influência junto ao inabalável trabalho de massas; intervindo nos acontecimentos políticos e não fugindo deles.

Questão universal e perene da luta de classes no capitalismo, o esquerdismo professava – e professa – rejeição a quaisquer compromissos com outras camadas sociais ou forças políticas não comunistas. Lênin, pelo contrário, advogava a necessidade de se estabelecer acordos e compromissos na luta política. A história do bolchevismo, antes e depois da Revolução de Outubro – dissertou ele em 1920 – realizou-se cheia de casos de manobras, de acordos e compromissos com outros partidos, inclusive burgueses. Mas, sublinhava: “há compromissos e compromissos”.

 

3. A fecundidade da construção de Lênin nas adversidades hodiernas

 

Do legado teórico marxista em Lênin sublinhamos principalmente: a) a lei do desenvolvimento desigual do capitalismo, compreendendo assimetrias e disputas entre o núcleo dos países no estágio do imperialismo, e destes com os países periféricos; b) da degeneração multiforme do capitalismo central, até as guerras; c) na evolução do declínio civilizatório deste capitalismo, às revoluções proletárias da nossa época; d) uma nova teoria da transição ao socialismo; e) os inusitados aportes culturais captados no nascedouro da nova sociedade.

De outra parte, sabemos que Lênin passou a ser “sacrificado”, muitas vezes em nome de um Marx “metodológico” ou quase inofensivo. Coincidentemente à derrota da experiência da construção socialista, configurada numa bipolaridade sistêmica mundial. Da omissão aos ataques a Lênin, setores da intelectualidade buscam eliminar o ineditismo histórico da Revolução de Outubro de 1917.

Em fidelidade à nossa história, elencamos entre as razões fundantes em nos dispormos a construir uma Sociedade dos Amigos de Lênin recordando igualmente o forte impacto obtido pelas ideias dele entre pensadores e revolucionários no Brasil. O que conclama reforçar em nossos dias a difusão de seu pensamento, de sua obra, de suas realizações políticas.

 

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Sérgio Barroso: Lênin para a contemporaneidade

Especial: Atualidade do pensamento de Lênin