Temer e o projeto de subdesenvolvimento, por Julio de Oliveira Silva

 

inserção internacional da economia brasileira sofreu um grave revés nos últimos sete anos. O retrocesso marca um movimento em direção ao que alguns consideram a vocação natural do País, o extrativismo de caráter imediatista e a alienação patrimonial, em um concerto de interesses estrangeiros e desinteresses nacionais.

O compromisso das forças políticas atuais com o atraso, não apenas na economia, denota a intenção explícita em reverter o pacto social civilizatório duramente obtido em 1988. Trata-se agora, e ninguém no governo disfarça, de desfigurar a Constituição Federal e desamparar a população. Os mais ambiciosos se perguntam se não seria o caso de levar a reversão do processo histórico, inclusivo e popular, não apenas a 1988, mas a antes dos anos 1930, ao fim da Era Vargas, que produziu tudo o que caracteriza o Brasil como um país respeitável. Continue lendo

O divórcio da política e do capital: o caso Temer (por Fernando Horta)

Desde a década de 50 até a de 70 a CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) tem pensado o desenvolvimento econômico da região. Especialmente na década de 70 duas grandes correntes se formaram. A “Teoria da Dependência” (defendida por André Gunder Frank, Celso Furtado e outros) dizia que o problema da América Latina (e do Brasil) era “capitalismo demais”. Afirmava que nós funcionávamos como a periferia de um sistema centralizado nos países ricos. Este sistema tinha como base a condição de manter áreas periféricas pobres, carreando as riquezas para o centro do sistema. Assim, pela própria dinâmica do capitalismo, nós seríamos sempre “subdesenvolvidos”. A solução seria romper com o sistema centro-periferia, através de um vigoroso processo de industrialização que dependia da proteção de mercados e dos investimentos estatais.

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