Os cem anos da Revolução Russa: alguns temas para seu estudo (por José Carlos Ruy)

O historiador marxista Eric Hobsbawm ressaltou a importância da Revolução Russa ao escrever que seus limites históricos definem o que chamou de o “breve século XX”: 1917-1991. É uma maneira de ver que enfatiza a importância da Revolução Russa, que iniciou uma nova etapa na história da humanidade.

Quando a revolução ocorreu, a Rússia czarista era a mais atrasada entre as potências européias. Ainda era grande o peso do passado feudal (a servidão fora abolida em 1865), e o país permanecia dominado por uma monarquia absolutista. Sua classe operária se contava aos milhões, mas a base da população era camponesa, e no seu meio predominavam o analfabetismo e o preconceito religioso.  Continue lendo

Melhor levar a sério o desafio sino-russo ao dólar (por F. William Engdahl)

O sistema monetário internacional de 1944, de Bretton Woods, como foi desenvolvido até o presente tornou-se, dito claramente, o maior obstáculo à paz e à prosperidade do mundo.

Agora, a China, cada vez mais apoiada pela Rússia – as duas grandes nações da Eurásia – começam a dar passos decisivos para criar uma alternativa muito viável à tirania do dólar norte-americano sobre o comércio e as finanças mundiais.

Wall Street e Washington não estão gostando, mas são impotentes para deter o movimento.

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Fiori: O lugar da Rússia e da guerra na nova estratégia global dos EUA (por José Luís Fiori)

A polarização da sociedade americana, e a luta fratricida de suas elites, neste início do século XXI devem prosseguir e aumentar sua intensidade nos próximos anos, mas não devem alterar a direção, nem a velocidade do crescimento do poder militar global, dos Estados Unidos. Este tipo de ­­­divisão e luta interna, não é um fenômeno novo ou excepcional – se repetiu em vários momentos do Século XX – toda vez em que foi necessário responder a grandes desafios e tomar decisões cruciais no plano internacional.

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Intelectual entre os bolcheviques, bolchevique entre os intelectuais (por Alexandre Deutsch)

Nas origens do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), o partido fundado por Lênin, estava toda uma plêiade de homens excelsos, pessoas de um talento fora de série. Mas entre eles sobressaía a figura de Anatoli Lunatcharski (1875-1933), primeiro comissário do povo (ministro) da Educação da Rússia Soviética. Ele era um homem de uma erudição enciclopédica principalmente em questões de literatura, artes e filosofia. Não foi por acaso que o famoso jurista russo, o senador Koni, contemporâneo de quatro reinados, afirmou que Lunatcharski foi o melhor ministro da educação que alguma vez vira. E Lênin referiu-se a ele do seguinte modo: “Uma pessoa de talento raro e fecundo.”

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Brics – Novo Banco de Desenvolvimento (por Paulo Nogueira Batista Jr.)

O artigo é de agosto de 2016, mas permanece atual. Paulo Nogueira Batista Jr, economista vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), estabelecido pelos Brics (sigla que se refere a Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) na cidade chinesa de Xangai. Foi publicado na Revista do Instituto de Estudos Avançados da USP.

Estudos Avançados – Como surgiu a ideia da constituição do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e qual foi o país que comandou o processo de criação?

A ideia partiu da Índia. Foi lançada na cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no início de 2012, em Nova Déli. Naquela ocasião, os líderes dos cinco países pediram a seus ministros de Finanças que examinassem a viabilidade de criar um novo banco de desenvolvimento para financiar infraestrutura e desenvolvimento sustentável. As negociações transcorreram por pouco mais de dois anos até a assinatura do Convênio Constitutivo na cúpula dos Brics em Fortaleza, em julho de 2014. Não se pode dizer que um país tenha comandado o processo de negociação. Os cinco participaram com igual presença e dedicação. Até o início de 2013, a Rússia ainda era mais relutante do que os outros, mas depois se engajou plenamente.

Estudos Avançados – Qual é o papel geopolítico do NBD ao ser constituído apenas por países emergentes? É um banco político? Como se insere na lógica geopolítica e de relação hegemônica global atual?

É primeira vez que um banco de desenvolvimento de alcance global é estabelecido apenas por países de economia emergente, sem a participação de países desenvolvidos na fase inicial. Trata-se, portanto, de um grande desafio para nós. A iniciativa de criar o NBD tem um aspecto geopolítico, sem dúvida. Reflete a insatisfação dos Brics com as instituições multilaterais existentes, que demoram a se adaptar ao século XXI e a dar suficiente poder decisório aos países em desenvolvimento. Mas o NBD não é um banco político. O banco se pautará por critérios técnicos para aprovar projetos. O nosso Convênio Constitutivo deixa esse ponto claro. Queremos evitar a excessiva politização das decisões que se observam nas instituições multilaterais existentes.

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